Esta é uma versão condensada do clássico de Martinho Lutero,
A Escravidão da Vontade. Publicada inicialmente em 1525.

A Escravidão da vontade Parte IV

Argumento 11: Aqueles que chegam a conhecer a Cristo não pensam previamente sobre Cristo, nem o buscavam, nem se prepararam para conhece-lo.
Em Romanos 10:20, Paulo cita de Isaias 65:1: “Fui buscado dos que não perguntavam por mim: Fui achado daqueles que não me buscavam: a um povo que não se chamava do meu nome eu disse: Eis-me aqui, eis-me aqui”. Paulo reconhecia, por sua própria experiência, que ele não buscara graça de Deus, mas a recebera apesar de sua furiosa cólera contra ela. Diz Paulo, em Romanos 9,30-31, que os judeus, que envidavam grandes esforços para conservar a lei, não foram salvos por esses esforços, mas que os gentios, que eram totalmente ímpios, foram alvos da misericórdia de Deus. Isso demonstra claramente que todos os esforços do “livre-arbítrio” do homem são inúteis para a sua salvação. O zelo dos judeus não os conduziu a parte alguma, ao passo que os ímpios gentios receberam a salvação. A graça é gratuitamente ofertada a quem não merece, nem é digno; não é conquistada por qualquer esforço que o melhor e mais justo dentre os homens tenha tentado empreender.

Argumento 12: A salvação para o mundo pecaminoso é pela graça de Cristo, exclusivamente mediante a fé.
Voltemo-nos agora para João, que também escreveu com eloquência contra o “livre-arbítrio”. Diz ele, em João 1,5: “A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela”. E, João 1.10,11: “Estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam”. Por “mundo”, João dá a entender a humanidade inteira. Visto que o “livre-arbítrio” seria umas das mais excelentes faculdades do homem, deve ser incluído em qualquer coisa em João diz acerca do “mundo”. Por conseguinte, de acordo com esses textos, o “livre-arbítrio” não reconhece a luz da verdade, mas antes, odeia a Cristo e ao seu povo.

Muitas outras passagens, como João 7.7; 8.23; 14.7; 15.19; e 1João 2.16; 5.19, proclamam que o “mundo” (o que inclui, especialmente, o “livre-arbítrio”) está debaixo do controle de Satanás.

O “mundo” inclui tudo quanto não foi separado para Deus por meio do Espírito Santo. Ora, se tivesse havido alguém neste mundo que, por meio de seu “livre-arbítrio”, tivesse chegado a conhecer a verdade e que, por intermédio do “livre-arbítrio”, não tivesse odiado a Cristo, então João teria alterado o que escreveu. Entretanto, ele não o fez. Tornou-se evidente, portanto, que o “livre-arbítrio” é tão culpado quanto o “mundo”. Em João 1.12,13, o mesmo apóstolo prossegue: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; a saber: aos que creem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”.

As palavras “não nasceram do sangue” significa que é inútil alguém depender de sua origem familiar ou do local do seu nascimento. As palavras “nem da vontade da carne” apontam para a insensatez de se depender das obras da lei. E as palavras “nem da vontade do homem” mostram que nenhum esforço humano pode conseguir tornar alguém aceitável a Deus.

Se é que o “livre-arbítrio” tem alguma utilidade, então João não deveria ter rejeitado a “vontade do homem”, porquanto, de outro modo, estaria em perigo conforme Isaias 5.20: “Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem, mal”. Não há margem para dúvida de que a origem familiar é inútil para que alguém, através dela, venha a obter a salvação, porque em Romanos 9,8 Paulo escreve: “Isto é, estes filhos de Deus não são propriamente os da carne, mas devem ser considerados como descendência, os filhos da promessa”. Além disso, João também afirma, em João 1.16: “Porque todos nós temos recebido da sua plenitude, e graça sobre graça”. Isso posto, recebemos bênçãos espirituais exclusivamente através da graça derivada de Outrem, e não através de nossos próprios esforços. Duas ideias contrarias não podem ser ambas verdadeiras. É impossível que a graça divina seja tão sem valor que qualquer um, em qualquer lugar, seja capaz de obtê-la, ao mesmo tempo que essa graça é tão valiosa que só podemos recebe-la através dos méritos de um único homem, Jesus Cristo.

Como eu gostaria que os meus opositores percebessem que quando advogam a causa do “livre-arbítrio”, estão negando a Cristo. Se podemos obter graça divina mediante o nosso “livre-arbítrio”, então não temos necessidade de Cristo. E, se temos a Cristo, não precisamos do “livre-arbítrio”. Aqueles que defendem o “livre-arbítrio” atestam sua negação a Cristo por meio de suas ações, porquanto alguns deles chegam ao extremo de apelar para a intercessão de Maria e de “santos”, não dependendo de Cristo como o único mediador entre Deus e o homem. Todos esses têm abandonado a Cristo em sua obra como mediador e gracioso salvador, considerando os méritos de Cristo de menor valor do que seus próprios esforços.

Argumento 13: O caso de Nicodemos, no terceiro capítulo de João, opõe-se ao “livre-arbítrio”.
Consideremos as virtudes de Nicodemos (Jo 3.1,2). Ele confessa que Cristo era idôneo e que viera da parte de Deus. Faz alusão aos milagres realizados por Cristo e procura-O a fim de ouvir algo de sua própria boca. Porém, ao ouvir falar sobre o novo nascimento (Jo 3.3-8), porventura Nicodemos admite que era isso o que ele vinha buscando? Não! Ele ficou atônito e confuso, repelindo a ideia, a princípio, como uma impossibilidade (Jo 3.9). Porventura os maiores filósofos chegaram a mencionar o novo nascimento? Eles nem ao menos podiam buscar por aquelas realidades pertencentes à salvação antes da chegada do Evangelho. Ora, quando admitem isso, estão admitindo que seu “livre-arbítrio” é ignorante e incapaz! Por certo, aqueles que ensinam o “livre-arbítrio” estão loucos; porém não se calarão nem darão glórias a Deus.

Argumento 14: O “livre-arbítrio” não tem utilidade, pois a salvação vem somente por meio de Cristo.
Torna-se claro, em João 14. 6, onde se lê que Jesus Cristo é o “caminho, e a verdade, e a vida”, que a salvação só pode ser encontrada em sua pessoa. Sendo essa a verdade, tudo quanto está fora de Cristo só pode ser trevas, falsidade e morte. Qual necessidade haveria da vinda de Cristo a este mundo, se os homens, naturalmente, pudesse compreender o caminho de Deus, entender a verdade de Deus e compartilhar da vida de Deus? Nossos opositores dizem que os homens perversos possuem “livre-arbítrio”, embora abusem dele. Se isso fosse realmente assim, então haveria algo de bom no pior dos homens.

E se fosse realmente verdade, então Deus seria injusto ao condená-los. Entretanto, João diz que aqueles que não creem em Jesus já estão condenados (Jo 3.18). Todavia, se os homens fossem possuidores dessa coisa boa chamada “livre-arbítrio”, então João deveria ter dito que os homens só estão condenados por causa se sua parte má, e não devido àquela boa parte neles existente. As Escrituras dizem: “...o que, todavia, se mantem rebelde contra o filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus” (Jo 3.36). Sem dúvidas está em pauta todo homem. Pois, se assim não fosse, então haveria uma parte do homem capaz de impedi-lo de ser condenado, e ele poderia continuar pecando sem menor temor, firmado no conhecimento que não poderia ser condenado.

Também lemos em João 3.27 que “o homem não pode receber cousa alguma se do céu não lhe for dada”. Isso refere-se especialmente a capacidade da pessoa cumprir a vontade Do Senhor. Mas o “livre-arbítrio” não vem do alto, o que significa que o “livre-arbítrio” é inútil.

Em João 3.31, diz ainda o mesmo apóstolo: “...quem vem da terra é terreno e fala da terra; quem veio do céu está acima de todos”. Ora, por certo o “livre-arbítrio” não tem origem celestial. Pertence à terra, não lhe havendo outra possibilidade. E assim sendo, isso só pode significar que o “livre-arbítrio” nada tem a ver com as realidades celestiais; cogita somente das coisas terrenas. O Senhor Jesus afirma, em João 8.23: “Vós sois cá de baixo, eu sou lá de cima; vós sois deste mundo, eu deste mundo não sou”. Se essa afirmativa de Jesus quisesse dizer apenas que os corpos de seus ouvintes eram terrenos, tal declaração seria desnecessária, pois eles já sabiam disso. O que Jesus quis dizer é que aos seus ouvintes faltava, de modo absoluto, qualquer poder espiritual, e que este só poderia ser recebido de Deus.

Argumento 15: O homem é incapaz de crer no Evangelho, por isso todos os seus esforços não podem salvá-lo.
Na passagem de João 6.44, Jesus Cristo diz: “Ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o trouxer”. Isso não deixa qualquer espaço para o “livre-arbítrio”. E o Senhor Jesus passou a explicar como alguém é traduzido pelo pai: “Portanto, todo aquele que da parte do Pai tem ouvido e aprendido, esse vem a mim” (v.45). A vontade humana, por si mesma, é incapaz de fazer qualquer coisa para vir a Cristo em busca de salvação. A própria mensagem do Evangelho é ouvida em vão, a menos que o próprio Pai fale ao coração e traga a pessoa a Cristo.

Erasmo pretende suavizar o sentido claro desse texto ao comparar os homens a ovelhas, que atendem ao pastor quando este lhes estende o cajado. Argumenta que nos homens há alguma coisa que responde ao chamado do Evangelho. Porém isso não acontece, porque quando Deus exibe o dom de seu próprio Filho a homens ímpios, estes não reagem favoravelmente antes que Ele opere em seus corações. De fato, sem a operação interna do Pai, os homens inclinam-se mais a odiar e perseguir ao Filho, do que a segui-lo. Entretanto, quando o Pai mostra aos homens quão maravilhoso é Seu Filho, àqueles a quem tem dado entendimento espiritual, eles são atraídos a Cristo. Essas pessoas já são “ovelhas” e conhecem a voz do Pastor!
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Fonte: http://youtu.be/OX7O8JZMFdI  -  Canal  "Josemar Bessa"
Transcrição: Necilia Paula
Fonte: trovian.blogspot.com.br
Reforma Radical

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