Jeremiah Burroughs
A Incomparável Excelência e Santidade de Deus
por Jeremiah Burroughs

“Ó Senhor, quem é como tu entre os deuses? Quem é como tu glorificado em
santidade, admirável em louvores, realizando maravilhas?” (Êxodo 15:11)

A Escritura é neste dia cumprida em nossos ouvidos e diante de nossos olhos. Pelo que Deus  já começou  a  realizar  por  este  reino  e  pelas igrejas  vizinhas,  nos demonstra  que ninguém  é como o  Senhor,  que  é  glorificado  em  santidade,  admirável  em  louvores, realizando maravilhas. 

As  palavras, embora  estejam  no  meio  de  um  cântico,  são uma  espécie de  epifonema, uma conclusão  que  está  usualmente  no  fim,  mas  o  espírito  de  Moisés,  admirando  e bendizendo a Deus pelas grandes coisas que Ele fizera por Seu povo, não  espera pelo fim, mas irrompe bem no meio, em aclamação à glória de Deus, Ó Senhor, quem é como Tu entre os deuses? Quem é como Tu glorificado em santidade, admirável em louvores, realizando  maravilhas!  Vejam,  então,  que  as palavras  são  uma  porção  da  canção  de Moisés, ocasionada pela bondade de Deus em retirar o Seu povo do Egito e conduzi-los através do Mar Vermelho.

Esta é a mais antiga canção do mundo. É a primeira na Escritura, e nós não conhecemos autor anterior  a  Moisés.  Aqueles  que  eram  habilidosos  em  poesia  vieram  centenas  de anos  depois de  Moisés.  É  uma  canção  espiritual  e  sobremodo  excelente.  O  estilo  é repleto  de  elegância, o assunto  da  mais  grandiosa  variedade.  É  eucarística,  triunfante, profética,  e  é  de  uma  piedade que  nós  não  temos  tal  excelente  cântico  como  este metrificado para ser cantado em nossas congregações. É uma canção mui deleitável, e, portanto, observem que quando Deus promete a misericórdia ao Seu povo, na qual eles poderiam regozijarem-se extremamente, Ele refere-se a esta canção, Oséias 2:15: “E lhe darei as suas vinhas dali, e o vale de Acor, por porta de esperança; e ali cantará, como nos dias de sua mocidade, e como no dia em que subiu da terra do Egito”. 

Quando  Deus decretava  alguma  grande  misericórdia ao  Seu  povo,  Ele queria  que  eles cantassem a canção de Moisés. Então depois, se Deus está em um meio de misericórdia, se Ele está abrindo uma porta de esperança para nós, vocês podem ver quão oportuna é esta canção. É uma canção simbólica, como a libertação do povo de Deus do Egito é uma figura da libertação do povo de Deus da escravidão do Anticristo. Portanto, é observável que esta canção é para ser cantada novamente, quando o povo de Deus é libertado do Anticristo. Em Apocalipse 15:1-2, vocês veem os julgamentos de Deus sobre o Anticristo. No versículo 3 é dito que “eles cantam o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro,  dizendo:  Grandes  e  maravilhosas  são  as  tuas  obras, Senhor  Deus  Todo-Poderoso! Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei dos santos.”

Por isto vocês podem ver que Deus gostaria de demonstrar a nós que a escravidão sob o Anticristo é semelhante à escravidão no Egito, e, desta forma, Roma é chamada de Egito no  Apocalipse  por que, quando  nós  seremos  libertos  da  escravidão  Anticristã  sob  o Anticristo. É bom para nós nos familiarizarmos com esta canção, pois ela será cantada novamente quando a escravidão do Anticristo for removida. É um cântico miraculoso, de acordo com a opinião de Agostinho. Ele traz nesta canção como um dos milagres, isto é, que Deus, ao mesmo tempo pelo Espírito, inspirou todo o povo de Israel a cantar uma vez e  a  mesma  canção  juntos,  e,  portanto,  isto  seria  miraculosamente verdade  se  fosse assim, mas a Escritura não é clara quanto a isto. 

Mas nós deixamos as indefinições e vamos  às palavras que são, por assim dizer, uma recapitulação de tudo, contendo a essência de tudo, como se ele tivesse dito: “Eu tenho falado de muitas maneiras [sobre] o que Deus fez por Seu povo... mas não há nada como o Senhor, que é glorificado em santidade, admirável em louvores, realizando maravilhas”. Há quatro aspectos nos quais o nome de Deus é exaltado aqui. Primeiramente, não há ninguém como o Senhor; em segundo lugar, glorificado em santidade; em terceiro lugar, admirável em louvores; e em quarto lugar, realizando maravilhas. 

Eu confesso que quando meus pensamentos a princípio se inclinaram a falar sobre este texto,  eu  intencionava  apenas  uma  em  particular,  a  introdução  deste  título  de  Deus, “admirável em louvores”. Nós não encontramos título algum como este em todo o Livro de Deus, que eu saiba, exceto neste único lugar. Mas, por que eu percebi que havia muito de Deus nos dois [títulos] precedentes, eu penso que será útil vos demonstrar o que há de Deus neles e fui relutante em passar por eles. 

Então, em primeiro lugar, Ó Senhor, quem é como Tu entre os deuses? Quem é como Tu glorificado  em  santidade?  Isto,  vocês  veem,  é  colocado  em  forma  de  interrogação. Interrogações  na  Escritura  são  especialmente  colocadas  de  duas  maneiras:  primeiro, como  uma  forma  de admiração;  e  segundo,  como  uma  forma  de  negação.  Algumas vezes, é como uma forma de admiração, Isaías 63:1: Quem é este, que vem de Edom, de Bozra,  com  vestes  tintas[?]  Nós poderíamos  nomear  muitas  outras  maneiras  de admiração. Existem centenas de exemplos de formas de negação. Nós compreendemos ambas destas [formas] neste texto. Primeiramente, como forma de admiração, Ó Senhor, quem  é  como  Tu  entre  os  deuses[?]  e  assim  por  diante.  Moisés e  o  povo,  sendo golpeados com assombro diante da glória de Deus que agora é manifesta pela grandiosa obra  que  Ele  fez,  O  admiram  e  dizem,  Ó  Senhor,  quem  é  como  Tu?  Pela  forma  de
negação,  Ó  Senhor,  quem  é  como  Tu?  Ou  seja,  não  há  ninguém  como  Tu.  Esta  é  a primeira expressão da glória de Deus, a exaltação do nome de Deus acima de todas as coisas, quaisquer que sejam, não há ninguém como o Senhor. 

Deus  [é]  então  magnificado  nesta  expressão  de  Sua  glória,  que  não  há  ninguém  como Ele. Nós  observamos  isto  com  frequência  na  Escritura,  1  Crônicas  17:20:  “Senhor, ninguém há como Tu, e não há Deus fora de ti, segundo tudo quanto ouvimos com os nossos ouvidos”. Assim também no Salmo 86:8: “Entre os deuses não há semelhante a ti, Senhor,  nem  há  obras  como  as tuas”.  E  no  Salmo  89:6:  “Pois  quem  no  céu  se  podeigualar  ao  Senhor?  Quem  entre  os filhos dos  poderosos  pode  ser  semelhante  ao Senhor?”  Nós  poderíamos  citar  vários  outros  lugares onde  Deus  é  grandemente magnificado em expressão de Sua glória. O povo de Deus tem exultado muito nisto, e há grandes razões pelas quais deveria fazê-lo. 

É dito dos piedosos Macabeus que a princípio, por razão, seus nomes eram uma ofensa, encontrando com esta sentença: “Ó Senhor, quem é como tu entre os deuses?”. Sendo absolutamente  tomados por  isto,  eles  escreveram  a  primeira  letra  Hebraica  de  cada palavra desta sentença em seus estandartes de guerra, e as carregavam com eles. Sobre esta terra, eles foram chamados de Macabeus, gloriando-se neste título de Deus: “Quem é como Tu?”. 

Sobre esta mesma terra, o Espírito Santo determinou que tudo deveria honrar e glorificar a  Deus, porque  não  há  ninguém  como  Ele.  Entre  os  deuses  não  há  semelhante  a  Ti, Senhor, nem há obras como as Tuas (Salmo 86:8). Observem o que segue nos versículos 9-12: “Todas as nações que fizeste virão e se prostrarão perante a tua face, Senhor, e glorificarão o teu nome. Porque tu és grande e fazes maravilhas; só tu és Deus. Ensina-me, Senhor, o teu caminho, e andarei na tua verdade; une o meu coração ao temor do teu nome. Louvar-te-ei, Senhor Deus meu, com todo o meu coração, e glorificarei o teu nome para  sempre”.  Assim,  vocês  percebem  como  o  santo  profeta  foi  tomado com  esta expressão de Deus, que não há ninguém como Ele, portanto, ensina-me, Senhor, o Teu caminho, e andarei na Tua verdade. 

Entre os deuses não há semelhante a Ti, Senhor. Isto poderia ser melhor traduzido “entre os  fortes”. Deus  é  exaltado  aqui  não  apenas  entre  os  deuses  pagãos,  pois  não  há ninguém semelhante a Ele entre eles, mas Ele é também exaltado acima de quem quer que seja que tenha alguma excelência em si. “Entre os fortes não há semelhante a Ti”. Quem  quer  que  seja  poderoso  e  grande,  ainda assim  Deus  é  infinitamente  acima  de todos.  Isto levaria  muito  de  nosso  tempo,  se  nos falássemos  prologadamente  para  vos demonstrar algo da glória de Deus nisto, quão Ele é acima de todas as coisas e que não há ninguém semelhante a Ele. Eu citarei, portanto, apenas poucas passagens, aplicadas a isto em particular, e prosseguindo para o segundo. 

Não  há  ninguém  como  o  Senhor,  primeiramente,  em  que  quer  que  haja  em  Deus  é  o próprio Deus.  Esta  é  uma  propriedade  de  Deus.  Não  há  nenhuma  criatura  que  tenha alguma excelência  em  si  que  alcance  esta excelência,  pois  o  que  quer  que  haja  nesta criatura é o seu ser, todas as criaturas são formadas de muitas coisas. O que quer que haja em Deus é o próprio Deus. Novamente, há uma bondade universal em Deus, e não há nenhum como Ele nisto. Uma criatura possui uma bondade em si, e outra [possui] uma outra [bondade], mas Deus possui toda a bondade nEle. Há toda a excelência e beleza em Deus em uma eminente maneira, que não há ninguém como Ele nisto. Todos os seres são  apenas  uma  excelência  em  Deus,  mas  nós  apreendemos  Deus  em muitas excelências,  um  atributo  brilha  por  meio  de  uma  criatura  e  outro  [atributo]  por  meio de outra, ainda assim, estão todos reunidos em Deus. E tudo o que está nEle é originado dEle,  Ele  é por  Si  mesmo  e  de  Si  mesmo  e  para  Si  mesmo.  Então,  ninguém  podecomunicar a si mesmo como Deus pode, ninguém pode infligir o mal ou transmitir o bem como Deus o pode. 

É peculiar a Deus o comunicar o tanto de Si mesmo quanto Ele deseja, o que nenhuma criatura  pode fazer.  Embora  a  criatura  tenha  apenas  pequenas,  algumas  gotas  de bondade em comparação ao infinito oceano que há em Deus, ainda assim a criatura não consegue  comunicar  estas  gotas  como [ela]  deseja.  É  uma  propriedade  exclusiva  de Deus comunicar a Sua bondade como Lhe aprouver. E não apenas isso, mas Ele pode tornar a criatura a quem Ele comunica a Sua bondade ser tão sensível à Sua bondade quanto  Lhe  agradar,  o  que  ninguém  mais  pode  fazer.  Embora  uma criatura  possa comunicar bondade à outra, isto não consegue tornar a criatura tão sensível a isto quanto [aquela] gostaria, o que Deus pode fazer. 

E então, em infligir o mal, não há ninguém semelhante ao Senhor nisto. O Senhor é capaz de afastar todo o mal, [como também de] trazer todo o mal de uma vez, o que ninguém mais pode fazer. Ele é capaz de fazer a criatura sobre quem Ele inflige um mal ser tão sensível  a  este  mal  quanto  Ele deseja.  Alguém  pode  machucar  outro,  mas  não  pode torna-lo  tão  sensível  à  dor  quanto deseja, mas  isto  Deus  pode  fazer.  Como  Ele  pode trazer todo o mal juntamente, assim Ele é capaz de tornar a criatura tão sensível a tudo o quanto Ele deseja, e Deus contesta isto como Sua propriedade, que Ele, sozinho, possa fazer  o  bem  e  que  Ele,  sozinho,  possa  fazer  o  mal,  e,  portanto,  não há ninguém semelhante a Ele. 

Como resultado disto, segue, então, que não há ninguém a ser adorado como o Senhor. Não  há ninguém  a  ser  honrado  como  o  Senhor.  Os  deuses  pagãos,  por  comunicarem apenas  algum bem  restrito,  requeriam  apenas  um  serviço  restrito.  Culto  exterior,  e adoração  em  alguns aspectos,  poderiam  servir  aos  deuses  pagãos  e  eles  ficariam satisfeitos com isto, e não requereriam nada mais. Houve uma razão para isto, por que eles não podiam desafiar a si mesmos a comunicar um bem universal, pois um deus era para um bem particular e outro [deus] para outro bem específico. Portanto, eles tinham apenas culto restrito apropriado a eles, mas não há ninguém semelhante ao Senhor. Ele exige uma adoração e obediência totais. Tu deves adorar o Senhor teu Deus com todo o teu coração, alma e forças. Posto que não há ninguém semelhante a Ele na excelência de Sua natureza e em toda a forma de comunicação de Si mesmo às Suas criaturas. 

Agora, isto o que eu tenho falado é sobremodo útil em todo o curso de nossas vidas em ordenar os nossos caminhos e pensamentos em relação a Deus. Considerem quão útil isto é. Isto deveria ser nosso cuidado em contemplar qualquer beleza, qualquer bem ou excelência  na  criatura,  manter ainda  em  nossos  pensamentos  e  corações  a  infinita distância que existe entre Deus e a criatura. A escassez disto é a causa da maior parte de todo o mal que há no mundo, e a verdadeira apreensão disto é um meio especial para nos capacitar a glorificar a Deus como Deus. Então, eu digo, quando você contemplar alguma excelência,  beleza,  ou  graciosidade  em  uma  criatura  e  provar  alguma doçura  nisto, assegure-se,  então,  que  você  mantém  em  seu  coração  o  senso  desta  verdade,  que
embora  haja  alguma  doçura  ali,  ainda  assim,  Deus  é infinitamente  acima  da  criatura,  e que existe  uma  infinita  desproporção  entre  esta  bondade,  beleza,  e  excelência  que  há nestas criaturas e o próprio Deus [em Si mesmo]. 

Deus  nos  dá  permissão  para  deixarmos  os  nossos  corações  postos,  e  tomados  de consolo,  da criatura  quando  nós  percebemos  uma  beleza  e  excelência  nela.  Assim  é porque isto é Sua imagem impressa na criatura e é a excelência de Deus que há ali. Um coração espiritual tem mais liberdade para deixar a si mesmo expressar os consolos por parte das criaturas do que qualquer outro no mundo, pois ele pode encontrar e provar de Deus  ali.  Mas,  embora  Deus  nos  permita  isto, ainda  é  de  forma  que  sempre  nós estejamos  convictos  a  guardar  os  nossos  corações  para Deus,  conscientes  da  infinita excelência que há em Deus, acima de qualquer criatura e, se nós não formos vigilantes, iremos logo decair da glorificação de Deus como Deus e nossos corações confiarão na criatura. 

Esta tem sido a base de toda idolatria exterior e espiritual no mundo. A idolatria exterior surgiu assim:  os  homens  primeiramente  observando  alguma  excelência  e  valor  nas criaturas (como o sol, lua e estrelas), reconheceram  a Deus como sendo acima delas e que estes eram apenas criaturas. Havia mais excelência em Deus do que em qualquer deles, mas por fim, contemplando muito a criatura, e sendo influenciado com a excelência que era vista ali, seus corações se apegaram à criatura. Eles perderam a apreensão da infinita excelência de Deus acima da criatura e então se apartaram de Deus e adoraram aqueles que não eram Deus. 

A  idolatria  espiritual  tem  relação  com  aqueles  que  cometem  idolatria  com  riquezas  ou alguma  criatura.  Venham  a  eles  e  digam:  “Como  vocês  apreendem  os  consolos  da criatura? Não há infinitamente mais em Deus do que existe na criatura?” “Sim”, eles dirão, “mas  por  pôr  os nossos  corações  nas  criaturas  e  pela  contemplação  da  beleza  da criatura, nós começamos, progressivamente, a perder a capacidade deste entendimento que  estava  em  nossos  corações  e então  praticamos  idolatria  espiritual  com  a  criatura”. Portanto, deve ser nosso cuidado manter viva e inabalável a nossa compreensão e senso da infinita distancia existente entre Deus e todos os consolos [provenientes] da criatura. 

Enquanto vocês mantêm suas apreensões vivas e fortes aqui, não há perigo e vocês não pecam em permitir a vós mesmos as relações com as criaturas se isto não diminuiu a sua apreensão da infinita desproporção entre Deus e as criaturas. Portanto, agora, vendo que existe  uma  infinita, extraordinária  eminência  da  excelência  de  Deus  acima  de  todas  as criaturas, deve haver pensamentos similares em nossos corações em relação a Deus e a criatura.  Como  há  uma  infinita distância  entre  a  excelência  de  Deus  e  a  excelência  de todas  as  criaturas,  assim,  deve  haver uma  espécie  de  infinidade  na  distância  e desproporção  entre  esta  estima,  deleite, e dependência que  nós  temos  em  e  sobre  a criatura do que nós temos em e sobre Deus. 

Portanto, vocês não devem satisfazer a si mesmos em que reconheçam a Deus acima da criatura, pois todos reconhecerão isto. Mas, vocês devem encontrar em suas almas uma desproporção tal entre a sua estima, gozo, e desejo pela criatura da que vocês têm por Deus, sendo algo como a distância existente entre Deus e a criatura. Agora, a distância é infinita entre Deus e a criatura. Logo, deve haver um tipo de infinidade na distância entre a sua  estima  dispensada,  e  obras  de  seus  corações,  e  empenhos após  a  criatura  e  a estima, e obras de seus corações, e alma as quais vocês têm direcionado a Deus. Isto é para a glorificação de Deus como Deus. Esta é a adoração da alma que nós devemos a Deus no mundo. Esta é a verdadeira santificação do nome de Deus, quando isto ocorre na prática em nossos corações. 

Em segundo lugar, se não há ninguém semelhante a Deus, então a isto segue que não há ninguém semelhante ao povo de Deus, pois como um homem de Deus é, assim Ele é. Seja o que for de bom que um homem escolha, ele é tão bom quanto o seu Deus é. Se um homem ambicioso torna as riquezas o seu deus, ele deve ser julgado, bem e como um homem  voluptuoso  ou  um  pagão. Agora,  se  os  santos  de  Deus  escolheram  este  Deus para ser o seu Deus, e se não há outro semelhante a Ele, então disto segue-se que não há  povo  nenhum  semelhante  ao  povo  de  Deus. Notem  como  o  Espírito  Santo  faz  esta inferência em várias [porções] da Escritura. Deuteronômio 33:26 e 29: “Não há outro, ó Jesurum, semelhante a Deus, que cavalga sobre os céus para a tua ajuda, e com a sua majestade  sobre  as  mais  altas  nuvens”.  Qual  é  a  conclusão  lógica  do  Espírito Santo? “Bem-aventurado  tu,  ó  Israel!  Quem  é  como  tu?  Um  povo  salvo  pelo  Senhor”.  Assim,
vocês veem que de acordo com a glória de Deus em qualquer particular, há uma reflexão nisto referente  aos  santos  de  Deus,  e  esta  é  a  maravilhosa  excelência  dos  santos  de Deus, ter o reflexo de Deus sobre eles. Bem-aventurados são aqueles que tem a Deus por seu Deus. Se Deus é tão excelente, então eles o são! Se Deus é acima de tudo e não há ninguém semelhante a Ele, então eles são acima de todos e não há ninguém como eles! 

Vocês  têm  a  mesma  inferência  do  Espírito  Santo  em  2  Samuel  7:22-23:  “Portanto, grandioso és, ó Senhor Deus, porque não há semelhante a ti, e não há outro Deus senão tu só, segundo tudo o que temos ouvido com os nossos ouvidos”. Observem o que segue, “E quem há como o teu povo, como Israel, gente única na terra”? Então não há ninguém semelhante ao povo de Deus, o que decorre disto, pois eles são semelhantes ao que o seu Deus é. Portanto, Moisés diz, falando sobre o povo de Deus em Êxodo 33:16: “Como, pois, se saberá agora que tenho achado graça aos teus olhos, eu e o teu povo? Acaso não é por andares tu conosco, de modo a sermos separados, eu e o teu povo, de todos os povos que há sobre a face da terra?”. Isto é como vocês leem em suas Bíblias, mas a palavra no  original  significa  “maravilhosamente  separado”.  O  povo  de  Deus  é maravilhosamente separado do mundo. Como Deus é maravilhosamenete elevado acima de todas as criaturas, assim é o Seu povo. Logo, em Números 27:9 é dito que o povo de Deus deve habitar sozinho, e não deverão ser contados dentre as nações. Porquê? Pois eles são o povo de Deus, e o povo deste Deus o qual não há ninguém semelhante a Ele, e, portanto, não há ninguém semelhante a eles. Esta é a consolação dos santos de Deus.

Em terceiro lugar, disto decorre que este deve ser o nosso cuidado que ninguém possa fazer  por seus  deuses  como  o  que  nós  fazemos  pelo  nosso.  Pois,  se  não  há  ninguém como o nosso Deus, então é uma vergonha que alguém que escolhe outros deuses possa fazer por eles algo mais elevado do que nós fazemos pelo nosso Deus. Como para os idólatras, não há ninguém semelhante ao nosso Deus. Certamente todos os idólatras no mundo não têm um deus como o nosso, suas rochas não são como a nossa Rocha. Que vergonha seria, então, se nós não fizéssemos mais pelo nosso Deus do que eles fazem pelos deles. Sim, nós devemos labutar para fazer pelo nosso Deus o que irá alcançar o nível de excelência que nós observamos haver nEle. 

Vocês  verão  o  que  os  idólatras  fazem  pelos  seus  deuses?  Primeiro,  observem  a seriedade  do  espírito  dos  idólatras  após  os  seus  deuses.  Os  seus  corações  são inflamados com os seus ídolos. Assim, nós temos em Isaías 57:5: “Que vos inflamais com os deuses debaixo de toda a árvore verde, e sacrificais os filhos nos ribeiros, nas fendas dos penhascos?” Seus corações eram inflamados pelos seus deuses ídolos que não são como o nosso Deus! Ó, como, então, os nossos corações deveriam ser inflamados pelo nosso  Deus!  Deveríamos  nos  contentar  com  isto,  e  descansar  satisfeitos,  em morta  e friamente  servir  ao  nosso  Deus?  Quanto  impacto  esta  exortação  do  Apóstolo,  em Romanos  12:11,  deveria  ter  sobre  nós:  “Não  sejais  vagarosos  no  cuidado;  sede fervorosos no espírito, servindo ao Senhor”. Este é o Senhor a quem servimos, este é o nosso  Deus,  o  grande  e glorioso  Deus,  e  portanto,  nós  deveríamos  ser  ferventes  em espírito, servindo-O. 

Em Segundo lugar, a Escritura afirma que idólatras, aqueles que adoram falsos deuses, são loucos pelos seus ídolos, Jeremias 50:38. O povo de Deus, então, deveria ter os seus corações apegados a Deus, de forma que aqueles que são carnais e incapazes de julgar olhassem  para  eles  como  loucos, e  de  fato  eles  o  são.  Sempre  que  os  corações  dos santos estão totalmente cheios de Deus, eles são considerados como loucos. São Paulo era considerado um homem louco por Festo, Atos 26:24, e nós não deveríamos ter receio das reprovações do mundo neste sentido, embora eles nos desprezem e pensem de nós como inferiores, vis, e fora de nossos juízos. Os idólatras são loucos pelos seus ídolos. Portanto, se há algo que Deus requer de nossas mãos, embora o mundo considere isto como  loucura, ainda  assim  nossos  corações  devem  trabalhar  por  Deus  nisto.  É  uma vergonha que alguns corações de homens sejam mais por seus deuses do que os nossos corações são pelo nosso, pois não há ninguém semelhante ao nosso Deus. 

Em  terceiro  lugar,  a  seriedade  do  coração  dos  idólatras  pelos  seus  ídolos  aparece  em Jeremias 8:1-2: “Naquele tempo, diz o SENHOR, tirarão para fora das suas sepulturas os ossos dos reis de Judá, e os ossos dos seus príncipes, e os ossos dos sacerdotes, e os ossos dos profetas, e os ossos dos habitantes de Jerusalém; E expô-los-ão ao sol, e à lua, e a todo o exército do céu, a quem tinham amado, e a quem tinham servido, e após quem tinham ido, e a quem tinham buscado e diante de quem se tinham prostrado; não serão recolhidos nem sepultados; serão como esterco sobre a face da terra”. 

Eu tenho frequentemente meditado nesta [porção] da Escritura, que é sobremodo notável. Eu  não conheço  uma  Escritura  em  todo  o  Livro  de  Deus  que  tenha  tantas  expressões para demonstrar a intensidade dos corações do povo de Deus em seguir a Deus comoesta, a qual mostra a força do coração dos idólatras após os seus ídolos. E eles expô-los-ão ao sol, e à lua, e a todo o exército do céu... Notem isto: (1) a quem tinham amado; (2) a quem tinham servido; (3) após quem tinham ido; (4) a quem tinham buscado; (5) diante de quem se tinham prostrado, e tudo em tão poucas palavras. Assim, os seus corações seguiam  os  seus  deuses  ídolos.  Quanto  mais,  então,  deveria  isto  ser  dito  de  nós  em relação ao nosso Deus, a quem nós temos  amado, a quem nós temos servido, e após
quem  nós  temos  ido,  e  a  quem  nós  temos  buscado,  e  diante  de  quem  nós  nos prostramos. 

Observem como a Escritura descreve os espíritos dos homens após os seus ídolos em consideração ao  custo  o  qual  eles  estão  dispostos  a  lhes  conceder.  Isaías  46:6  diz: “Gastam o ouro da bolsa, e pesam a prata nas balanças; assalariam o ourives, e ele faz um deus, e diante dele se prostram e se inclinam”. Eles não se importam com o que custa para  adorar  os  seus  ídolos.  Ó,  que  vergonha isto  seria  se  nós  não  desejássemos  nos desprender  de  muitas  de  nossas  propriedades  para  o verdadeiro  culto  ao  verdadeiro Deus.  Embora  nós  quase  percamos  os  nossos  bens,  se  nós podemos  servir  melhor  a Deus e de uma forma pura, nós ficaríamos satisfeitos, pois os idólatras irão gastar o ouro da bolsa de seus ídolos. Agora, não há ninguém semelhante ao nosso Deus, portanto, é uma vergonha que eles possam fazer mais por seus deuses do que nós pelo nosso. 

E  então,  o  que  os  idólatras  desejam  sofrer  pelos  seus  ídolos?  Em  1  Reis  18:28,  os sacerdotes de Baal se retalhavam com facas e com lancetas, conforme ao seu costume, até derramarem sangue, para demonstrarem respeito aos seus ídolos.  Disponhamo-nos, então, a sofrer qualquer coisa a que Deus nos chamar. E quão constante eles eram por seus ídolos. Desta forma, Deus diz em Jeremias 2:10-11: “Pois, passai às ilhas de Quitim, e vede; e enviai a Quedar, e atentai bem, e vede se jamais sucedeu coisa semelhante. Houve  alguma  nação  que  trocasse  os  seus  deuses,  ainda  que  não fossem  deuses? Todavia  o  meu  povo  trocou  a  sua  glória  por  aquilo  que  é  de  nenhum proveito”.  Quão perverso Deus considera isto, que os idólatras não troquem os seus deuses os quais são infinitamente  inferiores  a  Ele,  e  ainda  assim  o  Seu  povo  troca  o  seu  Deus,  que  é infinitamente superior aos deles! 

Novamente, vamos tomar cuidado para que aqui não sejam encontrados alguns que têm posto o seus corações em suas paixões mais do que nós temos posto em Deus. Junte todas as excelências do mundo, e elas são infinitamente inferiores a Deus. Quanto mais, então, é a luxúria inferior a Deus? Pois o que é uma paixão em comparação a todas as criaturas no céu e na terra? Ainda assim, quantos corações de homens estão postos em suas  paixões?  Sim,  quanto  do  seu  próprio  coração  tem sido posto  em  paixões  ímpias diante disto? Então, pense consigo mesmo que coisa infinitamente insensata é esta que o coração  de  algum  homem  no  mundo,  ou  o  seu  próprio  coração,  possa  ser  mais  posto numa paixão inferior, ao invés de no vivo, eterno e infinito Deus. 

É dito de Acabe que ele vendeu a si que é mau aos olhos do Senhor, em 1 Reis 21:20. Então,  vocês devem  dispor  a  venderem-se  a  si  mesmos  a  Deus,  para  renderem  a  si próprios  para  Deus. Eclesiastes  8:11  diz  que  os  corações  dos  filhos  dos  homens  são dispostos, e inteiramente dispostos para fazer o mal. Não satisfaça-se a si mesmos com alguns  fracos  desejos  e  anseios  por Deus,  mas  faça  o  seu  coração  ser  disposto,  e inteiramente  disposto,  para  Deus.  Em  Miquéias 7:3  é  dito...  todos  eles  tecem  o  mal diligentemente.  Note  isto.  Eles  fazem  o  mal,  e  eles tecem  o  mal  diligentemente,  e  eles tecem o mal diligentemente com ambas as mãos. Agora, então, que vergonha! Não seja vagaroso ao fazer o serviço para o seu Deus. Faça o que é bom, e faça isto com ambas as mãos, e o faça diligentemente com todo o seu coração. 

Nós temos mais uma notável [porção] da Escritura que demonstra como os corações dos homens são inclinados ao que é mal. Provérbios 19:28 diz: “O ímpio escarnece do juízo, e a boca dos perversos devora a iniquidade”. Esta é uma elegante  expressão do Espírito Santo. É uma metáfora tomada da prática de criaturas rudes. Considere uma fera que foi deixada sem bebida por um longo tempo e está excessivamente sedenta. Se você trouxer água,  ela irá  enfiar  a  sua  cabeça  dentro  da  água  como se  pudesse  beber  todo  o  rio e nunca  estar  satisfeita.  Este  é  o  significado  da  frase  “a  boca dos perversos  devora  a iniquidade”. Quando vem até o seu pecado, ele é como ávido por isto, como a fera que foi deixada  sem  água  é  ávida  por  água.  Ó,  como  os  nossos  corações  deveriam  ser infinitamente  mais  ávidos  por  Deus e  por  Seu  serviço do  que  o  homem  perverso  é,  ou pode ser, a serviço de suas paixões. 

Para  concluir  tudo isto,  vocês  têm,  por  fim,  Êxodo  30,  versículo  34.  Havia  um  perfume aqui a ser feito pela composição de perfumista, mas havia esta ordem prescrita... para o perfume que tu farás, o farás não por vós mesmo, de acordo com a composição disso, isto  será  para  ti  santo  ao Senhor.  Então,  eu  concluo  este  ponto:  não  há  ninguém semelhante ao Senhor, Ele é acima de todos. Quando os seus corações, portanto, estão em algum bom empreendimento para Deus, perfumados e elevados em direção a Deus, tomem  cuidado  para  que  eles  não  sejam  inclinados da  mesma  maneira  em  direção  a nenhuma criatura, como são em direção a Deus, pois o vosso serviço a Deus deve ser adequado à natureza de Deus. Agora, não há ninguém semelhante ao Senhor, portanto, não deve haver serviço algum ofertado a alguém como este é ofertado a Deus. Este tanto, para o primeiro aspecto pelo qual o nome de Deus é exaltado aqui, Quem é como Tu, Ó Senhor, entre os deuses! 

Nós agora vamos ao segundo, “glorificado em santidade”. A palavra traduzida aqui como “glorificado” também significa “magnífico” ou “nobre”, e assim é usado em muitos lugares, Tu  és magnífico  e  nobre  em  Tua  santidade.  Irmãos,  esta  é  a  maior  magnificência  e nobreza e elevação de espírito que possa haver, ser santo. O próprio Deus é um Deus magnífico  e  Ele  é enobrecido  pela  Sua  santidade.  Isto  demonstra  a  excelência  da santidade. 

“Glorificado em santidade” é apresentado por alguns como “glorificado em coisas santas”, ou  seja, glorificado  em  Seus  santos  anjos,  glorificado  em  Seus  santos  santificados, glorificado em Sua Santa Palavra, glorificado em Suas santas ordenanças, glorificado em Seu santo culto. Deus, de fato, é mui glorificado em Seus anjos, em Seus santos, em Sua Palavra,  em  Seu  culto, e  em  Suas ordenanças,  mas  nós  tomaremos  as  palavras  como vocês as têm aqui, “glorificado em santidade”. 

Para  a  explicação  da  glória  de  Deus  neste  título,  há  estas  três  coisas  a  serem  feitas: primeiro, mostrar-lhes um pouco do que é a santidade em Deus; em segundo lugar, eu mostrar-lhes-ei como é dito ser Deus glorificado em santidade; e então, em terceiro lugar, eu  demonstrar-lhes-ei  porque Deus  teve  este  título  dado  a  Ele,  porque  é  dito  ser  Ele glorificado em santidade mais do que glorificado em poder, pois foi um ato de poder que Deus tenha impulsionado à destruição os Egípcios e à libertação de Seu povo. 

Primeiramente, o que é a santidade em Deus? Nós entendemos isto, como fazemos com a maioria das coisas a respeito de Deus, pela forma de negação. Mais pelo que não é do que pelo que é. Nós costumamos dizer que a Santidade de Deus é este meio pelo qual Sua  natureza  é  livre  de  todos  os  tipos  de  mistura,  da  menor  sujeira  e  imundície  de pecado. Portanto, Deus é chamado de luz, por que a luz é uma criatura tão pura, e tão livre de qualquer mistura de contaminação que pode estar entre as coisas mais imundas, sem ser corrompido em si  mesmo. Assim,  Deus pode operar com o pecado em si sem qualquer mácula em Sua natureza. 

Se  você  gostaria  de  saber  o  que  é  a  santidade  de  Deus  a  partir  de  uma  perspectiva positiva, eu a descreveria a você desta forma: é a infinita retidão e perfeição da vontade de Deus, especialmente por meio da qual Ele ordena e opera todas as coisas apropriadas à  infinita  excelência de  Seu  próprio  ser.  A  excelência  de  Deus  é  a  mais  elevada,  e, portanto, o padrão de toda excelência, e a vontade de Deus, sendo sempre apropriada a Sua própria infinita excelência e incapaz de variar no mínimo disto, é a norma de toda a santidade. 

Consideremos um pouco disto pela observação da santidade na criatura, e através disto, nós veremos algo da santidade de Deus, pois enquanto não podemos contemplar a glória do sol, por olhar diretamente para ele (sendo um objeto mui brilhante para nós, de forma que nós contemplamos a sua glória pelo reflexo dos raios na água), assim a santidade de Deus  é  mui  resplandecente  para  ser contemplada  em  si  mesma.  Nós  não  podemos compreender  a  infinita  pureza  e  santidade  de Deus  imediatamente,  mas  através  da observação da criatura a qual é, como se fosse, o reflexo da santidade de Deus sobre isto, um raio e feixe disto, nós podemos vir a enxergar algo da santidade de Deus. 

A santidade de uma criatura é a separação dela das coisas ordinárias para um uso santo, ou  a dedicação  da  criatura  em  alguma  forma  de  prontidão  a  Deus  para  o engrandecimento de Seu Nome. A santidade dos santos é a separação de seus espíritos de  todas  as  coisas  comuns  para Deus  como  sendo  a  mais  elevada  e última  finalidade. Quando  eles  são  capacitados  a  trabalhar para  Deus  como  a  máxima  finalidade  e  a desejar  o  que  eles  fazem  em  disposição  a  Deus como  o  fim  último,  e  assim,  como  é apropriado para Deus como o mais elevado propósito, isto é a santidade de seus anseios.

Assim é a santidade em Deus. A Santidade de Deus é a dedicação, por assim dizer, de Deus por Si mesmo; ou seja, Deus, sendo para e de Si mesmo e tendo Ele mesmo como o Seu último propósito, dá a Si mesmo e deseja Ele mesmo como o mais elevado e maior propósito,  e  assim,  regula  todas as  coisas  em  disposição  a  Ele  mesmo,  como  sendo  o último e  mais elevado fim.  Esta é a santidade de Deus, e a imagem desta santidade é esta marca e obra da graça que está sobre a criatura. Quando a criatura é capacitada a desejar Deus como sendo o mais elevado propósito e todas as coisas em subordinação a Ele, a criatura é, então, considerada santa, por que tem a impressão de Deus sobre ela. Esta é a Santidade de Deus. 

Mas,  “glorificado  em  santidade?”  Como  Deus  é  “glorificado  em  santidade?”  Deus  é glorificado em todos os Seus atributos e obras, e verdade é que não existe um aspecto em Deus mais glorificado do que outro, cada atributo do Ser de Deus em Si [é] igualmente glorificado.  Mas,  em consideração  a  manifestação,  e  de  acordo  com  nossa  apreensão, uma  coisa  parece  mais glorificada  do  que  outra  e  Deus  se  apraz  em  falar  conosco  de acordo  com  as  nossas apreensões.  Portanto,  vocês  podem  ver  como  os  santos, especialmente, glorificam a Deus como um Deus Santo. Contemplando-O como um Deus santo, eles, grandemente, regozijam-se e glorificam-nO. Desta forma, o salmista diz, no Salmo 99:3: “Louvem o Teu nome, grande e tremendo, pois é santo”, e no versículo 5: “Exaltai  ao  Senhor  nosso  Deus,  e  prostrai-vos  diante do  escabelo  de  Seus  pés,  pois  é santo”. E depois, no versículo 9: “Exaltai ao Senhor nosso Deus e adorai-o no seu monte santo, pois o Senhor nosso Deus é santo”. 

Assim,  o  povo  de  Deus  eleva  o  olhar  para  Deus  em  Sua  santidade  como  o  especial alicerce de Seu louvor e exaltação. Sim, os anjos no céu elevam o olhar para Deus em Sua  santidade  e especialmente  O  exaltam  por isto,  Isaías  6:3:  Os  querubins  e  serafins clamam  por  três  vezes: Santo,  Santo,  Santo  é  o  Senhor  dos  Exércitos.  Vocês  jamais encontrarão algum dos atributos de Deus, mencionados desta maneira, três vezes juntos. É  verdade,  no  entanto,  que  Deus  é  infinito em  poder  e  sabedoria  tanto  quanto  em santidade, ainda assim, vocês nunca encontrarão na Escritura que Deus é dito ser sábio, sábio,  sábio,  ou  todo-poderoso,  todo-poderoso, todo-poderoso, mas  sim  santo,  santo, santo, três vezes, juntamente. E como os anjos do céu adoram a Deus, especialmente por Sua santidade, assim a igreja de Deus, Apocalipse 4:8, clama: “Santo, Santo, Santo, é o Senhor  Deus,  o  Todo-Poderoso”,  demonstrando  a  bendita  condição  da  igreja  de Deus, quando esta, no futuro, será mais santificada. Deus habitará em meio a eles, e então eles adorarão extremamente a Santidade de Deus, acima de qualquer outro atributo. 

Sim, o próprio Deus parece glorificar a Sua santidade acima de qualquer outro atributo. Portanto, quando Deus quer exaltar a Si mesmo em Sua glória e fornece a vocês a mais elevada  expressão  de Si  mesmo,  Ele  o  faz  nisto:  em  que  Ele  é  santo.  Isaías  57:15: “Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo”. Quando Deus quer engrandecer a Si mesmo, é nisto: em que Seu Nome é Santo. Assim, quando  Deus  quer  jurar  por  Si  mesmo,  Amós 4:2,  Ele  jura  por  Sua  Santidade.  Agora, como  a  Escritura  diz,  que  quando  Deus  não  juraria por  nada  maior,  Ele  jurou  por  Simesmo, então eu digo que quando Deus não juraria por alguma excelência acima desta, Ele jura pela Sua Santidade. 

Deus glorifica no próprio céu como a habitação de Sua santidade. O Céu é a habitação da glória de Deus. Ali Deus expressa a Sua glória plenamente, mas, o que é esta glória? Por que, o mais elevado de tudo é a santidade de Deus, Isaías 63:15: “Atenta desde os céus, e olha desde a tua santa e gloriosa habitação”. Sim, o trono de Deus é a santidade de Deus, Salmos 47:8: “Deus reina sobre os gentios; Deus se assenta sobre o trono da sua santidade”. Salomão fez para si mesmo um trono de marfim e de ouro puríssimo, 1 Reis 10:18, mas o trono de Deus é um trono de santidade, um trono resplandecente, reluzindo santidade. 

Quando  Deus  se  regozija  em  Seu  povo,  Ele  o  faz  porquanto  é  um  povo  santo, Deuteronômio 7:6:  “Porque  povo  santo  és  ao  Senhor  teu  Deus;  o  Senhor  teu  Deus  te escolheu, para  que lhe fosses  o  seu  povo  especial,  de  todos  os  povos  que  há  sobre  a terra”.  Além  disso,  vocês encontrarão  que  este  atributo  de  santidade  é  mais especialmente atribuído a terceira pessoa da Trindade. Deus o Pai é um Deus santo, o Filho é o Santo de Deus, mas o Espírito Santo tem o Seu nome proveniente da santidade. É bem observável que todas as três pessoas exigem um igual compartilhamento na obra em operar a santidade na criatura, sendo tal uma porção da glória de Deus que todas as três pessoas a operam aonde quer que seja. 

O Pai é um Santificador. Judas fala sobre a obra da santificação através de Deus o Pai, no primeiro versículo de sua epístola: Aos chamados, santificados em Deus Pai. O Filho, Efésios  5:25-26:  Vós, maridos,  amai  vossas  mulheres,  como  também  Cristo  amou  a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela Palavra. Para que finalidade? Não somente para que Ele pudesse levá-la ao  céu,  mas  para  que  Ele  pudesse  também santificá-la.  Então,  o  Espírito  de  Deus,  1 Coríntios  6:11:  E  é  o  que  alguns  têm  sido;  mas haveis  sido  lavados,  mas  haveis  sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus. Assim, que todas as três pessoas vem para compartilhar desta obra. Esta é a gloriosa obra do Pai, Filho, e Espírito Santo. 

Porém, para demonstrar isto ainda mais, a santidade deve ser a glória de Deus, porque é a mais elevada perfeição e retidão de um agente inteligente livre. Um agente inteligente livre é o ser mais elevado de todos, e santidade é a retidão deste ser e, portanto, deve ser gloriosa. Portanto, esta é aquela graça chamada imagem de Deus, porque é aquela que representa  Deus  em  Sua  mais  alta excelência.  Uma  imagem  de  algo  que  expressa  a excelência disto. Se isto apenas o expressa em uma forma comum e geral, não é uma imagem.  Na  Escritura,  a  santidade  é  chamada  de  a formosura  de  Deus,  Salmos  27:4: “Uma coisa pedi ao Senhor, e a buscarei: que possa morar na casa do Senhor todos os dias da  minha  vida,  para  contemplar  a  formosura  do  Senhor, e inquirir no  seu  templo.” Agora, o que é a formosura de Deus apenas a formosura da santidade? A santidade de Deus que aparece em Suas ordenanças e [em] Seu culto é o brilho e beleza do infinito Deus  da  glória.  No  Salmo  110:3  as  ordenanças  são  chamadas  de  ornamentos  desantidade:  “O  teu  povo  será  mui  voluntário  no  dia  do  teu  poder;  nos  ornamentos  de santidade”. 

Sim, sementes de santidade, mesmo a própria imagem disto na criatura é chamada de glória de Deus, Romanos 3:23: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”. Mesmo o início da obra da santidade no coração dos santos é chamado de glória de Deus, muito mais, então, a infinita santidade da própria natureza de Deus. Além disso, é  a  santidade  que  lança  um  brilho  sobre todos  os  outros  atributos  de  Deus  e  os  torna gloriosos  e  honrosos.  Salmos  111:9:  Santo  e tremendo  é  o  Seu  nome.  Este  nome  de Deus é, portanto, digno de reverência porque é santo. 

Então, tome o  máximo de excelências que estão em Deus. Se elas são tais que vocês possam considerá-las separadas de Sua santidade, elas não fazem o Seu nome digno de reverência.  Isto demonstra  quão  infinitamente  isto  nos  interessa  em  nos  empenharmos pela santidade. Se todas as excelências de Deus não pudessem fazer o Seu nome digno de reverência, sendo separadas da santidade, então deixe a criatura ter que excelência deseja em partes, por propriedade, por dignidade e honra no mundo. Retire a santidade e você não pode dizer venerável é o Seu nome, mas é santo e venerável o Seu nome. É dito de Deus que Seu nome é reverenciado por que é santo. 

O nome de Deus é glorificado por causa da santidade, por que é a finalidade especial de toda  a  Sua obra  promover  a  santidade.  Quando  um  artista desenha  algo, ele  mostra  a arte  sem  seu  início, mas  quando  ele  finaliza,  demonstra  a  excelência  de  sua  feitura. Assim é com Deus. Deus será honrado em todas as Suas obras da criação e providência, mas agora Ele vem ao seu máximo e zênite de tudo, e isto é que Ele pode ser honrado como um Deus santo e que Ele pode ter um povo santo para honrá-lO agora e por toda a eternidade. A santidade é aquilo em que Deus destinou ao criar o céu e terra.  É aquilo pelo que Deus objetiva em todos os meios de Sua providência. É o grande negócio para o qual o Filho de Deus veio ao mundo: para que Ele pudesse resgatar para Si mesmo um
povo  para  serví-Lo em  santidade.  É  a  finalidade  do  grandioso  desígnio  de  Deus desde toda  a eternidade:  que  Ele  possa  manifestar  a  formosura  de  Sua  própria  santidade naqueles  dois grandes  atributos:  misericórdia  e  justiça.  Estes  são  os  ramos  da  sua santidade. Que Ele possa fazê-los brilhar para toda a eternidade, este é aquilo pelo que Deus objetiva. Desta forma, a santidade deve ser a glória do Nome de Deus.

Mas,  qual  é  a  razão  deste  título  dado  a  Deus  no  cântico  de  Moisés:  “glorificado  em santidade?” A razão é demonstrar que a infinita excelência do poder de Deus é tal que é sem qualquer  mistura  do  mínimo  mal  em  seu  exercício.  Aqui  houve  um  ato  de demonstração de tremendo poder, e Deus foi infinitamente santo neste ato de poder. Isto é diferente com os homens (notem a diferença entre Deus e os homens). Isto é algo muito difícil  para  um  homem,  fazer coisas grandiosas  e  manifestar  grande  poder  sem  uma mistura de mal. Quando a água corre rasa, deve correr claramente, mas quando as águas sobem e transbordam, elas correm lamacentas. Usualmente, uma grande quantidade de sujeira vem com grandes correntezas. Nós não manifestamos a nossa impureza em obras comuns  e  ordinárias,  mas  quando  nos  objetivamos  realizar  grandes  coisas. Raramentenós não manifestamos uma grande quantidade de impureza, mas é o oposto com Deus. Deus é grande em poder e, nisto, mantem a glória de Sua santidade. E Deus manifestou aqui  a  grandiosidade  de  Sua  ira  sobre  os  Seus  inimigos  e,  também,  a  glória  de  Sua santidade. 

Isto é algo muito difícil para os homens fazerem. Deixe os homens terem as suas raivas um  pouco agitadas  e  quanta  sujeira  eles  revelam!  Quantos  há  que  são  extremamente meigos e amoroso enquanto estão satisfeitos, mas deixe que algo agite a sua paixão e que grande quantidade de impureza aparece. Como um lago que está repleto de lama no fundo e límpido na superfície, agite-o um pouco e não há nada, senão sujeira. Um pai ou uma  mãe  não  podem  ficar  desagradados  com um  criança  ou  corrigí-la  sem  ter  uma abundante corrupção vendo sobre sua raiva, nem pode um chefe com seu servo. Quem pode  executar  justiça  sobre  outros  sem  ter  muito  de  si,  e  fins próprios,  e  interesses próprios? Mas aqui está a glória de Deus, que quando Ele manifesta a Sua ira, embora esta seja uma ira dolorosa, Ele ainda é glorificado em santidade na grande ira. 

Ele é infinitamente poderoso em Sua ira e na execução de Seus juízos, e ainda assim, infinito em santidade, também. Portanto, os cálices da ira de Deus são ditos serem feitos de ouro, que é o metal mais puro. Assim, é Deus na execução de Seus juízos. Oh, vamos nos  empenhar  em  imitar  a  Deus nisto.  Vocês  que  têm  um  espírito  passional  e  são facilmente  provocados  e  revelam  uma abundância  de imundície, quão  contrário  a  Deus vocês  são.  Embora  vocês  estejam  insatisfeitos com  isto,  que  é  pecaminoso  e  podem corrigir os seus filhinhos e seus servos, estejam certos de manter o que é a formosura de tudo na correção de outros, e isto é a santidade. 

Este  título  é  dado  a  Deus,  porque,  nesta  Sua  grande  obra,  Ele  manifestou  a  Sua fidelidade pelo  cumprimento  de  Suas  promessas  ao  Seu  povo.  Deus  fez  muitas promessas  ao  Seu  povo para  a  preservação  e  libertação  deles,  e  Deus  cumpriu  estas promessas. Agora, a fidelidade de Deus é um ramo da Sua santidade. Portanto, porque Ele  manifestou  Sua  fidelidade  nesta  obra, Moisés  e  as  outras  pessoas  exaltam  o  Seu nome por meio deste grandioso título, "glorificado em santidade." 

É de grande utilidade para nós que a fidelidade de Deus seja um ramo da Sua santidade. Se vocês compararem duas Escrituras, vocês encontrarão isto assim. Isaías 55:3, é uma [passagem]  onde Deus  diz: “convosco  farei uma  aliança  perpétua,  dando-vos  as  firmes beneficências de Davi”. E esta Escritura é mencionada em Atos 13:34: Eu vos darei as seguras bênçãos de Davi. Assim é como nós a lemos, mas no original é: “As santas e fiéis bênçãos  de  Davi  vos  darei.”  Assim,  quando Deus  vem  a  demonstrar  misericórdia  de acordo com a Sua Palavra, Ele manifesta a glória de Sua santidade, e isto é de utilidade admirável para que o povo de Deus fortaleça a sua fé.

Vocês já ouviram falar que a glória de Deus é a Sua santidade. Agora, uma parte desta santidade é a Sua fidelidade no cumprimento de Suas promessas ao Seu povo. Portanto, isto diz respeito a Deus, como Ele ama a Sua própria glória, para ser fiel no cumprimento de Suas promessas, e Deus olha para isto como Sua glória em fazê-lo. Seus consolossão preciosos para vocês, e sua preservação é estimada por vocês, mas a Glória de Deus é preciosa para Ele. Sim a Glória de Deus é mais preciosa para Ele do que a sua alma, ou a sua condição eterna pode ser para você. O auge da Glória de Deus é a Sua santidade, e Sua santidade consiste nisto, por um lado, Sua fidelidade às Suas promessas. 

Agora, para a aplicação disto. A partir disto, vocês podem observar se já entenderam a Deus corretamente,  ou  não.  Deixe-me  colocar  esta  questão  para  vocês:  o  que  é  esta excelência de Deus que a sua alma se aproxima? Falamos muito de excelência de Deus e  todos  nós  dizemos  que amamos  a  Deus,  nos  deleitamos  em  Deus,  e  bendizemos  a Deus. Mas, agora, o que é isto em Deus que inclina o seu coração a Ele e faz com que a sua alma ame o seu Deus, bendiga o seu Deus, e deleite-se em seu Deus? O quê? É que Deus mostrará misericórdia por você, perdoará seu pecado, salvará sua alma e o levará para o céu? Estas são coisas pelas quais devemos amar e bendizer a Deus, mas deve haver  mais.  É  pela  própria  pessoa  de  Deus  em  Si  que  nossos  corações  devem  ser tomados,  e  deve  ser  a  pessoa  de  Deus  em  Sua  excelência,  e  o  que  é  isso?  Sua santidade!

O resplendor da infinita santidade de Deus alguma vez já brilhou sobre o seu coração, e inclinou o seu coração a Ele? E alguma vez o seu coração já saltou pelo esplendor de Sua santidade? É este o motivo pelo qual você O ama? Se for assim, você conhece a Deus corretamente e seu coração tem sido corretamente inclinado a Ele. Davi diz, Salmo 119:140: “A tua palavra é muito pura; portanto, o teu servo a ama”. Você pode dizer isto? “Oh, Senhor, Tu és puro, Tu és santo, e por isso, o Teu servo Te ama. A Tua Palavra é santa e Teu culto é santo, e Teus servos são santos, as Tuas ordenanças são santas, e, portanto, Teus servos amam a todos estes”. 

Se a beleza da santidade de Deus é o que atrai o seu coração para amar a Deus, então proporcionalmente será a beleza da santidade em todas as coisas santas que inclinará o seu  coração para  amar  e  deleitar-se  nelas.  Então,  você  contemplará  os  Seus  santos como glorificados em santidade, [contemplará] o Seu culto e Palavra e ordenanças como glorificados  em  santidade,  e assim,  o  seu  coração  será  inclinado  para  eles.  No  Salmo 33:21,  você  observa  como  os  santos de  Deus  se  alegraram  no  Senhor  e  tiveram  seus corações inclinados para Ele por causa da Sua santidade,... “Pois nele se alegra o nosso coração; porquanto temos confiado no seu santo nome”. Confiar no Santo nome de Deus é o que faz os nossos corações se alegrarem nEle. 

Em  segundo  lugar,  a  partir  disto,  o  povo  de  Deus  deveria  grandemente  consolar  a  si mesmos em Deus em que eles têm aliança com Ele como um Deus santo. Embora eles encontrem com  muita impiedade no espírito dos homens com que eles conversam, não há  nada  em  Deus,  senão santidade,  sim,  a  própria  formosura  e  glória  da  santidade. Irmãos, isto é algo deleitável, sim, algo raro e bendito, encontrar com um amigo que tem um coração limpo e puro, em quem não há mistura em si, que é santo em seus propósitos e em seus objetivos, que tem um espírito livre de dolo. Que júbilo há quando um amigo que tem um coração puro e limpo, livre de dolo, pode encontrar-se com outro como ele mesmo e podem aproximar-se unidos em cada aspecto! Mas que deleite é, então, unir-se com Deus que é infinito em pureza e santidade, em quem não há mistura nenhuma! Deusdeleita-se em nós porque nós temos apenas algumas gotas de Sua santidade. Oh, quanto nós deveríamos regozijarmo-nos nEle, que é infinito em santidade? 

Quando  nós  nos  lidamos  como  os  homens,  nem  sempre  os  encontramos  sendo  como esperávamos. Muitas vezes nós lidamos com homens de excelentes porções e dons, mas quando nós nos tornamos íntimos deles, não encontramos os seus caminhos e espíritos adequados à eminência e excelência daqueles bens e dons. Esta é uma penosa vexação para  os  santos,  quando  eles  olham para  homens  que  são  eminentes  e  excelentes  e esperam encontrar uma proporção de espírito adequada a isto, mas ao invés disto, eles encontram  uma  abundância  de  imundície  em  seus espíritos.  Embora  isto  possa  vos incomodar,  bendiga  ao  vosso  Deus  nisto,  em  quando  lidam com  Deus,  vocês  não encontrarão nada além de santidade nEle. Vocês O encontrarão operando de acordo com a  Sua  excelência,  pois  eu  vos  relatei  o que  era  a natureza  da  santidade  de  Deus. É  a perfeição  de  Sua  vontade  pela  qual  Ele  opera  todas  as  coisas  de  acordo  com  a  Sua eminência e excelência. O homem tem uma excelência em si, mas nem sempre graça em seu coração para operar isto adequadamente. Mas Deus sempre opera conforme a Sua eminência e excelência. Agora, quando os nossos corações são elevados com uma visão da excelência de Deus e nós consideramos que sempre encontraremos Deus operando de acordo com ela [esta excelência], que consolo é isto para uma alma agraciada contra todo mal que ele encontra no espírito dos homens dentre os quais ele dialoga. 

Para consolo adicional aos santos, se Deus é glorificado em santidade, então os santos são glorificados  em  santidade,  também.  Lembrem-se  o  ponto  precedente:  se  não  há ninguém como Deus, então não há ninguém como o Seu povo; como um homem de Deus é,  assim  ele  é.  Aquilo que  pode  fazer  um  Deus  infinito  glorificado,  deve  fazer  de  um verme,  uma  criatura glorificada.  Isto  é  verdade,  que  o  que  fará  um  pobre  homem glorificado, não fará um rei glorificado, mas aquilo que fará um rei glorificado, deve tornar um  mendigo  glorificado.  Agora,  a santidade  coloca  um  brilho  e  glória  sobre  a  natureza divina em si mesma, sobre o Deus infinito, então, se você a tem, [a santidade] deve pôr glória sobre você. 

Portanto, é  observável que  a  comunicação da  santidade  de  Deus a  nós é  expressa de uma forma diferente do que Ele nos comunica qualquer outro atributo. Quando Deus nos comunica o Seu conhecimento, nós não somos ditos a participar da natureza divina por isto, Seu poder e os demais. Mas, quando Ele nos comunica a Sua santidade, nós somos, então,  considerados  feitos participantes da  natureza  divina.  A  santidade  dos  santos  é semelhante  à  santidade  de  Deus,  por  assim dizer,  um  feixe  de  luz  da  Sua  [santidade]. Assim, a Escritura diz em Hebreus 12:10: “Porque aqueles, na verdade, por um pouco de tempo, nos corrigiam como bem lhes parecia; mas este, para nosso proveito, para sermos participantes  da  sua  santidade”.  Observem  isto:  “Sua  santidade”. Portanto,  isto  coloca uma maravilhosa glória e excelência sobre nós, pois isto nos capacita a agir como Deus e viver como Deus, pois, o que é a santidade de Deus, como eu disse anteriormente, senão aquilo pelo qual ele opera para Si mesmo como o Seu propósito final, conforme a Sua
própria excelência?

Assim,  os  santos  vêm  a  trabalhar  para  Deus  conforme  a  sua  medida  como  o  seu propósito final, apropriado à infinita excelência do próprio Deus. Eles vivem como Deus vive e agem como Deus age, e assim são qualificados a terem comunhão com Deus. A vida de uma planta a faz desajustada para ter comunhão com as feras, nem tampouco a vida das feras com os homens, nem tampouco os homens com a vida de Deus. Agora, a santidade é a vida mais elevada de todos os seres, sendo a vida de Deus. Portanto, isto torna alguém qualificado para a comunhão com Deus, pois na comunhão deve haver a mesma vida. 

Portanto, nenhuma criatura pode ter comunhão com Deus, se não vive a mesma vida que Deus  vive, mas  se  você  participa  da  santidade,  você  vive  a  vida  de  Deus,  e  assim,  é qualificado para ter comunhão com o próprio Deus. 

Além disso, isto não apenas coloca glória sobre a sua pessoa, mas sobre tudo o que você tem e faz. Isto santifica tudo. Como o ouro foi santificado pelo altar, assim cada ação e caminho naturais da providência comum de Deus são santificados para o povo de Deus. Há um brilho sobre todo o bem que eles gozam pela virtude desta santidade que Deus coloca em seu interior. Como a santidade de Deus coloca um brilho sobre todos os Seus atributos,  assim  a  santidade  nos  santos  coloca  um brilho  em  suas  porções,  nomes, propriedades, e conversação com outros. Há uma beleza sobre todos pela santidade. Se um homem de excelentes porções não tem santidade, não há brilho e beleza nele; mas tome um homem que tem porções hábeis e também santidade, oh, o brilho que, então,
aparece nele!

A santidade é o real princípio da vida eterna, o genuíno início da vida eterna no coração, e aquilo pelo que certamente crescerá a via eterna. Santidade é o peculiar objeto do deleite de Deus. Deus não se deleita nas pernas de um homem, mas em sua santidade. Deixe um homem ser o que ele deseja, se Deus vê qualquer impressão de santidade nele, Sua alma se aproxima daquela alma. 

Santidade é aquilo que separa a criatura para Deus e vida eternal. Há uma dupla-forma de separação de uma criatura para Deus. Vocês têm a expressão no Salmo 4:3: “Sabei, pois, que o Senhor separou para si aquele que é piedoso”. Ele é separado passivamente, e  depois,  ele  tem  um  princípio  ativo para  separar-se  para  Deus.  Deus, em  Sua  eleição eterna, separou aqueles que Ele decidiu salvar para Si mesmo. “Aqui estão aqueles,” diz Deus, “que Eu separei do amontoado comum da humanidade para magnificar as riquezas da Minha graça [sobre] e para viver comigo por toda a eternidade.” 

Se  Deus  olhasse  do  céu  para  um  homem  ou  mulher  na  congregação  e  diz:  “Seja conhecido por todo o mundo que Eu, desde a eternidade, separei tal homem ou mulher para glorificá-los comigo mesmo para sempre” todos olhariam para tal homem ou mulher como  criaturas  de  fato  gloriosas. Mas  agora  saiba  que  se  Deus imprimiu  a  imagem  de Sua  santidade  sobre  você,  você  tem tanta  honra  de  Deus  como  se  Ele  tivesse  falado desta  forma  a  você,  e  em  alguns  aspectos, mais.  Pois,  se  Deus  declarasse isto desde toda a eternidade, [que] você foi separado da criatura para Deus, isto seria glorioso; masquando Deus colocou um princípio de Seu próprio Espírito em você, e o habilitou a fazer você mesmo separar-se e consagrar a si mesmo e a tudo o que tem a Deus, isto é maior. No outro você é passivo, mas nisto você é ativo.  

Há mais mal na impiedade do que na reprovação. Os homens têm receio da reprovação, que Deus deveria separá-los desde a eternidade para magnificar a glória de Sua justiça sobre eles, e isto é realmente terrível. Mas enquanto você considera isto tão terrível, você estar  ativo  nisto  é  mais terrível.  Pela  imundícia  e  perversidade  de  seu  coração  e  vida, você  ativamente  separa-se  para a  ira  e  miséria  eternas.  O  outro  é  passivo  e  você  é somente separado, mas na iniquidade de seu coração você é ativo e separa a si mesmo. Santidade é a dedicação da criatura para Deus, a separação de si de todas as demais coisas  para  Deus,  por  um  princípio  ativo.  Por  outro  lado,  o  pecado  é a  separação  da criatura, por um princípio ativo, de Deus para toda miséria. 

 Como a santidade faz o nome de Deus ser reverenciado, então a santidade nos santos coloca uma reverênia sobre eles nas próprias consciências dos homens ímpios. Tome o mais  vil  dos  homens ímpios.  Embora  eles  clamem  contra  você,  se  você  anda rigorosamente,  o  seu  próximo  andar com  Deus  obterá  respeito  e  reverência  de  seus corações,  a  despeito  de  seus  corações.  A razão pela  qual  o  povo  de  Deus  não  obtém respeito e estima é porque eles não andam rigorosamente. Muitos homens enganam a si mesmos. Eles pensam que o rigor é desprezado e condenado e, por isso, eles começam a diminuir e mitigar em seu andar correto. Mas isto os torna não-estimados, e é justo para com Deus que isto seja assim.

A diminuição da santidade ajuda você a ganhar mais respeito? Não, ande mais próximo a Deus e você  terá  mais  respeito  das  consciências  dos  homens.  Façam  o  que  eles puderem, você irritará brilho deles, mas você convencerá as suas consciências. No mais sério ânimo eles dirão: “Oh, que a minha alma estivesse na alma deste homem!”. Quão frequente eles assim o dizem nos seus leitos de morte! Santidade coloca uma excelência e glória nas coisas baixas e medianas.

Na Lei, que glória é colocada em um pedaço de madeira, ou couro, ou cobre, quando isto foi consagrado  para  um  uso  santo.  Isto  foi ordenança  de  Deus.  Deus  estabeleceu isto, não o homem. Pois um homem pensar que está em poder de sua vontade fazer com que Deus  estime  uma criatura,  ou  que  outros,  em  referência  a  Deus,  devem  estimar  uma criatura  mais  do  que  o que  Deus  tem  estabelecido,  é  um  grande  erro.  Que  eu  deveria colocar uma excelência divina sobre aquele que tem apenas uma excelência natural em si, seria grande ousadia de minha parte, mas se a ordenança de Deus é assim, então há uma  glória  colocada  sobre  ele,  como  no  templo. Porque  foi  dedicado  a  Deus,  por instituição  divina, a  própria  madeira,  cobre, e  tudo  tinha  uma excelência  sobre  si.  Se a santidade  cerimonial  coloca  tal  excelência  sobre  um  pedaço  de couro,  em  cima  de  um pedaço de couro, então o que a imagem de Deus colocará sobre a alma imortal?!

Outra  aplicação  é  esta:  se  Deus  é  glorificado  em  santidade,  então,  certamente,  Deus manterá a santidade no mundo. Esta é uma razão, dentre outras, pela qual este título édado  a  Deus,  por  que Ele  trabalhou  pela  Sua  igreja.  Deus  honrará  as  Suas  próprias ordenanças e culto, e preservará os Seus santos que são santos. “Guarda-me, ó Deus”, disse Davi, pois eu sou santo, e Tu não “permitirás que o teu Santo veja corrupção”. Se você é um santo de Deus, Ele não deixará você em poder da corrupção. Ele defenderá você,  e  sustentara  você.  Portanto,  diz  o  Salmista  no  Salmo  68:35: “Ó Deus,  tu  és tremendo desde os teus santuários”. 

Há aqui alguém que prejudicará o povo de Deus quando eles estão a caminho do Seu santo  culto? Deus  será  tremendo  desde  os  Seus  santuários  sobre  os  tais.  Estas expressões são contra os inimigos de Deus, por que é contra a santidade de Deus e a santidade  do  povo  de  Deus  que  eles se  colocam.  Deixem  todos  os  homens  tomarem cuidado  com  o  que  fazem  em  oposição  aos santos  e  aos  caminhos  do  santo  culto  de Deus,  pois  Deus  manterá  a  santidade.  Desta  forma, isto  interessa  a  nós  todos,  para honrarmos a santidade nós mesmos e exaltarmos a glória da santidade de Deus, tanto quanto  pudermos  no  mundo.  Labutemos  para  ser  santos  como  o  nosso Pai  celestial  é santo. Faça  o  Salmo  90:7  ser  a  sua  oração:  “E  seja  sobre nós  a formosura  do Senhor nosso Deus”. Oh, cresça mais em santidade, que é a beleza de Deus. Converse muito com Deus  para  que  você  possa  ser  santo.  Quando  Moisés  ficou  por  quarenta  dias  no monte, conversando  com  Deus,  ele  desceu  com  a  sua  face  brilhando,  e  certamente aquelas pessoas que conversam bastante com Deus, terão as suas faces resplandecendo com santidade. Há muito a ser feito pela conversação com Deus, que é um Deus santo. 

Expresse a beleza da santidade em sua conduta para que os outros possam dizer que se um raio de luz de santidade é tão deleitoso em uma pessoa, então quão glorificado em santidade  é  o  próprio Deus! Lembro-me  o  que  um  pagão  disse  do  Deus  dos  Cristãos, quando  viu  a  coragem  deles.  Ele disse  que  o  Deus  dos  Cristãos  é  um  grande  Deus. Andemos  tão  santamente  diante  dos  outros para  que  eles  possam  ler  a  santidade  em nossa  conduta  e  ser  forçados  a  dizer  que  o  Deus deste  povo  é  um  Deus  santo. Especialmente, observe o seu coração, para purificá-lo quando você se aproxima deste Deus santo neste culto santo. Em seguida, empenhe-se para santificar o Seu nome. Olhe para os seus pés. Não adentre em sua imundície na presença de tão santo Deus.

É uma expressão notável a de Josué, em Josué 24:19, quando o povo diz: “também nós serviremos ao  Senhor,  porquanto  é  nosso Deus.”  Josué  disse:  “Não  podereis  servir  ao Senhor,  porquanto é Deus  santo”.  É  como  se  ele  dissesse:  “É  outra  forma  de empreendimento servir ao Senhor, do que vocês pensam, pois vocês têm que lidar com um Deus santo. Culto exterior não servirá por Sua vez”. 

Isto é uma prova de que o povo não conhece a Deus quando eles podem transformar o Seu serviço tão desprezivelmente. Uma visão de Deus colocaria você em outra forma. Se você  conhecesse  a  Deus em  Sua  santidade,  olharia  para  o  serviço  a  Deus  como  um grande  serviço.  Você  serviria  a Deus.  Como  Samuel  6:20  diz:  “Quem  poderia  subsistir perante este santo Senhor Deus? E a quem subirá de nós?” Se você compreendesse que Deus  é  um  Deus  Santo,  o  seu  coração  estaria acometido  de  temor  e  tremor,  e  diria: “Quem  pode  subsistir  perante  este  Deus  santo?”. Salmos  89:7  diz:  “Deus  é  muito formidável  na  assembleia  dos  santos,  e  para  ser reverenciado por  todos  os  que  o cercam.”  Deus  deve  ser  tido  em  reverência  por  todos  os  homens,  mas  se vocês aproximam-se dEle, então devem labutar para santificar os seus corações. Jó 13:11 é um texto notável: “Porventura não vos espantará a sua alteza, e não cairá sobre vós o seu terror?” Vocês têm ouvido que a santidade de Deus é a Sua excelência, então eu digo a vocês que têm que lidar com Ele, a Sua excelência não deve fazê-los temer? Vocês são conscientes de sua impureza, e entram na presença de um Deus santo e não temem e tremem  perante  a  Ele?  Oh,  que  coragem,  [que] coração  ousado  vocês  têm  para  que possam entrar na presença de um Deus santo com um coração ímpio e não tremem. Isto seria de utilidade admirável em todas as nossas relações com Deus, ter compreensões nítidas de Sua santidade.

Labutem  para  magnificar  a  Deus  desta  forma.  Como  Deus  é  glorificado  em  santidade, então exaltem-nO em Sua glória através da preservação da pureza de Seu culto. Isto é uma coisa especial para a qual Deus olha: que evitemos profanar o Seu culto, naquilo que fazemos. As ordenanças de Deus são a beleza de Sua santidade. Portanto, nós devemos labutar  para  vir  puros  e  limpos  a elas. É  isto  o  que  Deus  ordena  à  Sua  igreja,  manter santos os vasos de Seu santuário, e estes são as ordenanças. Em Êxodo 20:24-25, Deus instrui a eles que Lhe façam um altar, mas Deus diz: Se Me fizerem um altar de pedras, não o façam com pedras lavradas: por que o uso de ferramentas o profanaria. 

“O quê”, eles poderiam dizer, “faremos um altar de pedras brutas? Não o poliremos e o faremos  belo e  suntuoso?  Isto  não  o  faria mais  atrativo  ao  olhar?  “Não”,  Deus  diz,  “se vocês utilizarem ferramentas nele o profanariam.” Nós somos aptos a pensar que tais e tais misturas de homens e tais e tais cerimônias fariam glorioso o culto a Deus, mas isto é um grande erro. 

É algo normal para as prostitutas pintar os seus rostos. Elas não estarão contentes com a sua  beleza natural,  mas  são  mais  pomposas  em  sua  aparência  do  que  os  castas matronas 2  o são. Assim é com a prostituta da Babilônia. Quão gloriosos eles são em sua adoração? Que coisas esquisitas eles têm que fazer para externalizar sentimentos, não havendo a pureza do culto à Deus? Certamente, estas coisas profanam o culto a Deus. Comparem dois textos sobre isto. Isaías 44:9: “Todos os artífices de imagens de escultura são vaidade, e as suas coisas mais desejáveis são de nenhum préstimo”. Notem isto, as imagens  dos  idólatras  são  coisas  desejáveis  em  sua  estima,  mas  veja o  que  Deus  diz delas, Ezequiel 7:20: “E a glória do seu ornamento ele a pôs em magnificência, mas eles fizeram nela imagens das suas abominações e coisas detestáveis; por isso eu lha tenho feito coisa imunda.” Eles as chamam coisas desejáveis, mas Deus as chama detestáveis. Mas, quando Deus fala de Suas próprias ordenanças, Ele diz que Ele põe a beleza de Seu ornamento em magnificência. 

Oh, o culto a Deus na clareza e simplicidade do Evangelho! Isto é o ornamento de Deus, a beleza de Seu ornamento, e a beleza de Seu ornamento põe em magnificência!

Que expressões estão aqui? Este é o culto a Deus, mas se o homem  mistura qualquer coisa de si próprio no culto a Deus, isto é detestável a Deus. Portanto, se nós queremos honrar  e  magnificar  a Deus  em  Sua  santidade,  mantenhamos  o  Seu  culto  puro,  para  a santidade estar no culto a Deus para sempre. 

A consideração disto deveria humilhar-nos e envergonhar-nos pelo restante da impiedade que há em nossos corações. A visão da santidade de Deus, fez Isaías clamar, Isaías 6:5: “Ai  de  mim!  Pois estou  perdido;  porque  sou  um  homem  de  lábios impuros,  e  habito  no meio de um povo de impuros lábios; os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos.” Certamente não há nada no mundo que tem tanto poder de humilhar o coração quanto a santidade de Deus. O seu coração é corretamente humilhado pelo pecado quando você o olha como sendo aquilo que é oposto à natureza pura de Deus. Eu não sou incomodado pelo pecado apenas porque eu tenho medo que isto me levará para o inferno junto com ele, mas por que eu tive um vislumbre da infinita santidade de Deus e da pureza de Sua natureza. Eu tenho uma natureza tão imunda e contrária à infinita santidade dEle. Nisto, examinem  os  seus  corações  se  a  sua  humilhação  é  justa  ou  não.  Isto  é  um  bom argumento  quando  a  infinita  santidade  de  Deus  tem  feito  com  que  você  veja  a  sua impureza e, por isso, tem humilhado-o. 

Por último, que necessidade todos nós temos de Jesus Cristo. Se Deus é glorificado em santidade, nos deveríamos dizer: “Quem pode subsistir perante um Deus tão santo!”. Se não fosse pela santidade do bendito Mediador, que está entre o Pai e nós, e apresenta Sua infinita satisfação ao Pai pelos nossos pecados, e nos veste com Sua justiça, ai, ai de nós! Se você pudesse imaginar que todas as excelências do céu e terra foram postas em uma  criatura,  exceto  a  santidade,  se  aquela  criatura tivesse  apenas  uma  gota  de impureza e impiedade nela, Deus eternamente odiaria aquela criatura. Não houvesse um Mediador entre aquela criatura e Deus, Deus eternamente despejaria sua ira sobre ela, pois Deus é tão glorificado em santidade que Ele odeia infinitamente a imundície. Nós nos maravilhamos quando ouvimos da grande miséria contra os homens ímpios, mas nós não nos maravilharíamos se conhecêssemos a santidade de Deus. 

Deus  odeia  tão  infinitamente  o  pecado  que  Ele  instantaneamente  enviou  os  anjos  que caíram para cadeias de eterna escuridão, e recusou-se a entrar na mínima negociação com  eles  ou  a  ser reconciliado  com  eles.  Agora,  qual  é  a  razão  que,  embora  nós tenhamos tão mais impureza em nós, e Deus Se agradou em reconciliar-Se conosco, e admitir-nos na Sua Presença e dá-nos esperança de ver a Sua face com júbilo por toda a eternidade? É por isto: porque nós temos um Mediador e eles não tem. Se não fosse por isto,  nós  poderíamos  verter  rios  de  sangue  de  nossos  olhos  e  Deus nos  odiaria  e  nos abominaria. Sua ira nos alcançaria eternamente. 

Portanto,  embora  vocês  possam  se  alegrar  na  santidade  inerente,  deixem  os  seus corações particularmente descansarem na santidade de Jesus Cristo, e ofereçam isto a Deus. Embora vocês tenham muita impureza em si mesmos e em seus deveres (pois o que é para nós oferecer dever ao santo Deus), deixe isto consolá-los. Vocês não devem lidar com Deus por si mesmos, mas através de Cristo, e nEle vocês têm liberdade de vir. Vocês  podem  contemplar  a  face  de  Deus  com  ousadia. Este  é  o  grande  mistério  da piedade revelada no Evangelho, que, apesar da infinidade da santidade de Deus, há um caminho para nós, criaturas imundas, para olharmos para este Deus com regozijo. Este mistério é apenas ensinado no Evangelho. Embora os homens agora pensem que podem vir e chorar com você, e você veja a sua impureza, o seu coração afundará em desespero eterno. Você não será capaz de suportar a contemplação de Deus, então. E se você não estiver familiarizado com Deus neste caminho de reconciliação, você estará perdido para sempre. Por isso, estude o mistério do Evangelho. Faça uso de Cristo para que a glória da santidade de Deus não seja para o seu terror, mas para o seu consolo.


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* Fonte 1: APuritansMind.com │ Título Original: The Incomparable Excellency and Holiness of God

* Fonte 2: Livro/e-book "A Incomparável Excelência e Santidade de Deus" por Jeremiah Burroughs

* Tradução por Camila Rebeca Almeida │ Revisão por William Teixeira

* As citações bíblicas usadas nesta tradução foram retiradas da versão ACF (Almeida Corrigida Fiel)

* Fonte 3: OEstandarteDeCristo.com
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