John MacArthur
Em resumo, ele [Jesus] nunca usou a abordagem pacifista com heréticos nem com hipócritas ignorantes. Nunca fez o tipo de apelo particular gentil que os evangélicos contemporâneos normalmente insistem ser necessário antes de advertir os outros sobre os perigos do engano de um falso mestre. Mesmo quando lidava com as figuras religiosas mais respeitadas da região, ele enfrentava os enganos delas de um modo ousado e direto, às vezes até expondo-as ao ridículo.

Ele não era “simpático” com elas de acordo com nenhum padrão pós-moderno. Não lhes estendia a falsa cortesia acadêmica. Não as convidava para uma conversa particular sobre seus diferentes pontos de vista. Não exprimia com cuidado suas críticas em termos vagos e totalmente impessoais para evitar que os sentimentos dos outros fossem feridos. Não fazia nada para amenizar o caráter repreensivo de suas críticas nem minimizar o constrangimento público dos fariseus. Deixava o mais claro e notório possível que desaprovava a religião deles toda vez que os mencionava. Parecia totalmente insensível à frustração deles diante de sua sinceridade. Sabendo que estavam procurando razões para serem insultados, Jesus muitas vezes fazia e dizia as mesmas coisas que sabia que os deixariam mais ofendidos.

Sem dúvida, é significativo que a abordagem que Jesus usava para lidar com o engano religioso é nitidamente diferente dos métodos preferidos pela maioria na igreja, hoje. É muito difícil imaginar o tratamento dado por Jesus aos fariseus recebendo um comentário positivo nas páginas da revista Christianity Today. E será que alguém realmente acredita que seu estilo polêmico ganharia a admiração do acadêmico evangélico comum?

O modo como Jesus tratava seus adversários é, na verdade, uma repreensão séria à igreja de nossa geração. Precisamos dar uma atenção mais cuidadosa ao modo como ele lidava com os falsos mestres, ao que pensava sobre o engano religioso, ao modo como defendia a verdade, a quern elogiava e a quern condenava — e a como ele, na verdade, encaixava-se pouco no estereótipo meigo que, hoje, tão frequentemente lhe impomos.

Além disso, também deveríamos ter a atitude de Jesus para com a falsa doutrina. Não podemos agradar aos homens e ser servos de Cristo ao mesmo tempo.

É essa a tese deste livro. Vamos passar cronologicamente pelas histórias do evangelho que contam como Jesus lidou com a elite religiosa de Israel. Observaremos como ele falou com indivíduos, como respondeu à oposição organizada, como pregou às multidões e o que ensinou aos seus próprios discípulos.

A lição prática sobre como devemos nos comportar diante da falsa religião é consistente do começo ao fim: as deturpações da verdade bíblica vital não devem ser subestimadas, e quem apresenta evangelhos diferentes não deve ser tratado com generosidade pelo povo de Deus. Pelo contrário, devemos usar a mesma abordagem para a falsa doutrina usada por Jesus, refutando o erro, opondo-nos àqueles que o propagam e lutando com afinco em defesa da fé.

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Extraído de "A Outra Face", por John MacArthur
Reforma Radical

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