Rev. Barry Gritters
Graça Incomum
— Uma Consideração Protestante Reformada 
da Doutrina da Graça Comum —
por Rev. Barry Gritters


INTRODUÇÃO

Três itens devem ser tratados a título de introdução.

Primeiro, as Igrejas Protestantes Reformadas (PRC), não estão sozinhas em sua rejeição da doutrina da graça comum. Aumentando em número, há outras que concordam com a PRC em suas objeções a esta doutrina. Há um artigo extenso escrito por um Presbiteriano na The Trinity Review chamado “O Mito da Graça Comum” (Março/Abril, 1987). Há o Dr. Henry Vander Goot, um professor de religião no Calvin College, e um defensor, que deixa muito a desejar, da causa conservadora ali, que falou do erro fundamental da graça comum, até mesmo reivindicando que muitos dos problemas na CRC no presente podem ser remontados à doutrina da graça comum. Há outros.

Em segundo lugar, sustentadores da doutrina da graça comum fazem questão de chamar João Calvino para testemunhar em favor de sua causa. Isto tem sido feito antes, e freqüentemente. De fato, um livro inteiro foi escrito para tentar mostrar isto (Herman Kuiper, Calvino e Graça Comum , 1928). Aproximadamente 10 anos atrás, examinei completamente esse livro e escrevi um ensaio extensivo para mostrar que quase toda referência a Calvino ou é um agarrar às palhas ou é tomada gravemente fora do seu contexto, fazendo a reivindicação infundada (veja Apêndice III). No final de 1987, o Dr. Vander Goot falou para uma assembléia de ministros (“Porque Herman Hoeksema Estava Certo em 1924”), a essência do seu discurso sendo mostrar que Calvino, tomado no contexto, não ensinou a graça comum. Creio que ele fez um bom caso dela. Meu ponto é que a reivindicação de se ter Calvino de um lado, uma vantagem de peso se pudesse ser provada, não vem facilmente.

Em terceiro lugar, o assunto da graça comum não está morto, mas vivo e bem vivo na CRC. Algumas vezes, as palavras graça comum não são usadas. Em outras, referência explícita tem sido feita à graça comum como promovendo heresia e injustiça nas igrejas.

Com respeito à doutrina: Em 1962 Harold Dekker, um professor no Calvin Theological Seminar (Seminário Teológico Calvino), começou sua defesa pública de uma expiação universal usando o ensino da bem intencionada oferta do evangelho, um ensino que foi adotado pela CRC em 1924 com o ensino da graça comum. (Para a posição de Dekker, veja The Reformed Journal ( O Jornal Reformado ), 1962 a 1964). Na década de 1970, o Dr. Harry Boer apresentou uma acusação contra dois artigos no Cânones de Dort , usando a doutrina da graça comum para reforçar seu ataque contra a doutrina da reprovação ensinada ali. Mais recentemente, no final da década de 1980, a Palavra de Deus na primeira parte de Gênesis foi interpretada como mito, quase que completamente despojada de fato histórico. O que não é tão bem conhecido é que esta preocupante e herética interpretação das Escrituras apela para a doutrina da graça comum. (Veja “Assuntos Hermenêuticos Então e Agora: O Caso Jansen Revisto” no Calvin Theological Journal Abril, 1989). Estas são algumas das maneiras que o ensino da graça comum tem influenciado a fé.

Com respeito à prática: desde a decisão sinodal de 1928 (veja abaixo sobre a antítese ) e através de toda a década de 1950 e além, as igrejas têm apelado à graça comum para santificar o cinema e redimir a dança. Esta prática continua. Recentemente, uma das jovens mulheres em minha congregação me expressou preocupação que, no colégio Reformado onde ela trabalhou, havia apelo freqüente à graça comum para suportar comportamento e companhias que eram contrárias aos princípios históricos Reformados.

Não somente no passado, mas também no presente, alguns têm reivindicado que a graça comum é insignificante, que a controvérsia na década de 1920 foi desafortunada e desnecessária (veja J. Tuininga em Christian Renewal ( Renovação Cristã ), 19 de Fevereiro de 1990, página 14). Minha oração é que todos vejam que, quer alguém concorde ou discorde, a graça comum é um assunto que é importante e deve ser discutido.


UM ESCLARECIMENTO DE MAL-ENTENDIDOS

Tenho ouvido que as Igrejas Protestantes freqüentemente mal-representam a posição das CRC's. Talvez este tem sido o caso. É também o caso que a posição das PRC's não tem sido justamente representada pela CRC nos tempos passados. Talvez isto tenha ocorrido porque o pecado e o orgulho permaneceram no caminho de um desejo de ser completamente acurado, honesto e justo. Porque a posição Protestante Reformada tem sido mal-representada e mal-entendida, quero deixar claro em primeiro lugar o que não pretendemos em nossa rejeição da graça comum.


COM RESPEITO AO PRIMEIRO PONTO

O primeiro ponto da graça comum ensina uma atitude favorável de Deus para com todos os homens em geral, e não somente para com os eleitos (veja Apêndice I). A prova dada para este ponto foi a “chuva e a luz do sol” que os incrédulos recebem de Deus. Quando as Igrejas Protestantes Reformadas rejeitam o primeiro ponto da graça comum, nossa negação não significa que ensinemos que a chuva e a luz do sol que os ímpios recebem não são boas. Elas são boas. Os ímpios devem reconhecê-las como boas. E elas são dadas aos ímpios por Deus. Nosso problema com o primeiro ponto da graça comum é que ela ensina que Deus dá aquelas coisas aos ímpios em Seu amor por eles ou Seu favor para com eles. A dificuldade está ali.


COM RESPEITO AO SEGUNDO PONTO

O segundo ponto da graça comum ensina que Deus refreia o progresso desenfreado (desimpedido) do pecado, pela operação geral do Espírito Santo (Apêndice I). Ele faz isto em seus corações sem regenerá-los . Quando objetamos a este segundo ponto, nossa objeção não é com a verdade de que Deus refreia o pecado. (Isto tem sido dito por alguns dos nossos críticos. Se eles entenderam de outra forma propositalmente ou apenas não nos entenderam, é uma pergunta. Mas eles disseram de uma forma completamente clara que Deus não refreia o pecado. Mas no contexto de seus escritos, torna-se óbvio que eles dizem que Deus refreia o pecado. Caso tenha sido dito que Deus não refreia o pecado, eu ouso dizer que isto não deveria ter sido dito, e peço que os escritos sejam visto em seus contextos).

Nossa objeção ao segundo ponto não é que Deus não refreie o pecado. Deus refreia os pecadores de fazerem todas as ações más concebíveis. Se não fosse este o caso, o mundo seria um caos. Nossa objeção ao segundo ponto é que ele ensina que Deus refreia o pecado por uma operação graciosa do Seu Espírito e numa atitude de favor para com eles. Se este não fosse o ensino da graça comum, então, não teria nenhum problema com o segundo ponto. Tudo por si mesmo, o segundo ponto pode ser verdadeiro.

Há outras explicações, de qualquer forma, (além da operação do Espírito Santo em seus corações) pelas quais os homens não cometem todos os pecados imagináveis. Um dos pais da igreja, Agostinho, deu uma. Ele explicou que os ímpios estão tão ocupados perseguindo uma cobiça, que eles não cometem todas delas. Se eles forem amantes do dinheiro, por exemplo, eles abrirão mão de todos os tipos de outros pecados (bebedice, uso de drogas, glutonaria) para perseguir esta única cobiça das suas – conseguir tanto dinheiro quanto possível. Outras explicações podem ser dadas pelas quais os homens não cometem todos os pecados possíveis. Uma razão óbvia é que os homens não desejam sofrer a má conseqüência do mal. De acordo com os Cânones de Dort, eles ainda têm a consideração pela ordem e decência na sociedade. Mas eles têm consideração por isto porque vêem que é benéfico para eles. Um homem se abstém do assassinato, não porque Deus o refreia ; ele quer salvar sua própria pele. (Esta é a explicação de Calvino; veja suas Institutas : II,3,3.) Como a Confissão Belga ensina, Deus ordenou o magistrado, para que a indisciplina dos homens seja contida e tudo ocorra entre eles em boa ordem e decência. Para este fim Ele forneceu às autoridades a espada...”


COM RESPEITO AO TERCEIRO PONTO

O terceiro ponto ensina que os incrédulos que não são regenerados podem fazer boas obras, não boas salvificamente, mas boas civilmente (Apêndice I). Quando objetamos a este terceiro ponto, nossa objeção não deve ser tomada como significando que os incrédulos não podem fazer algo útil, benéfico, ou exteriormente correto. Não dizemos que porque um incrédulo pode fazer uma caneta, ela não é uma boa caneta e, portanto não posso usá-la; ou que porque ele fez esta camisa, portanto, ela não é uma boa camisa e eu não posso (talvez) vesti-la. Nós jamais dissemos que porque um incrédulo escreveu um livro, este não pode ser, portanto, um livro útil para o crente.

Nossa objeção ao terceiro ponto é simplesmente esta: O incrédulo não pode fazer algo pelo qual Deus esteja satisfeito com ele pessoalmente. Não há obras que os incrédulos realizem as quais Deus aprove, sobre as quais Ele diga “boa obra”, e sobre a qual Ele coloque o Seu selo de aprovação. Todas as obras dos incrédulos são injustas.

Tendo mostrado no que a Igreja Reformada não crê em sua negação da graça comum, há especialmente três doutrinas da fé Reformada que a doutrina da graça comum toca e às quais a doutrina [da graça comum] causa danos.


A NEGAÇÃO DA GRAÇA COMUM DA DEPRAVAÇÃO TOTAL 

A VERDADE DA DEPRAVAÇÃO TOTAL 

A doutrina Reformada da depravação total é que os homens que não são nascidos de novo estão mortos em pecado, incapazes de fazer qualquer bem, e inclinados para todo mal. A ênfase aqui deve ser esta: eles estão espiritualmente mortos. A causa desta morte espiritual é a queda de nossos primeiros pais no Paraíso e sua subseqüente punição por Deus com morte: física e espiritual. O homem natural é incapaz de fazer qualquer bem.

Prova bíblica para isto é encontrada por toda a Escritura. Em Gênesis 2:16-17 o Senhor diz a Adão e Eva, “No dia em que dela comeres, certamente morrerás”. Esta punição foi aplicada a eles, de acordo com Efésios 2:1 e versos seguintes: “estando vós mortos em delitos e pecados...Mas Deus, que é rico em misericórdia....nos vivificou juntamente com Cristo...” Muitas outras passagens falam da morte espiritual do homem.

Não somente está o homem natural morto , ele é ativamente mal. “Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz. Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus , pois não é sujeita à lei de Deus, nem em verdade o pode ser; e os que estão na carne não podem agradar a Deus” (Romanos 8:6-8). Este é também o ensino de Romanos 3:9-12, “Como está escrito: Não há justo, nem sequer um. Não há quem entenda; não há quem busque a Deus. Todos se extraviaram; juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só...” Tudo o que o homem natural pode fazer é pecar.

O homem natural é um escravo do pecado. Sua vontade não é obrigada a fazer nada, senão o mal. Esta é a tese do livro de Martinho Lutero, A Escravidão da Vontade (The Bondage of the Will), o único livro, em sua própria opinião, que era digno de salvação. Cristo disse em João 5:15, “Sem mim nada podeis fazer”.

O exposto acima não é um apelo descuidado a uns poucos textos isolados, mas é a fé Reformada.

No Catecismo de Heidelberg, Pergunta e Resposta 5, aprendemos que o homem natural é “por natureza inclinado a odiar a Deus e ao seu próximo”; na Pergunta e Resposta 6 que o homem natural é “mau e perverso...”; e na Pergunta e Resposta 8, “Mas somos nós de tal forma pervertidos que nos tornamos totalmente incapazes de praticar qualquer bem, e inclinados a todo mal?” Qual é a resposta? “Deveras somos, se não formos regenerados pelo Espírito de Deus”. Deveras somos. Os pais não disseram nada aqui semelhante a: “Bem, façamos algumas distinções. O que você quer dizer por bem? O que você quer dizer por corrupto?” Mas, “Deveras somos, se não formos regenerados pelo Espírito de Deus”.

A Confissão Belga diz, em seu Artigo 14, que o homem “tornou-se ímpio, perverso e corrupto em todos os seus caminhos...Por isso, rejeitamos todo o ensino contrário, sobre o livre-arbítrio do homem, visto que o homem é apenas um escravo do pecado...Pois quem pode presumir se gloriar, que pode de si mesmo fazer alguma coisa boa...porque não há vontade ou entendimento conformável à vontade ou entendimento divino, mas somente aquele que Cristo opera no homem; o qual Ele nos ensina quando diz, “sem mim nada podeis fazer”. No Artigo 15 do mesmo credo, o pecado original é dito ser “uma corrupção de toda a natureza....como uma raiz que produz nos homens todos os tipos de pecado”.

O que é feito tão claro nestas duas confissões é explicado ainda mais nos Cânones, III-IV,1, “O homem foi originalmente criado à imagem de Deus...mas revoltando-se contra Deus...se privou desses dons excelentes; e em lugar disso trouxe sobre si cegueira de mente, trevas horríveis, vaidade e perversão de julgamento; tornando-se ímpio, rebelde e obstinado de coração e vontade, e impuro em sua afeições”.

A doutrina da total depravação é confessada por todas as Igrejas Cristãs Reformadas.


A GRAÇA COMUM NEGA ESTA VERDADE DA REFORMA

O terceiro ponto da graça comum não ensina que o homem pode fazer o bem salvífico. Pelo que penso que a CRC quer dizer atividades tais como arrependimento, fé ou alguma outra coisa que o traga para mais perto de Deus. Mas o terceiro ponto ensina que o incrédulo, o homem não regenerado, faz alguma coisa que Deus aprova, com a qual Deus é agradado, e que é conformável à vontade de Deus. Ele é capaz de fazer o bem civil.

Creio que a graça comum mina a Confissão Reformada da depravação total. (Ela possivelmente mina esta verdade também no segundo ponto, que ensina, se eu não o entenda incorretamente, que o Espírito Santo refreia o pecado no coração do homem natural, de forma que ainda exista um remanescente de Deus nele. A graça comum do Espírito Santo preserva o homem depois da queda de forma que ele não se torne completamente mal.) Mas a graça comum mina este ensino no terceiro ponto, o qual ensina que o homem natural é capaz de fazer o bem civil .

A Escritura e as confissões Reformadas ensinam que o homem é totalmente depravado, incapaz de fazer qualquer bem, e inclinado para todo o mal. O Catecismo de Heidelberg deixa isto claro. A única exceção para esta verdade é a regeneração. O Catecismo Belga é claro: “Ele é corrupto em todos os seus caminhos ...” “Não há vontade ou entendimento conformável à vontade divina, mas somente aquele que Cristo opera no homem”. Os Cânones de Dort (III-IV:11) explica claramente que todas as boas obras que o homem realiza acontecem pela regeneração e pela regeneração somente.


NOSSA DEFESA DE NOSSA NEGAÇÃO DA GRAÇA COMUM

Certamente, há textos que parecem ensinar que o homem natural pode fazer o bem. Todavia esta questão deve ser considerada: qual é o ensino prevalecente da Escritura? Estes textos devem ser explicados à luz do ensino prevalecente das Escrituras e das Confissões, que mostram que o homem natural não pode fazer o que é bom aos olhos de Deus.

Os Protestantes Reformados não têm “explicado demais” os textos que são apresentados para sustentar o ensino da graça comum, mais do que todos os crentes Reformados estão “explicando demais” os textos na Bíblia que os Arminianos nos trazem para sustentar as suas falsas doutrinas da expiação universal e da graça resistível. O velho ditado Holandês é: "Elke ketter heeft zijn letter" (Todo herético tem seu texto).

Há reivindicação de que as confissões ensinam esta habilidade do homem natural para o bem. É feita referência aos Cânones III-IV:4. Deve-se apontar mui claramente que a confissão não ensina esta habilidade. A primeira metade do artigo diz, “ É verdade que há no homem depois da queda um resto de luz natural. Assim ele retém ainda alguma noção sobre Deus, sobre as coisas naturais e a diferença entre honra e desonra e pratica alguma virtude e disciplina exterior”. Isto é o mais longe em que o artigo é citado no relato de estudo do sínodo de 1924. Mas a última metade é a chave: “ Mas o homem está tão longe de chegar ao conhecimento salvífico de Deus e à verdadeira conversão por meio desta luz natural, a qual ele é incapaz de usá-la apropriadamente até mesmo em coisas naturais e civis. Antes, qualquer que seja esta luz, o homem a polui totalmente, de maneiras diversas, e a detém pela injustiça. Assim, ele se faz indesculpável perante Deus”. O que quer que os nossos pais queriam dizer quando afirmaram que o homem natural é incapaz de usar a luz da natureza apropriadamente nas coisas naturais e civis, é claro que eles queriam dizer aqui que o homem natural não faz o bem.


A LIVRE OFERTA NEGA A PREDESTINAÇÃO

A “livre oferta do evangelho” é o ensino de que Deus oferece salvação a todos os homens quando o evangelho é pregado indiscriminadamente a todos. A livre oferta ensina que Deus graciosa e sinceramente oferece salvação a todos os que ouvem a pregação, e honesta e sinceramente deseja salvar todos eles.

A adoção do primeiro ponto da graça comum em 1924 foi uma adoção oficial (embora de uma forma duvidosa) do ensino da “livre oferta do evangelho”.

Algumas vezes é dito que os Protestantes Reformados colocam este ensino na boca das CRC's. É dito que o ensino da “livre oferta” era somente parte do estudo do relato do comitê. Mas a livre oferta era mais do que isto. Ela era parte da decisão oficial do Sínodo (veja o Apêndice I). Além do mais, os defensores da graça comum nunca se cansaram de defender a livre oferta. Portanto, este ensaio, uma análise dos três pontos da graça comum, levanta uma defesa da fé Reformada contra a “livre oferta do evangelho” ensinada no primeiro ponto.

Cremos que a “livre oferta” deve nos levar a uma negação do ensino Reformado da predestinação.


A VERDADE REFORMADA DA PREDESTINAÇÃO

A verdade Reformada da predestinação é que Deus decretou, quis e pretendeu que alguns sejam salvos e outros não. Deus determinou salvar um certo número, definido, de pessoas em Cristo, cujos nomes estão escritos em Seu livro da vida desde a eternidade. Esta é a doutrina Reformada da eleição. Ao mesmo tempo, Deus determinou não salvar um certo número, definido, de pessoas, cujas todas não estão em Cristo. Esta é a doutrina Reformada da reprovação.

A predestinação é incondicional. Deus determina salvar este número específico de pessoas, não porque Ele viu com antecedência que elas iriam crer ou que seriam “capazes de se salvar”. Deus escolheu Seus amigos incondicionalmente. Para ilustrar, nossa escolha de amigo é condicional. Ela deve ser, muito freqüentemente. Uma garota ou garoto Cristão que queiram namorar deve ser seletivos e dizer: “Eu namorarei sobre uma condição – que (entre outras coisas) você seja um Cristão”. A escolha de Deus de Seus amigos não foi condicional. Ele não lhes escolheu por causa do que eles eram ou se tornariam. Também, Deus determinou ignorar os outros neste decreto de eleição, não porque Ele viu que eles O rejeitariam. Deus rejeitou-os incondicionalmente.

Há tanta prova Bíblica para isto que é difícil escolher alguns textos que sejam mais claros. Em Efésios 1:1-5 Paulo diz: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo, como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor: tendo nos predestinado para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua própria vontade”(veja também Deuteronômio 7:6; Romanos 9:11; Efésios 1:11; etc;).

Que a predestinação é incondicional é visto em inúmeras passagens, especialmente Deuteronômio 7:7-8: “O Senhor não tomou prazer em vós nem vos escolheu (este é o amor eletivo!) porque fôsseis mais numerosos do que todos os outros povos, pois éreis menor em número do que qualquer povo; mas, porque o SENHOR vos amou, e porque quis guardar o juramento que fizera a vossos pais...” (Se já amei algum petitio princippi [raciocínio redundante] foi este! O Senhor vos ama porque Ele vos ama!)

Isto emerge especialmente em Efésios 1. Deus escolheu um povo, não porque eles fossem santos, mas Ele os escolheu para que pudessem ser santos. Sua eleição traz santidade. As boas obras são os frutos, e não as origens, da eleição. Qual padrão foi usado por Deus para nossa eleição? “De acordo com a santidade das pessoas?” “De acordo com a fé das pessoas?” “De acordo com as suas boas obras?” Nunca. “De acordo com o beneplácito de sua própria vontade” Ele escolheu um povo.

Que a reprovação é incondicional é vista em mais de um lugar. João 10:26 é um texto chave, “Mas vós não credes porque não sois das minhas ovelhas, como já vo-lo tenho dito”. Eles são incrédulos porque Deus não lhes escolheu. 1 Pedro 2:8 mostra isto também. Jesus Cristo é “uma pedra de tropeço e rocha de escândalo, para aqueles que tropeçam na palavra, sendo desobedientes; para o que também foram destinados”. Então ele continua, “Mas vós sois a geração eleita ...”.

Um lembrete é adequado aqui de que a predestinação, eleição e reprovação, é uma verdade fundamental da fé reformada, um padrão inegociável da Reforma, o primeiro dos cinco pontos do Calvinismo: Eleição incondicional (predestinação).

Isto é confessionalmente Reformado.

O Catecismo de Heidelberg , Questão 52, diz que Deus “ Ele me levará para si mesmo, com todos os eleitos na alegria e glória celestiais”. Questão 54, sobre a igreja, diz: “O Filho de Deus reúne, protege e conserva...uma igreja escolhida para a vida eterna”. A Confissão Belga é mais clara, especialmente com respeito à incondicionalidade da eleição, no Artigo 16: “Deus...livra...todos aqueles que Ele...elegeu em Cristo...sem levar em consideração obra alguma deles...” Os Cânones de Dort , I:7 reivindicam: “Eleição é o imutável propósito de Deus pelo qual...Ele escolheu...um certo número de pessoas para redenção em Cristo...” E em I:9: “Este eleição não é baseada em fé prevista...ou qualquer...boa qualidade...no homem...” Em II:8: “Esta eleição foi o soberano conselho, a vontade graciosa e o propósito de Deus..que a...eficácia da...morte de Seu Filho se estendesse a todos os eleitos, para outorgar a eles somente o dom da fé justificadora...Isto é, foi da vontade de Deus que Cristo...redimisse eficazmente...todos aqueles e aqueles somente que foram eternamente escolhidos para salvação...”


A “LIVRE OFERTA DO EVANGELHO” DEVE NEGAR ESTA VERDADE

A livre oferta nega tanto explicitamente como implicitamente a predestinação. O primeiro ponto e a oferta ensinam que o amor de Deus é por todos que ouvem a pregação do Evangelho. Mas eleição é aquela em que o amor de Deus em Cristo é eternamente direcionado para alguns, definidos, homens em particular, desejando a salvação deles e eficazmente realizando-a (ver Deuteronômio 7:6-8 e Romanos 8:28-39).

A livre oferta do evangelho (explicita ou implicitamente) faz da eleição universal ou condicional, ou ambos. Se Deus deseja a salvação de todos os homens, então, Ele deve desejar a salvação daqueles que Ele não escolheu. Como pode ser isto? Então Deus deve ter escolhido todos aqueles que Ele oferece salvação; ou a salvação deve ser condicionada pela fé do homem – ambas das quais [alternativas] temos visto que não são nem bíblicas, nem confessionais. Como Deus pode sinceramente oferecer salvação para todos os homens que Ele decretou (na predestinação) não salvar? Como Ele pode ser sincero nesta Sua “expressão de amor”?

Uma outra maneira, como resultado do dilema da “oferta livre” – além de negar a predestinação – é dizer que há uma contradição na Bíblia que não podemos compreender. Amigos, a Bíblia não é contraditória. “Deus deseja salvá-los; Deus não deseja salvá-los?” A Bíblia é misteriosa e insondável; mas não é contraditória.

Não somente a livre oferta mina a verdade da predestinação, ela mina outros dos cinco pontos do Calvinismo. Se a graça de Deus é estendida na pregação a todos os homens, então, a graça de Deus não é irresistível, como todos os Calvinistas e Reformados ensinam, mas resistível, como o Arminiano ensina, porque nem todos são salvos por ela. Se a graça de Deus na pregação é para todos, de onde vem esta graça? (E a graça na pregação é certamente não comum, mas uma graça salvadora, especial). Toda graça é da cruz de Cristo. Se esta graça na “oferta” vem da cruz de Cristo, então, a expiação não é limitada, mas universal. Ou, se Deus oferece salvação a todos os homens na pregação, Sua oferta não é sincera, visto que Seu Filho não morreu por todos os homens. E se o desejo de Deus na pregação é salvar todos, então, nosso Deus soberano, Todo-poderoso, é frustrado em Seus desejos.

Em nossa defesa de nossa negação da livre oferta, fazemos uma pergunta.

Em vista da livre oferta, porque alguns são salvos na pregação e outros não? A resposta não pode ser a graça de Deus , porque a graça de Deus vem para todos na pregação. A resposta não pode ser a vontade de Deus na pregação, porque a vontade de Deus é salvar todos da mesma forma. Há duas alternativas: Ou é devido ao livre arbítrio do pecador (claramente Arminiano), ou é um paradoxo. Mas a Bíblia não é contraditória, categoricamente contraditória.

Há uma defesa da livre oferta em inúmeros textos que supostamente se referem ao desejo e vontade de Deus de salvar todos os homens. Mas o Reformado deve ser cuidadoso em sua interpretação deles. Os Arminianos em Dort tinham uma cesta cheia de textos provas. É surpreendente que a maioria dos textos apelados em suporte da livre oferta do evangelho são os mesmos usados pelos Arminianos em Dort. O crente Reformado considerará seriamente a interpretação destes textos por John Owen, Francis Turretin e João Calvino, antes de dizer que a interpretação que nega a “livre oferta” é uma distorção cruel, arbitrária, dos textos. Nossa defesa é que a Escritura interpreta a Escritura, e que um texto não contradiz o outro. Este é um princípio fundamental da hermenêutica Reformada.

O testemunho dos Cânones , a expressão da fé de todo crente Reformado, fala em alta voz e claramente sobre a questão da vontade de Deus de salvar: “Esta [eleição] foi o soberano conselho, a vontade graciosa e o propósito de Deus...que a...eficácia da... morte de Seu Filho se estendesse a todos os eleitos, para outorgar a eles somente o dom da fé” (ênfase minha).


ESCLARECIMENTO DE NOSSA NEGAÇÃO DA LIVRE OFERTA

Sempre tem havido um mal-entendimento da negação Protestante Reformada da livre oferta do evangelho, a qual deve ser esclarecida. A negação das PRC's da livre oferta do evangelho não significa que o pregador não deva pregar a todos indiscriminadamente. Ele deve! Não significa que ele não deva chamar todos os homens ao arrependimento e fé. Ele deve! Não implica que Deus não promete salvação a todos os que creiam! Deus com toda a certeza o faz!

A negação das PRC's da livre oferta significa isto: que negamos que há graça na pregação para todos os homens, que negamos que a pregação expressa o desejo, o propósito e a intenção de Deus de salvar todos os homens. Ele certamente não faz isto! Em vez disto, eles devem ser salvos porque Ele é um Deus soberano e poderoso.


A DESTRUIÇÃO DA ANTÍTESE PELA GRAÇA COMUM

O QUE É ANTÍTESE

Deus chama o Seu povo para viver em oposição ao mundo. Eles são chamados para dizer “Sim” a todas as coisas de Deus, e dizer “Não” a todas as coisas do mundo. Eles são chamados para viver em separação espiritual do mundanismo. Esta é a antítese.

Quando o crente Reformado mantêm a antítese, não significa que ele deseja ser um Anabatista, fugindo do mundo, não tomando parte na vida deste mundo. Ele não vai ficar, como os Holandeses costumam dizer, zombando, “met e'n bookje in e'n hoekje” (com um pequeno livro num canto). Ele vive no mundo e toma parte em tudo as atividades de labor, governo e sociedade. A antítese significa que ele não tem nada em comum com o mundo espiritualmente, que ele é chamado para “sair do meio deles” e ser separado.

A razão do seu chamado para viver a antítese é que os Cristãos são um povo diferente. A vida do filho de Deus regenerado no mundo tem sua origem na nova vida de Cristo e é direcionada pelo poder da graça de Deus em Cristo. É um viver e andar no Espírito Santo. É exatamente a luta do filho de Deus, dia a dia afora, para viver, pensar, querer, sentir, falar e agir de acordo com Jesus Cristo, pelo poder do Espírito Santo. A vida do incrédulo não regenerado, em contraste, tem sua origem na carne, isto é, na natureza depravada humana, e é direcionada pelo poder do pecado. É um viver e andar no pecado. Portanto, a vida do crente e do incrédulo estão em oposição.

A antítese deve mostrar a si mesma , e mostrar a si mesma em tudo da vida. Primeiro, a vida do crente é sujeita à Palavra de Deus, enquanto que a vida do incrédulo é independente da Palavra e em rebelião contra ela. Em segundo lugar, o objetivo da vida é diferente. O crente dirige sua vida para Deus. Sua vida é centrada em Deus; o objetivo: a glória de Deus. O incrédulo deixa Deus de lado; sua vida é centrada no homem.


PROVA DE QUE A ANTÍTESE É REFORMADA

A prova confessional não é tão explícita como os dois fundamentos anteriores da fé Reformada. Mas isto não significa que a antítese não seja uma idéia bíblica e Reformada. Embora o conceito tenha sido desenvolvido mais claramente pelos nossos pais da Reforma no século 19, ele é certamente confessional. O Catecismo de Heibelberg diz que o “Filho de Deus reúne.... dentre toda a raça humana, uma igreja eleita para a vida eterna”. A Confissão Belga salienta a idéia da antítese quando, explicando a doutrina do batismo e tomando o exemplo do significado da circuncisão, diz que pelo sacramento do batismo “somos recebidos na Igreja de Deus, e separados de todos os outros povos e outras religiões, para pertencermos totalmente a Ele, tendo Sua marca e estandarte...” O sacramento do batismo, então, é a grande bandeira que proclama ao mundo, “Antítese!”

Há prova bíblica. A nação de Israel foi um exemplo primário da antítese. Eles foram um povo separado, chamados para não se misturar com as nações ao redor deles, punidos todas as vezes em que eles se casavam e se misturavam com eles. Repetidamente Deus os chamava para serem um povo separado. Isto se revela no Novo Testamento, geralmente, quando o povo de Deus é chamado de “estrangeiros, peregrinos, forasteiros” no mundo; e especificamente em 2 Coríntios 6, “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial?” E em Tiago 4:4, “Não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus?.

A história recente mostra que a antítese é um conceito Reformado. O livro de James Bratt, Calvinismo Holandês na América, aponta que os Reformadores primitivos colonizadores na América desejaram manter a antítese em suas vidas aqui. Suas tentativas foram extremas, até ao extremo de reivindicar que a preservação de sua língua mãe - o idioma Holandês – deveria ser sustentado pela sua vida antitética. Mas isto aponta para o fato de que o povo de Deus estava preocupado com o ser um povo separado, espiritualmente, sobre viver a antítese.

Que a antítese é nossa herança Reformada foi salientado claramente na advertência que o Sínodo das Igrejas Reformadas Cristãs deu às igrejas na decisão da graça comum em 1924. “Se observarmos as tendências espirituais do tempo presente, não podemos negar que existe muito mais perigo de conformidade ao mundo do que de fuga do mundo. A teologia liberal do tempo presente realmente deseja erradicar o limite entre a igreja e o mundo...A idéia de uma antítese espiritual-moral está enfraquecendo em uma grande medida na consciência de muitos, e abre caminho para um sentimento vago de irmandade geral....A doutrina da graça especial em Cristo é mais e mais deixada em segundo plano...Através da imprensa e de todas as sortes de invenções e descobertas, que em si mesmas devem ser valorizadas como dons de Deus, uma grande parte do mundo pecaminoso está se introduzindo em nossos lares Cristãos. Contra todas estas e outras influências mais perniciosas, que pressionam sobre nós de todos os lados, há uma necessidade clamando para que a igreja monte guarda no principio; que ela...também lute com unhas e dentes pela antítese espiritual-moral...Sem cessar, ela deve apegar-se ao princípio de que o povo de Deus é um povo especial, vivendo a partir de sua própria origem, a origem da fé....E com santa seriedade ela pode chamar...seu povo e especialmente seus jovens para não se conformarem ao mundo” (Bratt, página 115, e a CRC Ata do Sínodo, 1924, pp 146-147.)


A GRAÇA COMUM MINA A ANTÍTESE

A doutrina da graça comum mina a antítese de duas maneiras; primeiro, no fato dela ensinar um amor e favor de Deus para com todos os homens em comum. Se é verdade que Deus tem um favor para com todos os homens, que Deus ama todos os homens, que Deus é amigo de todos os homens, mesmo daqueles que Ele quer enviar para o inferno, mesmo daqueles que estão lutando com unhas e dentes contra o Seu reino (e todos eles estão), não há razão pela qual os filhos de Deus não devem ser amigos do mundo. De fato, dado a doutrina da graça comum, há uma boa permissão para chamar o povo de Deus a serem amigos dos incrédulos, para ter comunhão com homens e mulheres mundanos.

Em segundo lugar, a graça comum ensina que os incrédulos estão envolvidos em obras neste mundo com os quais Deus está satisfeito. Se Deus dá aos incrédulos uma capacidade de fazer uma obra que Lhe agrada, como um fruto de Sua graça (mesmo que esta não seja uma “graça especial”), a conclusão lógica é que, em todos os esforços, o crente é capaz de agir lado a lado com o incrédulo naqueles esforços – na obra de um sindicato trabalhista, na obra de assuntos sociais, na obra de políticas, e até mesmo na educação de seus filhos. Mas de acordo com a verdade bíblica da antítese, isto é impossível porque os objetivos de cada um são diferentes.

A graça comum mina a verdade de que há uma “antítese espiritual-moral” entre crentes e incrédulos, e nega que não haja concórdia entre Cristo e Belial, entre a justiça e a injustiça. A graça comum implica, se não ensina, que o povo de Deus não é mais para ser chamado para sair do meio deles, mas para estar no meio deles.

Historicamente, a antítese tem sido rejeitada sobre a base da graça comum.

Em seu livro Calvinismo Holândes..., James Bratt diz que “contra a antítese, o Jornal levantou a idéia da graça comum...” (página 101).

Henry R. Van Til, ele mesmo um proponente da graça comum, em seu livro “O Conceito Calvinista de Cultura” (1959, Baker), adverte contra o que ele chama de “abuso” da doutrina da graça comum. Ele fala de “um certo nível de existência no qual o exército do Senhor está imobilizado, onde não funciona como um exercício, mas subitamente toma a aparência de multidões de turistas, ou de uma multidão misturada numa feira e empurrando um ao outro para uma posição melhor de se ver. Assim, há estabelecido entre a igreja e o mundo uma área cinza, sem cor, uma tipo de terra de nenhum homem, onde se obtém um cessar fogo e alguém pode se associar com o inimigo com impunidade num espírito Cristão descontraído, fumando a erva daninha comum”.

Uma declaração sinodal da CRC já em 1928 diz, “A questão se levanta: que base de comunhão pode haver entre o filho de Deus e o homem deste mundo? O que eles têm em comum que faz um grau de comunhão possível e legítimo?...A solução é encontrada na doutrina da graça comum...A base de nossa comunhão com os incrédulos deve ser...a graça, comum, que eles têm em comum conosco”. “A base de nossa comunhão com os incrédulos” (ênfase minha, BLG).

E numa edição da The Banner (12 de Dezembro de 1988), uma edição devotada quase inteiramente à questão da antítese, há uma sutil zombaria do ensino histórico da antítese. O crente Reformado se entristece com o ridicularizar da fé de nossos pais, a fé da Sagrada Escritura. O crente Reformado ora para que Deus mostre ao Seu povo a verdade porque, nas gerações vindouras não haverá um chamado para viver numa separação espiritual do mundo.

Façamos um apelo à experiência dos Cristãos Reformados. Quão freqüentemente é ouvido que os filhos de Deus devem ser um povo separado? Quão freqüentemente é feito referência à 2 Coríntios 6? Quando é ouvido que a amizade com o mundo é inimizade contra Deus? Se isto está faltando, uma explicação pode ser que a doutrina da graça comum está viva e ativa, e que a graça comum dos “três pontos” e a antítese estão em divergências.

Nossa defesa da antítese é negar a graça comum, é negar que há um favor de Deus comum a todos os homens, negar que há uma vida comum que compartilhemos por causa da graça comum, e negar, portanto, que tenhamos comunhão com este mundo. Este é o aspecto prático da doutrina da graça comum.

CONCLUSÃO

Um ensino que termina na deposição de três ministros da igreja de Jesus Cristo é um ensino vitalmente importante, um ensino que deve ser examinado, um ensino que não se encontra dormente nos arquivos da igreja.

A graça comum ainda é apelada hoje. Fora da tradição Reformada Holandesa, apelo está sendo feito à graça comum, para que a igreja e o mundo estejam unidos. Dentro da tradição Reformada Holandesa, a graça comum se torna a base inconsciente (às vezes consciente) para o ensino e práticas não reformados.

Nossa oração é que Deus use este ensaio para mostrar que ainda estamos interessados – pelo bem de nossos próximos – nestes assuntos importantes, interessados em aguçar nossos sentidos espirituais para a apreciação da fé Reformada, de forma que possamos permanecer juntos na conservação das verdades da depravação total, da eleição incondicional e da antítese que o povo de Deus é chamado para viver.


Apêndice I 

Graça Comum 

Num encontro Sinodal da Igreja Cristã Reformada (CRC - Christian Reformed Church), iniciado no dia 18 de Junho de 1924 em Kalamazoo (Michigan), depois de grande controvérsia a CRC adotou o que viria ser chamado de “Os Três Pontos da Graça Comum”. Porque alguns líderes dentro da CRC se recusaram a acatar estes “Três Pontos”, eles (com a maioria de seus consistórios) foram suspensos ou depostos de seus cargos. Este foi o começo das Igrejas Protestantes Reformadas na América. Estes ministros, e outros depois deles, escreveram respostas à decisão que foi tomada. Naquela época, e desde então, as Igrejas Protestantes Reformados alertaram que estes “Três Pontos” eram não apenas contrários às Escrituras e às Confissões Reformadas, como também serviam como uma ponte para o mundo e que servira como uma desculpa para introduzir o mundanismo dentro das igrejas.

Nós citaremos os três pontos literalmente:

I. O PRIMEIRO PONTO:

“Em relação ao primeiro ponto, o qual se refere à atitude favorável de Deus em relação à humanidade em geral e não apenas aos eleitos, o Sínodo declara que é procedente, de acordo com a Escritura e as Confissões que, partindo da graça salvífica de Deus apresentada apenas aos que foram eleitos à vida eterna, há também um certo favor ou graça de Deus que Ele apresenta a Suas criaturas em geral. Isto é evidente pelas passagens bíblicas citadas e a partir dos Cânones de Dort II:5 e III-IV:9,8, que lidam com a oferta geral do Evangelho, assim como também aparece em citações tomadas de autores reformados, do mais prolífico período da Teologia Reformada, que nossos escritores do passado favoreciam este ponto de vista.

Prova Bíblica: Sl 145.9; Mt 5.44,45; Lc 6.35-36; At 14.16-17; 1 Tm 4.10; Rm 2.4; Ez 33.11; Ez 18.23”.

II. O SEGUNDO PONTO: 

“Em relação ao segundo ponto, o qual se refere à contenção do pecado na vida dos indivíduos e da comunidade, o Sínodo declara que há esta contenção do pecado, de acordo com as Escrituras e a Confissão. Isto é evidente pelas passagens bíblicas citadas e pela Confissão Holandesa, artigos 13 e 36, que ensinam que Deus, pela operação geral de Seu Espírito, sem regenerar o coração do homem, refreia um desenvolvimento descontrolado do pecado, por isto a vida humana em sociedade continua possível; é evidente também em citações tomadas de autores reformados do mais prolífico período da Teologia Reformada que nossos pais da Reforma eram da mesma opinião.

Prova Bíblica : Sl. 81.11012; Gn 6.3; At 7.42; Rm 1.24; Rm 1.26,28; 2 Ts 2.6-7”

III. O TERCEIRO PONTO:

"Em relação ao terceiro ponto, o qual se refere a questão da justiça civil como executadas pelo não regenerado, o Sínodo declara de acordo com as Escrituras e as Confissões, que o não regenerado, embora incapaz de fazer qualquer bem salvífico, pode fazer o bem civil. Isto é evidente a partir das citações das Escrituras e dos Cânones de Dort, III-IV:4, e a partir da Confissão Holandesa, Art. 36, que ensina que Deus, sem regenerar o coração, influencia o homem para que este seja capaz de realizar o bem civil; assim como também a partir das citações dos escritores Reformados do período mais prolífico da Teologia Reformada que nossos Pais da Reforma dos tempos antigos eram da mesma opinião.

Prova Bíblica: 2 Reis 10:29-30; 2 Reis 12:2; 14:3; Lucas 6:33; Romanos 2:14.


Apêndice II

"PARA REGISTRO..."

Visto que este estudo da graça comum foi feito para a parte final do século 20, embora a controvérsia tenha ocorrido na primeira parte do século (1924), pode ser útil que umas poucas notas de uma natureza histórica sejam inseridas para aqueles que não estão familiarizados com a história. Para um estudo da história, o livro As Igrejas Protestantes Reformadas na América, por Herman Hoeksema (fora de impressão, mas mais prontamente disponível) é o estudo comemorativo do 50º aniversário da PRC, A Fidelidade do Pacto de Deus, editado por Gertrude Hoeksema.

1. Os três pontos da graça comum não se originaram com a PRC, mas foram declarações delineadas pela Igreja Cristã Reformada (CRC).

2. Os ministros envolvidos no debate (que teve o seu clímax no Sínodo de Kalamazoo, em 1924), foram requeridos a subscrever as três declarações do Sínodo. Porque três deles recusaram, foram depostos do ministério da CRC.

3. Estes três homens, Reverendos H. Danhof, H. Hoeksema, e G. Ophoff foram os fundadores das Igrejas Protestantes Reformadas.


Apêndice III

CALVINO SOBRE GRAÇA COMUM

Visto que Calvino carrega um considerável peso com aqueles no campo Reformado, vale à pena ouvir o que Calvino diz sobre o assunto. O que se segue é duas seções de um ensaio do autor, com o título “Calvino e Graça Comum”; um ensaio analizando o livro Calvino sobre Graça Comum de Herman Kuiper e apresentado num Clube de Estudantes reunido no seminário Protestante Reformado em 1980:

Na página 29, Kuiper diz que Clavino (II-2-11,12) implica, embora não expressamente, que aqueles que possuem a fé miraculosa são recipientes da divina graça, de um caráter não salvador. Este parece ser o caso, e Calvino usa uma linguagem que soa como a graça comum. Ele fala da “presente misericórdia...uma percepção presente de Sua graça que mais tarde desaparece...Deus ilumina o réprobo com alguns raios de luz de Sua graça que mais tarde desaparecem....Deus ilumina a mente para que eles descubram a Sua graça”. Para entender estas declarações, devemos ler mais adiante, como este proponente da graça comum não faz.

Calvino explica isto desta forma: Para alguns réprobos Deus dá uma semente de fé, (neste caso, uma fé miraculosa) mas Ele “não infunde vida nesta semente que Ele coloca em seus corações” (Institutas, III,212). “Não que eles verdadeiramente percebam a energia da graça espiritual e a clara luz da fé, mas porque o Senhor, para fazer a culpa deles mais manifesta e inescusável, insinua a Si mesmo em suas mentes” (III, 2,11). Os réprobos são similares aos eleitos, “somente na opinião deles”, mas não aos olhos de Deus.

Impressionantemente, Calvino diz que qualquer graça ou fé atribuída aos réprobos é somente “por catecresis [NT: um jargão dos especialistas em gramática para o uso de uma palavra num sentido errado] , uma forma de expressão tropical ou imprópria; somente porque eles...exibiram alguma aparência de obediência dela” (III,2,9). Ele diz que esta fé ou graça são somente uma sombra ou imagem da fé e graça, e não sem importância, indignas até mesmo do nome. Ele a chama de comum somente “porque há uma grande semelhança e afinidade entre a fé temporal e aquele que é viva e perpétua”. Ele chama a graça comum deles somente “porque eles parecem, sob o disfarce de hipocrisia, ter o princípio de fé em comum com” (III,2,11) os eleitos, a verdadeira fé e, portanto, a verdadeira graça.

Tivesse esta controvérsia sobre a graça comum sido um assunto em seus dias, podemos estar certos de que Calvino teria enfatizado ainda mais que, quando ele falou da graça comum, era somente por catecresis: uma forma de expressão imprópria.

Aqueles que apelam a Calvino para sustentar a graça comum olham para os três pontos de 1924 como a base de sua definição de graça comum. Mas a graça comum de Calvino não tem nada a ver com esta do tempo presente. Concernente ao primeiro ponto, que Deus tem uma atitude favorável para com toda a humanidade, especialmente na oferta do evangelho, Calvino tem muito a dizer. Em conexão com os bondosos dons de Deus como uma “atitude favorável”, Calvino diz:

De onde vem, pois, que Deus faça sair Seu sol não menos sobre os maus do que sobre os bons (Mateus 5:45), mas que além do mais exerça Sua inestimável liberalidade dado-nos com toda abundância tudo quanto necessitamos nesta vida presente? Por isto vemos que as coisas que são próprias de Cristo e de Seus membros se estendem também em parte aos ímpios....para que sejam mais inescusáveis (III,25,9).

Concernente a “oferta do evangelho” Calvino tem algo a dizer. Mas primeiro, deve ser notado que Calvino escreveu suas Institutas em latim. A palavra traduzida por “oferta” no inglês é, não surpreendentemente, offere no latim. Mas esta palavra não tem necessariamente as mesmas conotações que tem no inglês hoje. A palavra offere primariamente significa “apresentear, trazer para, levar adiante, mostrar, exibir”. Nossa palavra oferta [NT: offer em inglês] tem conotações mais amplas e implica a capacidade de aceitar ou rejeitar, bem como o desejo da parte de Deus de que a oferta seja aceita. Calvino diz isto (o que é omitido pelo Dr. Kuiper):

Porque o Senhor, ao prometer isto não quer dizer outra coisa senão que Sua misericórdia se oferece a todos quantos a buscam e pedem Seu favor; o qual, contudo, não fazem senão aqueles a quem Ele iluminou. Agora bem, Ele ilumina a quem predestinou para a salvação (III,24,17).

Isto é, a misericórdia de Deus é oferecida na pregação somente àqueles que Ele predestinou para salvação!

Qual o propósito, então, servido pelas exortações? É este: À medida que os ímpios, com o coração obstinado, as despreza, elas serão um testemunho contra eles quando comparecerem no trono do juízo de Deus; para que elas (as exortações da palavra: BG) possam mesmo agora golpear e fustigar suas consciências (II,5,10).

Quando a misericórdia de Deus é oferecida pelo evangelho (lembre-se, “oferta” é “offere”, apresentar, expor; BG), é a fé, isto é, a iluminação de Deus, que distingue entre o piedoso e o ímpio; de forma que o primeiro experimenta a eficácia do evangelho, mas o último não deriva nenhum benefício dele (III,24,17).

Deus deseja a salvação somente dos Seus eleitos, e Calvino nunca ensinou que qualquer favor proceda para o ímpio na pregação.

Calvino escreveu muito pouco sobre o segundo ponto. Ele escreve somente que Deus refreia os feitos exteriores do ímpio, mas nunca diz que Deus faça isto em Seu favor para com eles, bem que Ele restrinja a corrupção do coração para que o bem no homem natural possa emergir.

O terceiro ponto, que pela obra do Espírito o não regenerado é capaz de fazer o bem civil, é um violento contraste com o que Calvino diz. Primeiro, Calvino reivindica que não temos nada do Espírito, exceto pela regeneração (III,3,1). Isto permanece em contradição ao que o terceiro ponto declara.

Em segundo lugar, Calvino diz que podemos tentar extrair óleo de uma pedra da mesma forma que esperar boas obras de um pecador (III,15,7).

Concernente às obras dos homens ímpios que são aparentemente boas, Calvino também tem algo para dizer. Comentando sobre uma passagem de Agostinho, Calvino escreve: “Aqui ele declara, sem qualquer obscuridade, ao que tão ardorosamente nos contentamos – que a justiça das boas obras dependem de sua aceitação pela Divina misericórdia” (III,18,15).

Finalmente, Calvino diz:

Isto sendo admitido, é coisa indiscutível que o homem carece do livre arbítrio para as boas obras, a menos que seja assistido pela graça, uma graça especial que é concedida somente aos eleitos, na regeneração; pois deixo de lado aqueles fanáticos que pretendem que a graça se oferece igualmente e indiscriminadamente a todos (II,2,6; veja também II,2:13 & 18; e III,15,7).

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Fonte: www.monergismo.com
Tradução livre: Felipe Sabino de Araújo Neto
Cuiabá-MT, 02 de Março de 2004.

John MacArthur
A doutrina da eleição é uma doutrina perturbadora para muitas pessoas. Ela é retratada e apresentada dessa maneira como se de alguma forma questionasse a bondade de Deus, a graça de Deus. De fato, há declarações literalmente chocantes feitas sobre esta doutrina por evangélicos proeminentes. Por exemplo, o conhecido Tim LaHaye que faz parte da série Deixados Para Trás e de muitos outros livros, diz "Para sugerir que o Deus misericordioso, longânimo, gracioso e amoroso da Bíblia inventaria uma terrível doutrina como esta - predestinação - que nos faria acreditar que é um ato de graça selecionar certas pessoas para o céu e por exclusão outras para o inferno, chega perigosamente perto de blasfêmia." Estas são declarações que estes senhores têm impresso em livros.
Arno Froese de outro ministério escreve "A teologia falha da pré-seleção -" ele chama "- é uma tentativa de eliminar a capacidade do homem de exercer seu livre arbítrio o que reduz o amor soberano de Deus a um ato de mero ditador".
Outro pastor autor e professor de rádio diz "Esta doutrina faz com que nosso Pai Celestial pareça o pior dos déspotas".
Outro, um presidente da Texas Holiness University diz "Esta doutrina é o esquema de teologia mais irracional, incongruente, autocontraditório, despreciativo do homem e desonroso a Deus que já apareceu no pensamento cristão. Ninguém pode aceitar suas proposições contraditórias mutuamente exclusivas, sem auto-debilidade intelectual. Ela sustenta que Deus é um tirano egocêntrico, egoísta, sem coração e sem remorsos para e que nos ordena a adorá-lo".
Um pastor da Capela do Calvário escreve, "O Calvinismo de Cinco Pontos -" que naturalmente incluiria a doutrina da eleição"- faz de Deus um monstro que eternamente tortura crianças inocentes. Ele remove a esperança de consolo do evangelho. Limita a obra expiatória de Cristo. Resiste ao evangelismo. Isso estimula a argumentação e a divisão e promove um Deus pequeno, irritado, e crítico, em vez do Deus de grande coração da Bíblia ".
Outro diz, "Dizer que Deus escolhe soberanamente quem será salvo, é a coisa mais retorcida que já li, que faz de Deus um monstro não melhor do que um ídolo pagão".
Outro site de estudantes de teologia no Canadá diz, "Esta doutrina torna Deus um monstro diabólico e reduz o homem, que foi criado à imagem de Deus, a um mero robô".
E Dave Hunt que muitos de vocês sabem que escreveu tantos livros úteis diz, "A falsa representação de Deus sobre esta doutrina fez com que muitos se afastassem do Deus da Bíblia como de um monstro".
Agora, a palavra operativa em tudo isso parece ser "monstro". Que de alguma forma essa doutrina de eleição transforma Deus em um monstro. Agora, estas são declarações bastante severas sobre esta doutrina, mas elas representam uma grande porção do mundo evangélico. E não estamos falando de analfabetos. Não estamos falando sobre aqueles que têm apenas um conhecimento limitado. Estamos falando de pessoas que são líderes de ministério, pastores e escritores. E, no entanto, essa doutrina é ensinada nas escrituras.
A noção penetrante desses céticos e críticos desta doutrina, é que de alguma forma a eleição é injusta. De alguma forma é injusta. Mas antes de tudo queremos deixar bem claro que Deus não deve ser medido pela nossa compreensão do que é justo. Nós temos que ser os primeiros a admitir que nossa compreensão de praticamente tudo é de alguma forma distorcida, deformada e afetada por nossa própria pecaminosidade.
No Salmo 50:21 Deus disse, "pensavas que eu era teu igual." E certamente ele não é. Em Isaías 55:8, "Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o SENHOR, porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos." Deus tem caminhos e pensamentos que são para nós incompreensíveis, insolúveis, inescrutáveis.
Há uma grande bênção no capítulo 11 da carta de Paulo aos Romanos na qual ele diz isto, versículos 33 a 36. "Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro?" Quem poderia saber como Deus pensa? Quem poderia ser tão ousado para dizer a Deus como ele deveria pensar? "Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!"
É uma compreensão essencial de Deus que ele é santo, que sua natureza é santa, que ele é infinitamente e perfeitamente justo, que ele é moralmente sem defeito e perfeito, que ele é a perfeição. Tudo nele, e dele, e para ele, que vem dele, e por ele é perfeito. E assim tudo o que ele diz é justo, é o que é a justiça.
Qual é a regra da justiça de Deus? Qual é o princípio da justiça de Deus? O que está por trás de seus julgamentos? O que está por trás disso é o seu próprio livre-arbítrio e absolutamente nada mais. Deus faz determinações baseadas em nada além do que seu próprio livre-arbítrio. E tudo o que ele quer é por definição apenas porque ele é justo. É só porque ele quer. Não é porque ele vê que é apenas que ele quer, é que ele quer e depois se torna justo.
William Perkins um puritano disse, "Não devemos pensar que Deus faz uma coisa porque é boa e correta, mas a coisa é boa e correta porque Deus a faz." O Criador não deve nada à criatura, que não pode entender seus caminhos, não pode entender sua mente, não pode ser seu conselheiro. E de qualquer forma como poderia Deus ser chamado de "injusto" por escolher salvar alguns porque não há quem mereça ser salvo?
Salvação nunca foi uma questão de justiça. E ainda assim é o que as pessoas dizem. "Isso não é justo. Isso não é justo." Mas eu não acho que você queira justiça, não é mesmo? A eleição está enraizada na graça pura. Ele é muito gracioso e parece que ele é mais gracioso para aqueles a quem a graça parece mais imerecida. Não há muitos poderosos, não há muitos nobres. Volte para 1 Coríntios capítulo 1, e esse é um bom lugar para começar 1 Coríntios capítulo 1.
Eu não tinha a intenção de começar aqui, mas enquanto eu estava sentado lá cantando, esta passagem pulou em minha mente. E em 1 Coríntios 1:26 lemos isso, "Irmãos, reparai, pois, na vossa vocação" que é seu chamando divino para a salvação, o chamado de salvação eficaz de Deus. "Irmãos, reparai, pois, na vossa vocação; visto que não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento; pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus".
Quando Deus faz a sua escolha, quando ele é bondoso para com quem será misericordioso, e misericordioso com quem ele será misericordioso, parece que sua graça se inclina para o mais indigno de todos, para que ninguém pudesse se vangloriar. O versículo 30 diz, "Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção, para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor".
Quando chegamos ao povo que crê na mensagem do Novo Testamento, eles são os pobres, os proscritos, os ignóbeis, os fracos, as meretrizes, as prostitutas e os cobradores de impostos. E Deus passa pelos poderosos, pelos nobres, pelos religiosos e os mais educados. Há poucos. A salvação não é uma questão de justiça é uma questão de pura graça. E Deus escolheu dar essa graça àqueles a quem pode parecer mais injusto.
Mas não podemos estar lutando com essas coisas intelectualmente como se houvesse alguma resposta em nossa razão. Devemos nos chegar à Palavra de Deus e devemos olhar para o que a escritura diz, para revelar a verdade desta doutrina. Não devemos deixar que esta doutrina se torne vítima de nossas mentes corrompidas, pecaminosas, e de nossos raciocínios egocêntricos e orgulhosos.
E assim, como qualquer outra verdade bíblica, simplesmente abrimos a Bíblia e nos submetemos ao que ela diz. E porque é doloroso não muda nada. O inferno é uma doutrina muito dolorosa que não muda nada. E embora possa ser difícil para nós compreender isso, pode ser para nossas mentes fracas e manchadas pelo pecado menos do que o que poderíamos pensar que é justo, colocamos tudo isso de lado e nos submetemos à Palavra de Deus.
Agora, algumas pessoas pensam que esta doutrina de eleição é de alguma forma estranha a Deus e de algum modo estranha aos seus propósitos no mundo. Mas isso certamente não é verdade. Não é como se de alguma forma a doutrina do tipo eleitoral tivesse saltado do Novo Testamento nunca tendo aparecido no Antigo Testamento. Afinal de contas, claramente, de todas as pessoas no mundo, Deus escolheu Israel. De todas as pessoas do mundo Deus escolheu Abraão e o tirou de Ur dos caldeus e o fez pai de uma grande nação. É por isso que Israel é chamado Salmo 105:43 "seus escolhidos." O Salmo 135:4 diz, "Porque o Senhor escolheu a Jacó para si mesmo".
Deuteronômio 7:6 e 14:2 diz "O Senhor teu Deus te escolheu para ser povo de sua possessão dentre todos os povos que estão sobre a face da terra." E Deus disse que não era porque vocês eram melhores do que qualquer outra pessoa, não era porque vocês eram mais atraentes do que qualquer outra pessoa. Deus disse que é porque eu de livre e espontânea vontade prefiro estabelecer meu amor sobre vocês e por nenhuma outra razão. Israel meu eleito. Deus os chama.
Você entra no Novo Testamento e você tem o mesmo tipo de linguagem. A igreja é chamada "os eleitos os escolhidos". E este não é um termo isolado em referência à igreja. É repetido. Em Mateus capítulo 24, naquele discurso do Monte das Oliveiras, onde nosso Senhor está falando sobre a segunda vinda, ele diz "Não tivessem aqueles dias sido abreviados, ninguém seria salvo; mas, por causa dos escolhidos, tais dias serão abreviados". Lá é um substantivo, ali é um substantivo, ali é um termo que descreve os crentes, eles são, "os eleitos os chamados." Significa "os escolhidos, os selecionados" por causa dos eleitos.
Dois versículos mais adiante, no versículo 24, "porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos." Eles não são chamados de "crentes" eles não são chamados de "cristãos" eles são chamados "os eleitos." E no versículo 31, "ele enviará os seus anjos" quando o Senhor vier, quando ele aparecer no céu “com grande clamor de trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos". Eleitos por ele. Essa é uma designação para o povo de Deus.
Em Lucas 18:6 o Senhor diz "Então, disse o Senhor: Considerai no que diz este juiz iníquo. Não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que a ele clamam dia e noite?" Novamente os crentes são chamados “Seus eleitos, escolhidos, selecionado."
Em Romanos 8 - de volta a esta maravilhosa epístola de Romanos e 8:33. Aqueles de nós que são salvos, aqueles de nós que são crentes na família de Deus, que foram redimidos, regenerados, reconciliados, agora pertencemos a Deus. Fomos declarados justos. A justiça de Deus tem sido imputada a nós pela fé em Cristo. E o versículo 33 diz, "Quem acusará os eleitos de Deus?" Deus é quem justifica e se Deus declara que somos justos diante dele, ninguém pode com êxito acusar seus eleitos. Novamente a igreja é chamada "os eleitos". Em cada caso das duas últimas passagens, eleitos de Deus, seus eleitos. Não é que nós elegemos é que ele elegeu. Em Colossenses 3:12. "E assim -" Paulo escreve "- como aqueles que foram escolhidos por Deus." Como aqueles que foram escolhidos por Deus. Literalmente "os eleitos de Deus".
Os crentes, então, são pessoas a quem Deus escolheu para pertencer a ele. E no Antigo Testamento, reconhecidamente, era uma nação de pessoas na terra, um povo temporal. E no Novo Testamento os eleitos são um povo espiritual. O Novo Testamento é apenas preenchido com esse ensinamento inescapável. Em João capítulo 15 - e temos de cobrir o terreno para estabelecer a clareza e a amplitude desta designação - mas em João 15:16 Jesus diz aos discípulos "Não me escolhestes, mas eu vos escolhi".
Eu não sei como poderia ser dito mais claro do que isso. "Você não me escolheu, mas eu escolhi você." No capítulo 17 do evangelho de João, no versículo 9 - e voltaremos a esse conceito mais tarde, mas em 17:9 lemos isso. Jesus nesta grande oração sacerdotal está no Santo dos Santos da Trindade onde o Filho tem comunhão com o Pai. E ele diz "É por eles que eu rogo" ele está orando pelos seus "não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste" ouça isto "- porque são teus”. Eles são Teus. Eles pertencem a Ti, Tu os escolheste, Tu os deste a mim.
No capítulo 13 do livro de Atos, novamente a linguagem é inequívoca. Em Atos 13:48 para aqueles que resistem a esta doutrina aqui está um versículo muito difícil de engolir. Paulo e Barnabé estavam pregando e diz no versículo 48 "Os gentios, ouvindo isto" ouviram a mensagem sobre a salvação "regozijavam-se e glorificavam a palavra do Senhor” e ouça isto "e creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna" fizeram o quê? "creram." Todos os que foram designados para a vida eterna creram.
Volte para o capítulo 9 de Romanos. Esta passagem novamente forte e inconfundível capítulo 9 de Romanos. E você poderia realmente começar com os gêmeos no versículo 11 Jacó e Esaú. "E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras" como eles poderiam fazer qualquer obra? Eles não tinham nascido. "mas por aquele que chama), já fora dito a ela," isto é, Rebecca a mãe dos gêmeos "O mais velho será servo do mais moço. Como está escrito: Amei Jacó, porém me aborreci de Esaú."
Uau. Antes de terem nascido antes, de terem feito alguma coisa boa ou má, só por causa do propósito de Deus, segundo sua escolha - ele é quem chama - ele determinou que o mais velho serviria ao mais jovem. Jacó ele amou, Esaú ele odiou. Você diz "Rapaz, isso é bastante claro." Absolutamente claro. Deus fez essa escolha antes que eles nascessem.
No versículo 14 nos identificamos, não é mesmo? "Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus?" Isso não parece justo. Ele diz, "De modo nenhum!" mē genoito no grego. Não, não, não. É impensável. Isto não é nada novo para Deus, fazer este tipo de escolha entre dois. Isso não é novidade, pois ele diz a Moisés "Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão".
“Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia”. Ou seja, a escolha de Deus não depende da vontade do homem, mas de Deus. E o versículo 18 diz, "Logo, tem ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz". Inescapável, absolutamente inescapável.
Em Romanos 11:4, enquanto continuamos a examinar a literatura, em Romanos 11:4 lemos o seguinte. Ele está apenas falando sobre Elias o profeta que pensava que ele era o único que restava, e Deus diz, "Reservei para mim sete mil homens, que não dobraram os joelhos diante de Baal." Você não está sozinho. São sete mil fiéis. E em seguida o versículo 5 diz, "Assim, pois, também agora, no tempo de hoje, sobrevive um remanescente", ouça isto, um remanescente de judeus crentes no presente quando Paulo está escrevendo isto, "segundo a eleição" do quê? "da graça." De acordo com a graciosa escolha de Deus.
Em 1 Pedro 1:1. "Pedro, apóstolo de Jesus Cristo" 1 Pedro 1:1 "aos eleitos que são forasteiros" com certeza porque eles são crentes, e portanto, são estrangeiros no mundo "a Dispersão no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia" ouçam isto, "eleitos." Eleitos.
Ao ler as epístolas do Novo Testamento, o que significa que você está basicamente começando depois do livro de Atos, com o livro de Romanos, ao passar por todas as epístolas até o livro do Apocalipse, toda vez que você vê o Palavra "chamar" ou "chamado" refere-se à escolha soberana de Deus para chamar alguém para a salvação. Os chamados são aqueles que são efetivamente chamados, não apenas um chamado geral como na declaração do evangelho "Muitos são chamados, mas poucos são escolhidos". Sempre que o chamado é identificado nas epístolas é um chamado eficaz. 1 Coríntios 1:9. "Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor". Nós somos os escolhidos, os predestinados, e, portanto, os chamados.
Em Efésios capítulo 1 continuamos. Em Efésios 1:3. "Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo". Como é isso? Como é que fomos abençoados com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo? Versículo 4. "assim como nos escolheu nele" que está em Cristo "antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele”. Ele nos escolheu antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele no final, quando formos glorificados. "nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo" ouça isto, "segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado."
Toda essa linguagem lá diz que somos escolhidos, somos escolhidos para a santidade final e irrepreensível. No amor, fomos predestinados a ser adotados como filhos através de Cristo. Tudo isso por causa da intenção bondosa do próprio livre arbítrio de Deus para que no final todo o louvor e a glória lhe sejam devidos pela graça que nos foi concedida gratuitamente.
Em 1 Tessalonicenses 1:4, Paulo escreve para a igreja de Tessalonicenses, e ouça como ele os identifica, "reconhecendo, irmãos" e como ele sabe? Bom, versículo 3, "Eu vi sua obra de fé eu vi seu trabalho de amor eu vi a firmeza de sua esperança em nosso Senhor Jesus Cristo na presença de nosso Deus e Pai e reconhecendo irmãos", por tudo isso, "amados de Deus, a vossa eleição", Você é um eleito. Vocês são os eleitos. É evidente em sua vida.
E um outro texto, 2 Tessalonicenses 2:13. 2 Tessalonicenses 2:13. E Paulo novamente diz aos tessalonicenses, "Devemos sempre dar graças a Deus por vós". Você não agradece à pessoa por ser inteligente o suficiente para vir a Jesus, você agradece a Deus. "devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade".
Não haveria capacidade para uma pessoa ser santificada, e a santificação começa no ponto da salvação, separada do pecado. Não haveria esperança de santificação ou qualquer esperança de fé, na verdade, a menos que Deus tivesse escolhido você desde o princípio, para a salvação. E porque ele escolheu a você, o versículo 14 diz, "para o que" esta santificação, esta fé na verdade, “também vos chamou mediante o nosso evangelho, para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo”. Esta linguagem é consistente. "Ele vos escolheu antes da fundação do mundo para que fôsseis semelhantes a Cristo." "Ele vos escolheu para que fôsseis irrepreensíveis e santos." "Ele vos escolheu para que estardes na presença de sua glória". Escolheu você para ganhar a própria glória do Senhor Jesus Cristo. Ele escolheu você para que você carregasse sua imagem no céu.
Ele escolheu você no passado, ele chamou você mediante um poderoso chamado eficaz, que o despertou dos mortos e lhe concedeu um entendimento claro do evangelho, no dom da fé salvadora.
Agora não há nenhuma maneira que você possa concluir de que isso é uma idéia ambígua, certo? Isso não está em dúvida na Bíblia. E eu tenho dito isso muitas vezes - porque eu respondi a essa pergunta inúmeras vezes na minha vida. Eu discuti isso. Eu discuti isso. Fiz isso em particular e até publicamente. E eu tenho dito muitas vezes que se você acredita na Bíblia você acredita na predestinação. Se você acredita na Bíblia você acredita em Deus escolhendo quem seria salvo. Se você acredita na Bíblia você acredita que Deus determinou quem seria salvo e determinou que aquela salvação chegaria à sua conclusão final quando eles fossem glorificados no céu. Se você acredita na Bíblia você acredita que Deus efetivamente chama aqueles que ele escolhe e lhes concede fé. E, contudo, com toda essa clareza as pessoas ainda resistem a esta doutrina.
Olhe para Romanos 9. E eu quero que você saiba como Deus lida com isso. Isso é tão bom. Volte para onde paramos, no versículo 18, falando sobre Jacó e Esaú, e como Deus determinou isso antes deles nascerem. E então no versículo 19 o oponente imaginário que ajuda Paulo a argumentar consigo mesmo e continuar a esclarecer seu ensinamento.
Seu oponente imaginário diz, "Tu, porém, me dirás: De que se queixa ele ainda? Pois quem jamais resistiu à sua vontade?" Quer dizer, se tudo isso é cortado e seco, certo, se tudo isso for determinado pela escolha divina antes de qualquer um ter nascido, se isto é Deus sendo misericordioso com quem ele será misericordioso, e tendo compaixão de quem ele terá compaixão, se isso não é sobre o homem que quer ou o homem que corre, se isso é tudo sobre Deus, então, como ele pode achar defeito em alguém? Como você pode me culpar se eu não creio? Como eu devo resistir à sua soberana e eterna vontade?
Essa é uma resposta bastante razoável, você não acha? E este é o assunto que as pessoas sempre sufocam na doutrina da eleição. E Paulo antecipou isso. Você vai dizer, "Isso não é justo porque senão você não pode me condenar ao inferno. Você não pode me enganar. Como vou resistir à sua vontade?" Versículo 20 dá uma resposta surpreendente, "Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?!" Feche a boca. Isso não esclarece nada. Quem você pensa que é? Você está acusando Deus de punição injusta dos pecadores? Você está acusando Deus de condenação injusta? Você está acusando Deus do mal? É melhor fechar a boca antes de dizer qualquer outra coisa.
E a ilustração é incrível. "Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim?" Quando um oleiro faz um pote, o pote não fala. O pote não diz, "Bem eu não quero ser desta forma me faça de outra forma. Isso não é justo. Eu gosto de ser como este pote ou aquele pote ou o outro pote." Versículo 21. "Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para desonra?" Isso é incrível.
Não se atreva a questionar Deus. Deus é o oleiro você é o barro. O barro está muito abaixo do oleiro. É sujeira inanimada. Não tem o direito de nem mesmo ter a ideia de falar com o oleiro. E tão vasto quanto o abismo, assim é entre o vaso e o oleiro, e ainda mais vasto é o abismo entre você e Deus. O oleiro, versículo 21, ele não tem direito sobre o barro para torná-lo da maneira que ele quer fazê-lo?
E então, o versículo 22, realmente muito, muito poderoso. "Que diremos," ou se pudéssemos dizer isso, "se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição". E se Deus quiser demonstrar sua ira? Ele não tem o direito de demonstrar sua ira? Isso não é parte de sua glória? Ele não pode colocar sua ira em exibição? Ele é Deus. Não pode Deus fazer seu poder conhecido em seu julgamento em sua ira em sua condenação?
Sim ele pode. Mas observe como o versículo 22 termina. Tornam-se em verbos passivos. Nunca diz que Deus criou recipientes preparados para a destruição, que é a dupla predestinação, e a Bíblia não ensina isso. Diz que "suportou com muita paciência vasos de ira" passivo "preparados para a destruição." Não que ele preparou para a destruição. Deus não lendo a lista de seres humanos para virem e dizer "Ok, você vai para o céu, e você vai para o inferno, e vocês três vão para o inferno, e vocês vão para o céu, e vocês vão para o inferno, vocês aí vão para o céu."
A Bíblia não ensina isso. A Bíblia ensina que todos os homens estão indo para o inferno. E Deus escolheu resgatar alguns e suportou os outros que se encaminham desse modo não por causa de algo que Deus fez, não por causa de um decreto que Deus fez individualmente para eles, mas porque eles continuam em seus pecados e são completamente culpados. Deus tem todo o direito de demonstrar sua ira e ele é tanto glorificado em sua ira como ele é em sua misericórdia.
E o versículo 23 diz "a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia." E aqui os verbos são ativos. Ele faz os vasos de misericórdia, ele suporta aqueles que são destinados para a destruição. Deus é ativo na redenção. Ele é passivo na reprovação.
Em Apocalipse 19 nos é dito que o Senhor Deus reina. Você sabe, nós ouvimos isso e pensamos em uma canção, você sabe, "O Senhor Deus reina, o Senhor, reina". Eu não sei se nós ainda sabemos do que estamos falando quando dizemos isso. O que isso significa? Isso significa que ele toma todas as decisões que foram tomadas essencialmente sobre tudo. Ele reina. Como o Altíssimo, ele governa nos exércitos do céu e ninguém pode erguer a mão ou dizer-lhe "O que você está fazendo?" Ele faz todas as coisas segundo o conselho de sua própria vontade.
Ele é o oleiro celestial que se apodera de nossa humanidade caída como um pedaço de argila, e daí ele nos transforma em vasos de honra e ele suporta aqueles que se transformam em vasos de desonra. Ele é o que decide e o determinante do destino de cada pessoa, o controlador de cada detalhe da vida de cada indivíduo. Que é apenas outra maneira de dizer que Deus é Deus. E eu vou lhe dizer o que é realmente repugnante para mim é uma espécie de ideia de que Deus está sendo constantemente superado por Satanás. Isso é blasfêmia.
Mas essa doutrina de eleição não é fácil de aceitar. Alguns de vocês estão sentindo um pouco de dor em sua mente agora. Esta doutrina machuca um pouco. Na verdade, se eu posso fazer você se sentir um pouco melhor é tão doloroso que a única razão que alguém acredita nisso é porque está na Bíblia. Nós simplesmente não a inventaríamos. Nenhum homem, nenhuma quantidade de homens, nenhum comitê chegaria a isso. Nós nunca chegaríamos a uma doutrina do inferno eterno, sequer, porque estas são coisas que estão em conflito com os ditames da mente carnal. Elas são repugnantes aos sentimentos do coração carnal.
Veja, eu não entendo a Trindade isso não significa que não seja verdade. Não consigo compreender a Trindade. Eu não sei o que significa ser três pessoas e ainda uma. Não consigo compreender o nascimento virginal. Isso é incompreensível. Não consigo compreender o caráter de Cristo, sua natureza. Há tantas coisas que eu não consigo entender. Há tantas coisas que são incompreensíveis para mim, mas eu creio nelas porque elas são reveladas nas escrituras. E eu nem me importo com alguma tensão aqui. Eu nem sequer me importo com o fato de que a Bíblia também diz, "Quem quiser" a Bíblia também diz que, "Jesus chorou sobre Jerusalém e disse, Contudo, não quereis vir a mim para terdes vida".
Você diz, "Bom, o que é tudo isso?" Isso é simplesmente está dizendo que qualquer um que venha, pode vir, e quem quer que venha será recebido. Você diz, "Como isso funciona junto com a eleição?" Eu não sei. Mas você não está confortado pelo fato de que eu não sei, porque se minha mente fosse como a mente de Deus isso seria horrível.
Há tantas coisas que eu não sei. Se eu lhe fizer uma pergunta muito simples. Se eu disser a você "Quem escreveu o livro de Romanos?" O que você vai dizer? Nem sequer pode dizer isso, pode? Você vê, eu ouvi alguns fracos "Paulo." E então você está de repente sustentando isso porque você sabe que não é a resposta completa, certo? Você diz, "Bom, o Espírito Santo escreveu." Bom, foi Paulo ou o Espírito Santo? Foram os dois. O que isso significa? Paulo escreveu um versículo, o Espírito Santo escreveu outro versículo, Paulo escreveu um versículo o Espírito Santo escreveu outro versículo? Como entendemos isso?
Você diz, "Todas palavras estão fora da mente de Paulo? Cada palavra fora do vocabulário ou Paulo? Cada palavra do seu coração?" Absolutamente. Mas também cada palavra veio do Espírito Santo. Como pode ser? Isso é incompreensível e inescrutável para mim.
Posso fazer-lhe outra pergunta, já que você se saiu tão bem nessa. Jesus era Deus ou homem? Sim. A resposta certa é sim. Mas como você poderia ser 100 por cento Deus e 100 por cento homem? Você não pode ser 200 por cento de alguma coisa? Como você pode ser todo homem e todo Deus? Isso está além da nossa compreensão. Quando dizemos 100 por cento de algo é isso que é. Mas se você é totalmente homem então você não pode ser completamente Deus. Se você é completamente Deus você não pode ser plenamente homem e ainda assim ele era. Quer dizer, isso simplesmente continua assim.
Se eu lhe fizer uma outra pergunta simples. Quem vive sua vida cristã o que você vai dizer? Vamos lá, você tem que fazer isso todos os dias. Quem vive a sua vida cristã? Você diz "Eu vivo." Realmente. Realmente você a vive? Você diz, "Não eu não." Você diz, "É Cristo quem faz isso." Então vamos jogar toda culpa sobre ele? Quer dizer não podemos dar-lhe o crédito e não podemos dar-lhe a culpa por isso temos um problema aqui.
Vocês sabem, havia os pietistas que diziam, "Vou bater em meu corpo e me disciplinar e vou viver minha vida cristã". E então havia os quietistas, você sabe, como os Quakers que disseram "Deixe assim e deixe com Deus" E eles simplesmente entraram no modo passivo, você sabe. E o movimento de Keswick saiu daquilo, e da vida crucificada, e de todo esse tipo de estranhas visões quietistas. Quem é que vive sua vida cristã?
Você diz, "Bom, se há alguma coisa errada sou eu, tudo que for certo é ele." E eles dizem que é um mistério inconcebível. O apóstolo Paulo disse a respeito disso, ele disse, "Eu estou crucificado com Cristo" Gálatas 2:20 "logo, já não sou eu quem vive." Veem ele também não sabia. John Murray disse há muitos anos que em cada grande doutrina da Bíblia há um aparente paradoxo. Há um paradoxo não resolvido que é transcendente. E isso significa que Deus é Deus e o fato de que há tantos desses nas escrituras, significa que a escritura não foi escrita por homens. Eu conheço os editores, eles consertam coisas assim.
Então porque nós acreditamos que Jesus é Deus não significa que não acreditamos que ele é homem. Porque acreditamos que ele nasceu de uma mãe humana, não significa que não cremos que ele nasceu de Deus. Porque devemos perseverar em nossa fé, não significa que não estamos seguros. Porque a Bíblia foi escrita por autores humanos, não significa que não acreditamos que não foi escrita pelo Espírito Santo.
Porque temos de nos disciplinar para viver a vida cristã, não significa que não cremos que não é Cristo em nós. E porque acreditamos na doutrina da eleição, não significa que não acreditamos na responsabilidade humana. Estes são paradoxos aparentes que não podemos resolver. Mas o perigo é que você destrói a verdade e cria um meio-termo racionalista. Isso é perigoso.
Assim o ensinamento inconfundível da escritura é a doutrina da eleição. Até mesmo a presciência de que Pedro fala - 1 Pedro 1 - a presciência, eleitos, segundo a presciência de Deus, veja só por um minuto. Eu vou terminar isso aqui e seguiremos no resto disto no próximo domingo à noite. Mas em 1 Pedro 1:1 ele diz que fomos escolhidos "os eleitos". E então no versículo 2, "De acordo com a presciência de Deus". Eles dizem "Ah, é isso. Essa é a chave ali. De acordo com a presciência de Deus." E imediatamente eles vão dizer, "O que isso significa? Isso significa que Deus sabe o que você vai fazer certo? Antes que você o faça, presciência."
E Deus, na eternidade passada, porque ele sabe de tudo o que vai acontecer, olhou para os anais da história e disse, "Ah, eu vejo o que vai acontecer, que John MacArthur ele vai nascer nessa família cristã, e Uh-huh ele vai ouvir o evangelho, e ele vai crer no evangelho, assim eu vou escolher ele." Você acha isso estranho? Isso é o que a maioria dos cristãos acreditam. Isso é o que a maioria dos cristãos acreditam e ensinam.
Mas isso é como a previsão sobre o que as pessoas farão. Agora, o problema com isso é como esses pecadores mortos vão ressuscitar e fazer isso sem ajuda de Deus? Você responde a essa pergunta. Como os que são totalmente depravados, totalmente cegos, totalmente mortos, vão chegar ao lugar onde tomam a decisão pela salvação? Como eles vão fazer isso?
Não podem fazer isso. "O leopardo pode mudar suas manchas? O etíope pode mudar sua pele? Nem você pode fazer o bem sendo mau." Como isso vai acontecer? Se Deus apenas olha para baixo e vê quem vai tomar a decisão, então sua eleição não é baseada em seu próprio livre arbítrio, é baseada em seus méritos, certo? É baseada em seu mérito. Os caras bons vão me escolher, e assim eu vou escolhê-los.
Isso não tem nada a ver com todos aqueles versículos que lemos absolutamente nada a ver com eles. E a propósito diz "Somos escolhidos de acordo com a presciência de Deus". Mas eu quero que vocês olhem para o versículo 20 - versículo 19 - qual é a última palavra no versículo 19? O que é isso? "Cristo." Certo. "Cristo -" agora preste atenção a este "Cristo, conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo." Ah, nós temos um problema. Se a presciência significa que Deus olha para frente e vê o que vai acontecer no versículo 2, então ser conhecido antecipadamente deve significar a mesma coisa no versículo 20, certo?
Então isso significa que Deus olhou para baixo, para a história, e disse "Oh, olhe isso. Cristo vai dar a sua vida. Bom, se ele vai fazer isso eu farei dele o Salvador." Quer dizer, obviamente a presciência não pode significar isso, porque Jesus disse que ele não veio para fazer sua própria vontade, mas a vontade de seu Pai. É por isso que ele é chamado, Cristo meu eleito.
Você diz "Bom, o que significa presciência?" É prognóstico, prognósis. De onde temos a palavra "prognóstico", usada em termos médicos. É uma escolha predeterminada. É uma escolha predeterminada. Cristo foi pré-conhecido. Ou seja, ele era conhecido por Deus no sentido íntimo como o Salvador, o Redentor antes da fundação do mundo. É falar sobre o tipo íntimo de saber. Como diz no Antigo Testamento "Israel somente a vós outros vos escolhi". Isso significa que os judeus são as únicas pessoas que Deus conhece? Não, é o tipo de conhecimento que você tem em Gênesis. Caim conheceu sua esposa e ela teve um filho. Isso não significa que ele soubesse o nome dela. Isso não significa que ele sabia quem ela era. Isso significa que ele teve um relacionamento íntimo com ela e dela veio um filho.
Jesus disse isto em João 10, "As minhas ovelhas ouvem a minha voz e eu as conheço". Ele está falando de uma relação íntima de amor. O choque foi que Maria estava grávida e José nunca a conhecera. Falamos disso até hoje. Usamos a expressão conhecimento carnal que significa uma união sexual um conhecimento íntimo. O que você tem aqui, na presciência, é uma intimidade predeterminada. Assim como o Pai tinha um relacionamento predeterminado com o Filho que o traria como sacrifício pelo pecado para derramar seu precioso sangue como um cordeiro sem mácula e impecável, assim o Pai tinha um relacionamento predeterminado com aqueles que ele escolheu. O conhecimento prévio é uma escolha deliberada.
Uma outra passagem sela esse caso. Atos 2:23 e eu vou fechar com essa promessa. Isso é muito para cobrir. Atos 2:23. Isso encerra toda discussão, se houver alguma deixada sobre o tema da presciência. Pedro ergueu-se no verso 22 e pregava, "Jesus, o Nazareno, varão aprovado por Deus diante de vós com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio dele entre vós, como vós mesmo sabeis" versículo 23, eles pensaram que o haviam crucificado, eles pensaram que tinha sido o plano deles. Não, não. " sendo este entregue pelo determinado desígnio e" qual é a próxima frase? "presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos."
Vocę é culpado. Você é culpado. Você fez isso. Você fez isso com sua própria vontade. Mas Deus tinha predeterminado que seria feito. Estava estabelecido em seu plano predeterminado e presciência. Isso é predeterminar para antecipar, não é simplesmente ter informações sobre o que vai acontecer, mas predeterminá-lo. Então, entendemos que a Bíblia é muito clara sobre a doutrina da eleição.

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Fonte: Grace To You
John MacArthur - A Doutrina da Eleição, Parte 1

Reforma Radical

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