A pergunta do Senhor aos cegos
C. H. Spurgeon

"Saindo Jesus dali, dois cegos o seguiram, clamando: 'Filho de Davi, tem misericórdia de nós!' Entrando ele em casa, os cegos se aproximaram, e ele lhes perguntou: 'Vocês crêem que eu sou capaz de fazer isso?' Eles responderam: 'Sim, Senhor!' E ele, tocando nos olhos deles, disse: 'Que lhes seja feito segundo a fé que vocês têm!' A visão deles foi restaurada" (Mateus 9.27,30). 

Nas nossas ruas encontramos, aqui e ali, um mendigo cego, mas nas cidades do Oriente eles existem em profusão. A oftalmia é o flagelo do Egito e da Síria, e Volney declara que no Cairo, entre uma centena de pessoas, vinte eram totalmente cegas, a dez delas faltava uma das vistas, e mais vinte sofriam de diversos males nos olhos, em maior ou menor grau. Nos dias atuais, todos reparam no grande número de cegos nos países orientais, e a situação era provavelmente pior nos tempos do Salvador. Devemos nos sentir muito gratos porque a lepra, a oftalmia e outras enfermidades tenham sido maravilhosamente extirpadas dentre nós nos tempos modernos, de modo que a peste que devastou a nossa cidade há duzentos anos é agora desconhecida, e nossos hospitais já não se encontram superlotados com leprosos.
Existe hoje muita prevenção contra a cegueira, e muitas vezes ela é curada, não sendo mais de ocorrência tão freqüente que se torne causa da pobreza do país. Havia muitos cegos nos dias do Salvador, e diversos se reuniam a seu redor; por isso lemos com tanta freqüência a respeito da cura de cegos. A misericórdia foi ao encontro da desgraça em seu terreno. Onde a tristeza humana mais se evidenciava, o poder divino era mais compassivo. Porém, nos dias de hoje, é muito comum as pessoas serem espiritualmente cegas, e por isso acalento grande esperança de que o Senhor Jesus agirá da mesma forma daquela época, e demonstrará seu poder em meio ao mal que sobeja. Confio haver algumas pessoas, neste momento, que desejam obter a visão espiritual, ansiando especialmente, como os dois cegos do texto, por ver a Jesus, pois vê-lo é a vida eterna.
Falaremos aos que têm consciência de sua cegueira espiritual e que almejam ver a luz de Deus a luz do perdão, do amor e da paz, a luz da santidade e pureza. Nosso grande desejo é que o manto das trevas seja levantado, que o raio divino consiga adentrar nas sombras internas da alma, e banir para sempre a noite da natureza carnal. Quem dera que o momento do raiar do dia estivesse bem perto de muitos de vocês "cegos por dentro". A iluminação imediata é a bênção que imploro a favor de vocês. Sei que a verdade pode permanecer na memória durante anos, e finalmente produzir frutos; mas nesta ocasião, oramos por resultados imediatos, pois somente eles estão à altura da natureza da luz mencionada.
No princípio, o Senhor disse apenas: "Haja luz", e houve luz; e quando o Senhor Jesus habitou temporariamente aqui embaixo, bastava-lhe tocar nos olhos dos cegos, e eles imediatamente recobravam a visão. Quem dera que semelhante obra rápida fosse realizada nesta hora! Homens levados pela mão até Jesus, ou que seguiam tateando pelas paredes até o lugar onde sua voz lhe anunciava a presença, recebiam um toque do seu dedo, e voltavam para casa por conta própria, regozijando-se porque Jesus lhes abrira os olhos. Jesus permanece poderoso para operar semelhantes maravilhas; e, em dependência do Espírito Santo, pregaremos sua palavra e aguardaremos os sinais que se seguirão, na expectativa de vê-los de imediato. Por que centenas de vocês que entraram neste Tabernáculo, nas trevas da natureza carnal, não poderão sair daqui abençoados com a luz do céu? Esse, certamente, é o desejo mais íntimo e urgente do nosso coração, e o desejo que almejamos com nossas faculdades concentradas. Venham conosco, portanto, ao texto, e usem logo de bondade suficiente consigo mesmos para se deixarem influenciar pelas verdades que ele lhes apresentará. 
  
I. Primeiro, ao explicar nossa passagem, devemos chamar a atenção de vocês para os próprios interessados--os dois cegos. Neles há um aspecto digno de imitação por todos os que quiserem ser salvos. 

Notamos, de imediato, que os dois cegos estavam totalmente sérios. A palavra que descreve o apelo feito a Cristo é "clamando" falavam algo em alta voz! Clamar subentende implorar, rogar e suplicar, com sinceridade, energia e paixão. Sua forma e postura indicavam não se tratar de uma vontade passageira, mas de um anseio profundo e apaixonado. Imaginem vocês como seria estar em semelhante situação. Como ansiariam pela luz bendita se tivessem sido obrigados a permanecer nas "trevas de duração perpétua", como diz Milton. Eles tinham fome e sede da luz. Ora, nós não podemos ter esperança de salvação antes de a buscarmos com igual vigor, mas quão poucos levam a sério essa salvação. Quão sérios alguns homens são no tocante ao dinheiro, à saúde ou aos filhos! Como são fervorosos nas questões da política ou dos negócios do seu bairro; porém, tão logo você os questione a respeito da verdadeira piedade, ficam tão frios quanto as neves árticas. Meus senhores, como isso é possível? Vocês podem esperar ser salvos enquanto estiverem meio adormecidos? Esperam achar perdão e graça enquanto continuam na indiferença? Se for assim, vocês estão muitíssimo enganados, pois "o Reino dos céus é tomado à força, e os que usam de força 
se apoderam dele" (Mt 11.12b).
A morte e a eternidade, o juízo e o inferno, não são brincadeira; o destino eterno da alma não é algo desprezível, e a salvação pelo sangue precioso de Cristo não é bagatela. Os homens não são salvos de descerem ao inferno mediante um simples aceno de cabeça ou uma piscada de olho. Não bastará um "pai-nosso" murmurado, um "Senhor, tem misericórdia de mim" apressado. Os cegos teriam permanecido nesse estado sem o desejo sincero de ter abertos os olhos; e, da mesma forma, muitos continuam em seus pecados por falta de seriedade quanto ao desejo de escapar deles. Esses cegos estavam plenamente acordados. E você, caro leitor? Pode me acompanhar nessas duas estrofes? 

"Jesus, que agora está passando, 
nosso Profeta, Sacerdote, e Rei és tu; 
escuta o clamor do pobre incrédulo, 
e sara a cegueira do meu coração; 
"Insto em meu pedido apaixonado. 
Imploro tua misericórdia perdoadora, 
mesmo criticado, não descansarei, 
até restaurares a vista a meu espírito." 

Os cegos perseveravam como conseqüência da sinceridade, pois "seguiram" a Cristo, e assim continuavam a apresentar seu caso. Como conseguiram seguir os movimentos do Senhor? Não sabemos, pois eram cegos; entretanto, por certo, perguntavam pelo caminho seguido por Jesus, e mantinham os ouvidos abertos ao mínimo som. Sem dúvida, diziam: "Onde está ele? Onde está Jesus? Leve-nos, guie-nos. Precisamos achá-lo". Não sabemos a distância percorrida pelo Senhor, mas pelo menos sabemos que, por onde o Senhor passasse, eles o seguiriam. Perseveravam com tanta coragem que, tendo chegado à casa onde Jesus estava, não ficaram do lado de fora até que ele saísse de novo, mas entraram de forma pressurosa na sala onde ele estava sentado. Eram insaciáveis para recuperar a vista. Seus clamores insistentes interromperam a pregação de Jesus, e ele fez uma pausa e escutou o que diziam: "Filho de Davi, tem misericórdia de nós". Assim prevalece a perseverança: ninguém que conheça a arte da oração inoportuna se perderá. Caso você resolva nunca se afastar do portão da misericórdia até o porteiro o atender, ele certamente o abrirá. Se agarrar o Anjo da Aliança com esta resolução: "Não te deixarei ir, a não ser que me abençoes", você sairá mais que vencedor do lugar da luta. A boca aberta em oração incessante resultará em olhos abertos na plena visão da fé. Ore, portanto, nas trevas, mesmo que não haja esperança de luz, pois quando Deus a própria luz, leva um miserável pecador a implorar e clamar diante dele com a séria intenção de continuar a proceder assim até vir a bênção, não intenta minimamente fazer pouco do pobre coração que clama. A perseverança na oração é o sinal seguro de que se aproximou o dia da abertura dos olhos.
Os cegos tinham um objetivo específico nas orações. Sabiam o que queriam, não eram crianças que choravam por nada, nem cobiçosos que choravam por tudo; queriam enxergar, e sabiam disso. Existem demasiadas almas cegas sem consciência de sua cegueira e, portanto, quando oram, pedem tudo menos a única coisa necessária. Diversas das supostas orações consistem em dizer palavras muito agradáveis, frases 
piedosas e muito bonitas; entretanto, não são orações. A oração, "para os salvos", é comunhão com Deus e, para as pessoas que buscam a salvação, a petição do que desejam e a espera do recebimento em nome de Jesus em nome de quem pleiteiam diante de Deus. Mas que tipo de oração é a que não tem nenhuma noção da necessidade, nenhum pedido direto, nenhum pleito consciente? Caro leitor, você já pediu, em termos específicos, que o Senhor o salve? Você já expressou a necessidade de um novo coração, a necessidade de ser lavado no sangue de Cristo, a necessidade de ser feito filho de Deus, e adotado em sua família?
Não existe oração, até que o homem saiba a favor do quê ora, e use a oração com esse propósito, como se não se importasse com qualquer outra coisa. Se já for sincero e inoportuno, instruído e cheio de desejos específicos, terá certeza de ser bem-sucedido no pleito. Com braço forte, ele estica o arco do desejo, e coloca na corda a flecha afiada do anseio apaixonado e, depois, com olho treinado na percepção, mira deliberadamente e, portanto, poderemos esperar que ele atinja o centro do alvo. Ore pedindo luz, vida, perdão, salvação, e ore por essas coisas como toda a alma, e tão certamente como Cristo está no céu, ele lhe dará suas boas dádivas. A quem ele já recusou?
Aqueles cegos, nas suas orações, honravam Cristo, pois diziam: "Filho de Davi, tem misericórdia de nós". Os grandes da terra não queriam reconhecer que o Senhor era de descendência real, mas os cegos proclamavam com muito ânimo o Filho de Deus. Eram cegos, mas conseguiam enxergar muito mais que as pessoas com vista aguçada; isso porque enxergavam o Messias no Nazareno, enviado por Deus para restaurar o reino a Israel. Dessa crença, entenderam que Jesus, por ser o Messias, abriria os olhos dos cegos, e poderia abrir os olhos cegos deles; e assim, pediram-lhe para realizar as obras próprias do seu messiado, e o honraram com fé prática e genuína. Esse é o tipo de oração que sempre terá atendimento rápido no céu, a oração que coroa o Filho de Davi. Ore, glorificando a Cristo Jesus, engrandecendo-o, pleiteando muito o mérito da sua vida a morte, dando-lhe títulos gloriosos porque sua alma tem alta reverência e vasta estima por ele. Orações de adoração a Jesus possuem a força e a rapidez das asas de águias; forçosamente sobem até Deus, pois os elementos do poder celestial sobejam nelas. A oração que atribui pouco valor a Cristo é a oração à qual Deus dará pouco valor; mas a oração na qual a alma glorifica o Redentor sobe como coluna perfumada de incenso do Santo dos Santos, e o próprio Senhor a acolhe como perfume suave.
Observe também que os dois cegos, na oração, confessaram sua falta de merecimento: "Filho de Davi, tem misericórdia de nós!". Seu único apelo era à misericórdia. Ninguém falou em mérito, nem usava como argumento os sofrimentos do passado, a perseverança, as boas resoluções quanto ao futuro, mas somente: "Tem misericórdia de nós". Quem exige da parte de Deus uma bênção como se tivesse direito a ela, nunca a 
conseguirá. Devemos implorar a Deus como o criminoso apela ao soberano e implora pelo exercício da prerrogativa real do livre perdão. Como o mendigo pede esmolas na rua, ao pleitear sua necessidade, solicita uma oferta por amor à caridade, também devemos requerer ao Altíssimo apelando a misericórdia e dirigir nossas súplicas à bondade amorosa e ternas misericórdias do Senhor. Devemos pleitear da seguinte maneira: "Ó Deus, se tu me destruíres, eu o mereço. Se tu nunca me dirigires um olhar de consolo, não tenho de que me queixar. Mas, Senhor, salva um pecador, por tua misericórdia. Não tenho o mínimo direito de pedir nada, mas oh, porque tu és cheio de graça, olha para uma miserável alma cega que deseja contemplar-te".
Meus irmãos, não sei juntar palavras altissonantes. Nunca me dediquei à escola da oratória. Na realidade, meu coração acha repugnante a própria idéia de falar com delicadeza quando as almas passam perigo. Pelo contrário, meu empenho é falar diretamente ao coração e à consciência de vocês, e se houver, nesta multidão de ouvintes, alguém que esteja escutando da maneira certa, Deus abençoará a palavra pregada. "E que tipo de escutar é este?", diz você. É claro: é o escutar no qual o homem diz: "À medida que eu perceber que o pregador proclama a Palavra de Deus, eu o seguirei, e farei o que, segundo sua descrição, o pecador que busca a Deus deve fazer. Nesta noite, orarei e pleitearei, e perseverarei nas minhas súplicas, esforçando-me para glorificar o nome de Jesus, e, ao mesmo tempo, confessarei minha indignidade. Dessa maneira, rogarei por misericórdia da parte do Filho de Davi". Bem-aventurado o pregador que souber que assim acontecerá. 
  
II. Agora, faremos uma breve pausa para lidar, em segundo lugar, com a pergunta que lhes foi postulada. Desejavam a abertura dos seus olhos. Os dois estavam em pé diante do Senhor, a quem não conseguiam ver, embora ele pudesse enxergá-los e se revelar a eles mediante a audição. Começou a fazer-lhes perguntas, não com o intuito de conhecê-los, mas a fim de que eles conhecessem a si mesmos. Fez uma única pergunta a eles: "Vocês crêem que eu sou capaz de fazer isso?". A pergunta tocou na única coisa que se interpunha entre eles e sua vista. Da resposta deles dependia se sairiam daquele local como homens dotados de visão, ou cegos: "Vocês crêem que eu sou capaz de fazer isso?". Ora, acredito que entre todo pecador que está buscando e o próprio Cristo existe apenas essa única pergunta: "Você crê que eu sou capaz de fazer isso?", e se alguma pessoa puder responder com sinceridade, como os homens da narrativa, "Sim, Senhor!", certamente receberá a resposta: "Que lhe seja feito segundo a fé que você tem!" 
Examinemos, portanto, essa pergunta muito importante com a máxima atenção. Diz respeito à sua fé: "Vocês crêem que eu sou capaz de fazer isso?". Ele não lhes perguntou sobre seu caráter no passado, pois quando as pessoas vêm a Cristo, o passado lhes é perdoado. Não lhes perguntou se experimentaram vários meios de obter a abertura dos olhos, por que, pelo sim ou pelo não, permaneciam cegos. Nem lhes perguntou se consideravam a existência de um médico misterioso que levasse a efeito a cura em algum estado futuro. Não. Perguntas derivadas da curiosidade e especulações vãs nunca são sugeridas pelo Senhor Jesus. Suas perguntas concentravam-se no exame de um único assunto: a fé. Criam que ele, o Filho de Davi, pudesse curá-los? Por que nosso Senhor, em todos os lugares, não só no ministério, mas também no ensino dos apóstolos, sempre ressalta a fé? Por que a fé é fundamental? Por sua capacidade receptiva. A bolsa não deixará ninguém rico; porém, sem lugar para colocar o dinheiro, como o homem poderá acumular riquezas? A fé, por si só, não pode contribuir com um tostão para a salvação, mas ela se serve da bolsa que contém em si o Cristo precioso sim, ela guarda todos os tesouros do amor divino.
Se alguém tiver sede, a corda e o balde, por si sós, não têm muita utilidade, mas, senhores, se houver um poço por perto, exatamente o que se precisa é de um balde e uma corda, por meio dos quais a água possa ser tirada. A fé é o balde por meio do qual o homem pode tirar água dos poços da salvação, e beber até satisfazer-se totalmente. Talvez você tenha feito uma breve parada em uma fonte pública na rua, desejoso de beber, mas verificou não ser possível, pela ausência da taça de metal. A água fluía, mas você não podia alcançá-la. Era terrível postar-se à saída da fonte, e continuar com sede pela falta da pequena taça. Ora, a fé é a taça pequena, que seguramos para receber as correntezas da graça de Cristo: enchemo-la, e então bebemos e recebemos o refrigério. Daí a importância da fé. Para nossos antepassados, teria parecido algo vão deitar um cabo sob o mar desde a Inglaterra até a América do Norte, e permaneceria inútil até hoje, se a ciência não nos tivesse ensinado a falar por meio da eletricidade; porém, agora o cabo é da máxima importância, pois a telegrafia não teria a mínima utilidade para a comunicação transatlântica, se não existissem os fios de conexão entre os dois continentes. A fé é exatamente isso: a ligação entre a alma e Deus, e a mensagem viva passa rapidamente por ela até atingir a alma. A fé às vezes é fraca, comparável ao fio muito fino, mas ela não deixa de ser algo muito precioso, por ser o início de grandes coisas. Há muitos anos, queriam lançar uma ponte suspensa sobre um abismo imenso, através do qual fluía, abaixo, um rio navegável. Entre uma ponta rochosa e outra, o propósito era fixar uma ponte de ferro, lá nas alturas. Mas, como começar? Atiraram uma flecha de um lado para o outro, e ela levou um fio que atravessou o abismo. Aquele fio, quase invisível, foi suficiente para o começo. A conexão foi estabelecida; pouco tempo depois, o fio puxou um barbante, e o barbante puxou uma corda, e a corda não demorou em levar um cabo para o outro lado e, no tempo devido, seguiram-se correntes de ferro e todas as coisas necessárias para a via permanente. Ora, a fé é muitas vezes fraca; mesmo nessa situação, mantém o valor máximo, por formar uma 
comunicação entre a alma e o Senhor Jesus Cristo. Caso creia nele, haverá uma ligação entre ele e você; sua pecaminosidade descansa na graça dele, sua fraqueza depende da força dele; o nada que você é, esconde-se na suficiência total dele; entretanto, se não crer, estará separado de Jesus, e nenhuma bênção poderá fluir até você. Dessa forma, a pergunta que quero dirigir, em nome do meu Mestre, a cada pecador que o busca, diz respeito à sua fé, e nada mais. Não me importa se você é milionário, ou se ganha pouquíssimo por semana, se é nobre ou plebeu, da realeza ou do campo, erudito ou ignorante. Temos o mesmo evangelho para entregar a cada homem, mulher e criança, e precisamos ressaltar a mesma questão: "Você crê?". Caso creia, será salvo, mas se não crer, não poderá participar das bênçãos da graça.
Note, em seguida, que a pergunta dizia respeito à fé em Jesus: "Vocês crêem que eu sou capaz de fazer isso?". Se perguntássemos ao pecador despertado: "Você acredita poder salvar a si mesmo?", sua resposta seria: "Não, nada disso: estou bem informado. Minha auto-suficiência está morta". Se lhe perguntássemos, em seguida: "Acredita que as ordenanças, os meios da graça e os sacramentos poderão salvar você?". Se for alguém arrependido, inteligente e consciente, responderá: "Sou bem informado. Experimentei-os, mas por si só são total vaidade". Realmente é assim, nada permanece em nós, e à nossa volta, sobre o qual a esperança possa edificar, sequer por uma hora. Mas essas perguntas ultrapassam o ego e nos colocam somente em Jesus, ao mandar-nos escutar o próprio Senhor dizer: "Vocês crêem que eu sou capaz de fazer isso?". Ora, amados, não falamos a respeito de mera pessoa histórica quando nos referimos ao Senhor Jesus Cristo; falamos de alguém que está acima de todos os outros. Ele é o Filho do Altíssimo, mas, mesmo assim, veio até esta terra e nasceu em Belém. Dormia ao peito de uma mulher, e cresceu como as outras crianças. Tornou-se um homem na plenitude da estatura e da sabedoria, e viveu aqui trinta anos ou mais, praticando o bem. No fim, esse glorioso Deus em carne humana "sofreu [...] o justo pelos injustos, para conduzir-nos a Deus" (1Pe 3.18), e assumiu o lugar e a vez do homem culpado, para suportar-lhe o castigo a fim de que Deus seja justo e justificador do que crê. Ele morreu e foi sepultado, mas por pouco tempo o sepulcro o pôde manter ali; ressuscitou na manhã do terceiro dia, saiu dentre os mortos, para nunca mais morrer. Permaneceu aqui por tempo suficiente para ser visto vivo, no próprio corpo, por muitos.
Nenhum acontecimento da História é tão bem documentado quanto a ressurreição de Cristo visto por pessoas que estavam sós e por grupos de dois, vinte e mais de quinhentos irmãos de uma só vez. E tendo vivido aqui por breve tempo, subiu ao céu na presença dos discípulos, quando uma nuvem o encobriu da vista deles. Agora está sentado à destra de Deus, em forma humana: o mesmíssimo homem que morreu no madeiro está entronizado nos mais altos céus como Senhor de tudo, e todos os anjos se deleitam em lhe prestar homenagem. A única pergunta que ele lhes faz, por meio destas modestas palavras, é: "Você crê que eu seja capaz de salvá-lo? Eu, o Cristo de Deus que agora habito no céu, sou capaz de salvá-lo?". Tudo depende da resposta a essa pergunta. Sei qual deve ser sua resposta. Por certo, sendo ele Deus, nada é impossível nem difícil para ele. Por ter entregado a vida para realizar a expiação, e pela aceitação divina desse ato, permitindo-lhe ressuscitar dentre os mortos, deve haver, portanto, eficácia no seu sangue para purificar a mim, até mesmo a mim. A resposta deve ser: "Sim, Senhor Jesus, creio que tu és capaz de fazer isso".
Agora, porém, quero ressaltar outra palavra do meu texto, e quero que você a ressalte também: "Vocês crêem que eu sou capaz de fazer isso?". Ora, não teria sido muito útil para esses cegos dizerem: "Cremos que tu és capaz de ressuscitar os mortos". "Não", diz Cristo, "a questão em pauta é a abertura dos seus olhos. Vocês crêem que eu sou capaz de fazer isso?". Eles poderiam ter respondido: "Bom Mestre, cremos que estancaste o fluxo de sangue da mulher quando ela tocou na tua roupa". "Não", diz ele, "essa não é a questão em pauta. Agora, são seus olhos que precisam ser atendidos. Vocês querem enxergar, e a pergunta a respeito da sua fé é: "Vocês crêem que eu sou capaz de fazer isso?". Ah, alguns de vocês conseguem crer a favor de outras pessoas, mas devemos aplicar essa pergunta mais plenamente a vocês e dizer: "Você crê que eu sou capaz de salvar você --você mesmo? Ele é capaz de fazer isso?". É possível que eu esteja falando com alguém que foi muito longe no pecado. Pode ser, meu amigo, que você tenha concentrado muita iniquidade em um espaço pequeno. Talvez você tenha desejado uma vida breve, mas bastante animada e, segundo as perspectivas atuais, você tenha grande probabilidade de viver brevemente, mas o divertimento quase acabou com você e, ao relembrar sua vida, reflita que nunca um jovem jogou fora a vida de forma mais estulta do que você. Agora, pois, você deseja ser salvo? Pode dizer de todo o coração que você assim deseja? Responda, portanto, a essa pergunta adicional: Você crê que Jesus Cristo é capaz de fazer isso, especificamente: apagar todos os seus pecados, renovar seu coração, e salvar você hoje? "Oh, senhor, creio mesmo que ele é capaz de perdoar o pecado". Mas você crê que ele é capaz de perdoar o seu pecado? Você, pessoalmente, é o caso em pauta; neste aspecto, sua fé está firme? Deixe de lado as outras pessoas, neste momento, e considere a si mesmo. Você crê que ele é capaz de fazer isso? Isso seu pecado, essa vida desperdiçada, Jesus é capaz de lidar com isso? Tudo depende da sua resposta a esta pergunta. É inútil a fé que sonha em crer no poder do Senhor no tocante a outras pessoas, mas não confia em Jesus para si mesma. Você deve crer que ele é capaz de fazer isso--isso que diz respeito a você, senão, para todos os fins práticos, você não passa de um incrédulo.
Sei que estou falando a numerosas pessoas que nunca cederam aos vícios do mundo. Dou graças a Deus, em nome de vocês, por terem sido conservados nos caminhos da moralidade, sobriedade e honestidade; mas já conheci alguns de vocês que quase desejaram, ou pelo menos lhes ocorreu que poderiam quase desejar--ter sido grandes pecadores descarados, a fim de receber as pregações dirigidas a esses pecadores flagrantes, para ver em si mesmos a transformação igual à vista em alguns deles, a respeito de cuja conversão vocês nunca poderiam duvidar. Não se permitam semelhante desejo pouco sábio, mas escutem enquanto postulo também esta pergunta. Vocês estão no caso do moralista que obedeceu a todo o dever externo, mas negligenciou seu Deus o caso do moralista que se sente como se o arrependimento lhe fosse impossível, porque já faz tanto tempo que está sendo devorado pelo próprio farisaísmo, que nem sabe mais 
extirpar a gangrena. O Senhor Jesus Cristo pode tão facilmente salvar você do seu farisaísmo, quanto pode salvar outra pessoa de seus hábitos culpáveis. Você crê que ele é capaz de fazer isso? Vamos, pois você crê que ele pode atender a isso, o caso específico em que você está? Quero a resposta, "sim" ou "não" a essa pergunta. "Ai de mim!", exclama um de vocês, "meu coração é tão duro". Você acredita que ele pode amolecê-lo? Suponhamos que seja tão duro como o granito: você agora acredita que o Cristo de Deus poderá transformá-lo em cera em um só momento? Concedamos que seu coração seja tão instável como o vento e as ondas do mar: você consegue crer que Cristo lhe poderá dar mente estável e firmar você na Rocha Eterna para sempre? Se você crer nele, ele o fará a seu favor, visto que lhe será feito de acordo com a fé que tem. Mas sei que é justamente aqui o aspecto difícil. Todos procuram se refugiar no conceito de que realmente confiam no poder de Cristo para os outros, mas estremece quanto a si mesmo; entretanto, preciso fazer cada um enfrentar a questão que diz respeito a si mesmo, preciso pegar cada um pelos colarinhos e submeter ao teste genuíno. Jesus pergunta a cada um de vocês: "Você crê que eu sou capaz de fazer isso?".
Alguém diz: "Ora, seria a coisa mais surpreendente que o Senhor Jesus fez, se ele fosse me salvar hoje". Você crê que ele o pode fazer? Quer confiar nele agora? "Mas semelhante milagre será uma coisa tão estranha!". O Senhor Jesus opera coisas maravilhosas: é o jeito dele. Sempre foi um operador de milagres. Você consegue crer que ele é capaz de fazer isso a favor de você isto que agora é necessário para salvá-lo? 
É maravilhoso o poder que a fé possui--poder para influenciar o próprio Senhor Jesus. Já experimentei muitas vezes, à minha maneira, como a confiança domina as pessoas. Vocês não foram conquistados pela confiança de uma criancinha? O pedido singelo estava demasiadamente cheio de confiança para ser recusado. Já ocorreu um cego agarrar-se a você em uma travessia da rua, e dizer-lhe: "Senhor, pode me ajudar a atravessar a rua?". E depois, talvez, ele tenha acrescentado de modo quase sutil: "Sei pelo tom da sua voz que o senhor é gentil. Acho que posso confiar-me a seus cuidados". Em semelhante momento, você se sentiu envolvido; não poderia abandoná-lo. E quando uma alma diz a Jesus: "Sei que podes me salvar, meu Senhor: sei que és capaz disso e, portanto, em ti confio", ele não poderá repudiá-lo, não poderá desejar fazer assim, pois já disse: "quem vier a mim eu jamais rejeitarei". Às vezes conto uma história para ilustrar esse fato; o conto é bastante singelo, mas demonstra como a fé vence em todas as circunstâncias. Há muitos anos, meu jardim tinha uma cerca viva, bastante verdejante, mas que pouco protegia. O cachorro de um vizinho gostava de visitar meu jardim e, visto que ele nunca cultivou minhas flores, jamais lhe ofereci boas-vindas cordiais.
Andando quieto por ali, certo fim de tarde, vi-o fazendo algum dano. Joguei nele uma vara e o aconselhei a volta para casa; mas como a boa criatura me respondeu? Virou-se em minha direção, abanou o rabo e, da maneira mais brincalhona, pegou a vara, trouxe-a a mim, e a colocou a meus pés. Eu bati nele? Não, não sou monstro. Teria me envergonhado se não lhe tivesse afagado o dorso e o convidado a voltar a meu jardim sempre que quisesse. Ele e eu passamos imediatamente a ser amigos porque, como vocês percebem, ele confiou em mim e me conquistou. Ora, por mais singela que seja essa história, é exatamente essa a filosofia da fé singela em Cristo da parte do pecador. Como o cachorro conquistou o homem ao confiar nele, também o miserável pecador conquista, com o efeito, o próprio Senhor ao confiar nele e dizer: "Senhor, sou um miserável cachorro de pecador, e poderás me expulsar, mas creio que tu és bondoso demais para isso. Creio que podes me salvar e eis que me confio às tuas mãos. Quer eu seja perdido ou salvo, confio minha pessoa a ti". Ah, amado, você não permanecerá perdido se assim confiar. Quem confia em Jesus já deu a resposta à pergunta: "Você crê que eu sou capaz de fazer isso?", e nada mais lhe falta senão seguir pelo caminho, regozijando-se, porque o Senhor lhe abriu os olhos e o salvou. 
  
III. Agora, em terceiro lugar, a pergunta era muito razoável: "Vocês crêem que eu sou capaz de fazer isso?". Em um só minuto, quero demonstrar a razoabilidade de Cristo postulá-la, e igualmente se me é permitido aplicá-la insistentemente a muitas pessoas. O Senhor Jesus poderia ter dito: "Se vocês não acreditam que eu sou capaz de fazer isso, por que me seguiram? Por que seguiram a mim mais e não a outra pessoa? Vocês me seguiram pelas ruas, e entraram nesta casa à minha procura. Por que fizeram assim, se não acreditam que posso lhes abrir os olhos?". Da mesma forma, muitos de vocês frequentam lugares de culto; gostam de estar presentes, mas por quê, se não acreditam em Jesus? Para que vocês frequentam cultos? Comparecem para procurar um Salvador que não pode salvá-los? Procuram tolamente uma pessoa em quem não poderão confiar? Nunca ouvi falar de tamanha loucura como o doente correr atrás do médico em quem não tem a mínima confiança. E vocês que frequentam lugares de culto em outras ocasiões sem ter a mínima fé em Jesus? Então, por que frequentam? Que pessoas incoerentes vocês devem ser!
Além disso, esses cegos tinham orado a Jesus para ele lhes abrir os olhos, mas por que oraram? Se não acreditassem que Jesus os poderia curar, suas orações seriam zombaria. Você pediria que um homem fizesse uma coisa que você sabe ser ele incapaz de fazer? A oração não deve ser sempre medida de acordo com a quantidade de fé nela colocada? Pois bem, sei que alguns de vocês costumam orar desde criança; quase nunca vão dormir à noite sem repetir a oração ensinada pela mãe. Para que fazem isso, se não acreditam que Jesus Cristo pode salvá-los? Para que pedir o que vocês não acreditam que ele pode fazer? Que incoerência estranha orar sem fé!
Esses dois cegos também tinham chamado Jesus Cristo "Filho de Davi". Por que confessaram seu messiado desse modo? A maioria de vocês faz a mesma coisa. Suponho que pouquíssimas pessoas da sua congregação duvidem da divindade de Cristo. Vocês acreditam na Palavra de Deus: não duvidam de sua inspiração, acreditam que Jesus Cristo viveu, morreu e passou para a glória. Pois bem: se vocês não acreditam que ele é capaz de salvá-los, qual é o significado de afirmar que ele é Deus? Um Deus incapaz? Sacrifício expiador sangrento e mortal, mas sem a capacidade de salvar? Oh, homem, seu credo nominal não é o verdadeiro. Se você escrevesse por extenso seu credo verdadeiro, seria algo assim: "Não creio que Jesus Cristo seja o Filho de Deus, nem que ele realizou plena expiação pelo pecado, pois não acredito que ele possa me salvar". Isso não seria correto e coerente?
Pois bem, insto com vocês, em nome das freqüentes vezes que escutam a Palavra, em nome das orações freqüentes e da profissão de crerem na grandiosa velha Bíblia, que me respondam: Como vocês não crêem em Jesus? Senhores, ele é capaz de salvá-los. Vocês sabem que já se passaram mais de 27 anos desde que coloquei nele minha confiança, e devo falar dele segundo minha experiência com ele. Em todas as horas de trevas, em cada período de desânimo, em cada ocasião de provação, achei-o fiel e verdadeiro; e quanto a confiar-lhe minha alma, se eu tivesse mil almas as confiaria às mãos dele; e se tivesse tantas almas quanto há grãos de areia na praia, não pediria um segundo ao Salvador, simplesmente colocaria todas elas na querida mão traspassada pelo prego, a fim de que ele nos agarrasse e nos segurasse com firmeza para sempre. Ele é digno da confiança de vocês, e ele só lhes pede essa confiança -- e não duvidem de que ele está disposto, já que entregou sua vida com esse propósito ele pede que vocês ajam à altura da crença de que ele pode salvá-los, e que confiem nele. 
  
IV. Ora, não devo detê-los por muito mais, e por isso quero destacar a resposta que os cegos deram à sua pergunta. Responderam-lhe: "Sim, Senhor!". Pois bem, já andei lhe fazendo com instância, e a repito de novo. Você acredita que Cristo é capaz de salvar você, e que ele é capaz de fazê-lo de modo a cuidar do seu caso em sob todos os aspectos especiais? Agora vem sua resposta. Quantos dirão "Sim, Senhor"? Estou quase disposto a pedir que vocês o façam em voz alta, mas prefiro rogar-lhes a dizê-lo no recôndito da alma: "Sim, Senhor". E, agora, que Deus o Espírito Santo os ajude a dizê-lo de forma muito distinta, sem hesitação nem reservas mentais: "Sim, Senhor. O olho cego, a língua muda, o coração frio creio que tu és capaz de transformar a todos, e confio totalmente em ti, para ser renovado pela tua graça divina". Diga isso com toda a sinceridade. Diga-o de modo decidido e distinto, de todo o coração: "Sim, Senhor".
Repare que os dois homens responderam imediatamente. Tão logo a pergunta foi feita por Jesus, deram a resposta: "Sim, Senhor". Nada se compara a ser pronto para responder; isso porque, quando você apresenta uma pergunta a alguém, e diz: "Você crê que sou capaz de fazer isso?", e a pessoa pára, esfrega a testa, passa a mão na cabeça, e finalmente diz: "S...sim", esse "sim" não se assemelha ao "não?". O melhor "sim" no mundo é o que sai pulando, de imediato. "Sim, Senhor; por pior que eu seja, creio que tu podes me salvar, pois sei que teu sangue precioso pode remover toda mancha. Embora eu seja um pecador de longo tempo, de caso agravado, alguém que se desviou da religião que professava, agindo como desviado, embora eu pareça a escória da sociedade, não tenha os sentimentos que gostaria de sentir, creio, porém, que Cristo morreu em prol de pecadores, e que o eterno Filho de Deus entrou no céu a fim de pleitear a favor deles, logo ele deve ser poderoso para "salvar definitivamente aqueles que, por meio dele, aproximam-se de Deus" (Hb 7.25), e nesta noite me aproximo de Deus por meio dele, e creio que ele é capaz de salvar até mesmo a mim". Esse é o tipo de resposta que anseio ouvir da parte de todos vocês. Que o Espírito de Deus produza uma essa resposta! 
  
V. Vejamos, agora, a reação do Senhor à resposta deles. Disse: "Que lhes seja feito segundo a fé que vocês têm!". É bom como se ele tivesse dito: "Já que vocês crêem em mim, há luz para seus olhos cegos. Como é perfeita a fé, assim são perfeitos os olhos. Se vocês crerem de modo decidido e pleno, não receberão a visão de um só olho, nem a semi-abertura, mas a visão lhes será concedida integralmente". A fé firme e decidida limpará toda mácula, e deixará sua vista forte e nítida. Se vocês apresentarem uma resposta rápida, assim será rápido meu modo de corresponder. Vocês recuperarão a vista em um só instante, pois creram de imediato. O poder do Senhor simplesmente acompanhou a fé da parte deles. Por terem fé firme, foi genuína a cura da parte dele. Tinham fé completa, e a cura da parte dele também o foi; já que disseram "sim" imediatamente, ele lhes concedeu a visão imediatamente.
Se você demorar muito tempo até dizer "sim", também demorará muito para obter a paz; mas se você disser neste dia: "Vou me entregar, pois percebo que é assim; Jesus é capaz de me salvar; eu me entregarei a ele"; se você fizer assim de imediato, terá a paz imediata -- sim, nesse mesmo assento, jovem, você está sentindo um fardo nesta noite e achará o descanso. Ficará imaginando aonde foi o fardo, e olhará ao redor e descobrirá que sumiu, porque você olhou para o Crucificado e confiou-lhe todos os seus pecados. Os maus hábitos que procurava vencer, em vão, e que forjaram novas correntes para mantê-lo preso, você os verá cair como teias de aranha. Se tão-somente confiar em Jesus para rompê-las, e se entregar a ele para ser renovado, assim será feito, e agora; e a abóbada eterna dos céus reverberará com gritos de graça soberana. Assim, coloquei a questão eterna diante de vocês. Minha única esperança é que Deus, o bendito Espírito, os oriente enquanto buscam, como os cegos buscaram e, de forma especial, que confiem como eles confiaram. 
A última palavra: existem algumas pessoas especialmente diligentes em procurar razões para não serem salvas. Já debati com algumas pessoas assim, por uns trinta minutos, e sempre terminam a conversa dizendo: "Sim, isso é verdade, senhor, mas...". E então procuramos despedaçar aquele "mas"; no entanto, descobrem outro, e dizem: "Sim, agora entendo isso, mas...". E fortalecem sua incredulidade com o "mas". Se alguém aqui quisesse lhe dar bastante dinheiro, você poderia me apresentar alguma razão por que ele não deveria fazê-lo? Ora, imagino que se ele se chegasse até você e lhe oferecesse o montante em dinheiro vivo, você não se preocuparia em descobrir objeções; não ficaria repetindo: "Gostaria do dinheiro, mas...". Ao contrário, se existisse alguma razão por que você não o devesse receber, deixaria outras pessoas descobri-la. Você não labutaria nem faria um grande esforço mental para procurar descobrir argumentos contra si mesmo; você não é tão inimigo seu. No entanto, no tocante à vida eterna, infinitamente mais preciosa que todos os tesouros deste mundo, os homens agem do modo mais absurdo e dizem: "Desejo-o com muita sinceridade, e Cristo é capaz de fazê-lo, mas...". Quanta estultícia, argumentar contra si mesmo! Se um homem estivesse no corredor da morte em Newgate, e tivesse que subir ao cadafalso na manhã seguinte, e o xerife viesse e dissesse: "Há perdão total para você"; acha que esse homem levantaria objeções? Exclamaria: "Gostaria de mais meia-hora para considerar meu caso e descobrir razões para eu não ser perdoado?". Não, ele aceitaria a oferta de imediato. Que você também aceite, de um só pulo, o perdão hoje. Que o Senhor lhe conceda sentir tamanha convicção de perigo e culpa que você clame prontamente: "Creio, sim; em Cristo ponho a minha confiança".
Os pecadores não têm a metade do bom senso dos pardais. Davi disse: "Não durmo, e sou como o pardal solitário no telhado" (Sl 102.7). Pois bem, você já observou o pardal? Ele mantém os olhos abertos, e no mesmo momento em que vê um grão de trigo ou outra coisa comestível na rua, voa para pegá-lo. Nunca soube que ele espera por um convite, e muito menos que alguém rogue e implore para ele vir alimentar-se. O pardal vê a comida e diz para si mesmo: "Aqui está um pardal faminto, e ali um pedacinho de pão. Essas coisas ficam bem juntas, e não permanecerão separadas por muito tempo". Desce voando, e devora tudo o que consegue achar, tão logo o ache. Se você tivesse metade do bom senso do pardal, diria: "Aqui está um pecador culpado, e ali está o Salvador precioso. Essas coisas ficam bem juntas, e não permanecerão separadas por muito tempo. Creio em Jesus, e Jesus é meu".
Que o Senhor lhe conceda encontrar Jesus agora. Oro para que assim aconteça. Onde você está você pode olhar para Jesus Cristo, e crer. A fé é o simples olhar, o olhar de confiança simples. É depender de Cristo, crer que ele poderá fazê-lo, e confiar que ele o fará, agora. Deus abençoe a cada um de vocês, e que nos encontremos no céu, por causa de Cristo. Amém. 
Reforma Radical

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