Eleição Divina e o papel do Filho - Steven J. Lawson

Em lCoríntios 15.25-28, vemos uma notável conclusão de toda essa discussão. Ali Paulo diz:
Pois é necessário que ele Cristo reine até que todos os seus inimigos sejam  postos debaixo de seus pés. O último inimigo a ser destruído é a morte. Porque ele  “tudo sujeitou debaixo de seus pés”. Ora, quando se diz que “tudo” lhe foi sujeito, fica claro que isso não inclui o próprio Deus, que tudo submeteu a Cristo. Quando, porém, tudo lhe estiver sujeito, então o próprio Filho se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, a fim de que Deus seja tudo em todos.


Referindo-se ao fim dos séculos, esta passagem nos revela que virá o dia em que Cristo, o Rei dos reis, assumirá seu legítimo trono e reclamará o universo, que lhe pertence. Nesse tempo, tudo será posto em sujeição a ele, a morte inclusive, e todos os redimidos serão reunidos na glória, alegrando-se na plenitude da adoração eterna. Quando tudo isso for feito, “então o próprio Filho se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou [referindo-se ao Pai], a fim de que Deus seja tudo em todos”. Noutras palavras, quando o presente de amor completo, de uma humanidade redimida, tiver sido dado a Jesus Cristo, ele tomará essa humanidade redimida e, incluindo-se neste presente, dará tudo de volta ao Pai, como uma expressão recíproca do amor infinito do Pai. Naquele momento, os propósitos redentores de Deus serão concretizados plenamente.

Segue-se, pois, que a doutrina da eleição está no verdadeiro coração da história da redenção. Não se trata de alguma doutrina insignificante, esotérica, que poderia ser trivializada ou relegada a debates nas salas de aulas dos seminários. Antes, ela é o centro pelo qual podemos entender a salvação e a igreja. A doutrina da eleição informa, instrui, modela a nossa evangelização, a nossa pregação e a nossa identidade como corpo de Cristo.

Também nos ajuda a entender por que Cristo leva tão a sério a sua noiva, a igreja - esta é o presente de amor que o Pai lhe deu. A igreja é tão preciosa para Cristo, que ele se dispôs a suportar grandes tribulações e finalmente a sofrer a morte para receber o presente. “O Filho sendo rico, se  fez pobre  por amor de vocês, para que por meio de sua pobreza, vocês se tornassem ricos” (2C0 8.9; cf. Fp 2.5-11). Ele deixou de lado infinitas riquezas espirituais para que os seus elei­tos herdassem essas mesmas riquezas (cf. Rm 8. 17).  Ele acatou a mais profunda pobreza possível, despindo-se de tudo o que lhe propiciava perfeito bem-estar e do uso independente dos seus atributos divinos, escolhendo abraçar a penalidade do pecado mediante seu sacrifício na cruz. Como Paulo explica: “Deus o Pai tornou pecado por nós aquele o Filho que não tinha pecado, para que nele nos tornássemos justiça de Deus” (2Co 5.21).

Jesus não era culpado de coisa alguma. Contudo, na cruz, o Pai o tratou como se ele tivesse cometido pessoalmente todos os pecados cometidos por to­dos os indivíduos que creram ou que viriam a crer. Apesar de isento de culpa, enfrentou a fúria total da ira de Deus, sofrendo a penalidade do pecado em favor daqueles que veio salvar. Desse modo, o Filho de Deus, sem pecado, tornou-se o substituto perfeito dos filhos dos homens, pecadores.

Como resultado do sacrifício de Cristo, os eleitos se tornaram a justiça de Deus nele. Do mesmo modo como o Pai tratou o Filho como pecador, mesmo sendo ele sem pecado, o Pai agora trata os crentes, mesmo  pecadores,  como justos. Jesus trocou sua vida pelos pecadores a fim de cumprir o plano eletivo de Deus. E o fez para que, no fim, pudesse dar de volta ao Pai o presente de amor que o Pai lhe deu.
Meditando nestas verdades, nós nos vemos atirados nas imensuráveis profundezas dos planos e dos propósitos de Deus. Como Paulo exclamou em Romanos 11.33-36: Ó profundidade da riqueza da sabedoria e do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos e inescrutáveis os seus caminhos! “Quem conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro?” “Quem primeiro lhe deu, para que ele o recompense?” Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre. Amém.

Tomados de temor e maravilhados, aqueles que amam a Deus só podem reagir com profundo desejo de adoração e humilde submissão. Eles sentem necessidade de louvá-lo por sua misericórdia, graça e glorioso propósito, que planejou isso tudo desde o início do tempo. E sentem  necessidade de submeter-se à sua soberania, não somente no universo em geral, mas também nos mínimos pormenores de suas vidas diárias. Esse é o papel que eles desempenham como parte do presente de amor dado pelo Pai ao Filho. Que o adorem e o sirvam é o propósito estabelecido para eles desde a eternidade passada. E é isso que eles continuarão a fazer perfeitamente, no inefável gozo da glória eterna.

A  realidade é, pois, que os crentes são simplesmente uma diminuta parte de um plano divino muito maior. O Pai, por causa do seu amor pelo Filho, determinou-se, antes do princípio do tempo, a escolher uma comunidade redimida que louvaria o Filho por toda a eternidade.  E o Filho, devido a seu amor pelo Pai, aceitou este presente de amor do Pai, considerando-o precioso a ponto de entregar sua vida por ele. O Filho protege aqueles que o Pai escolheu para lhe dar, e promete levá-los para a glória, em conformidade com o predeterminado plano de Deus.


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Apenas um trecho do livro "Fundamentos da Graça, por Steven J. Lawson