Avivamentos Estranhos - Pr. Marcos Granconato

Avivamentos Estranhos
Influenciadas por falsos mestres, inúmeras pessoas acreditam que as práticas bizarras que hoje se veem em muitos cultos evangélicos são prova de avivamento. Para essas pessoas, a igreja avivada, ou seja, a igreja em que no Espírito Santo está realmente atuando, é aquela em que todos gritam, sapateiam, dançam e choram freneticamente. Em certas comunidades, essa forma bizarra de “avivamento” chega a excessos incríveis, com pessoas emitindo sonoras gargalhadas, rolando no chão, latindo, rosnando e uivando como animais ou imitando bêbados cambaleantes. Todas essas práticas chocantes são atribuídas ao poder do Espírito Santo em atuação notável sobre o seu povo.
Será, porém, que essas manifestações tresloucadas são mesmo evidência da ação do Espírito na vida de alguém? Será que o Espírito que moveu os profetas no Antigo Testamento (1Pe 1.11), que atuou na vida e no ministério de João Batista (Lc 1.13-15), que ungiu o Messias prometido (Lc 4.16-19), que capacitou a igreja para o testemunho do evangelho (At 1.8) e que inspirou os escritos da Bíblia (2Pe 1.20,21) é o mesmo espírito que faz pessoas ficarem latindo de quatro no chão da igreja ou rolando freneticamente entre os bancos da congregação?

É óbvio que não! Na verdade, no Novo Testamento, as pessoas dominadas pelo Espírito Santo faziam uma só coisa: testemunhavam ousadamente acerca da sua fé por meio da pregação e do viver piedoso (At 1.8; 4.8-13,31; 6.3; 11.22-24). Assim, os atos de histeria que se veem em muitas igrejas hoje em dia não refletem nada do verdadeiro avivamento espiritual.

Outro equívoco comum é considerar avivado qualquer movimento que Deus use para promover conversões. Todo crente deve lembrar que ser usado por Deus não é prova de vigor espiritual, uma vez que Deus usa quem quer, até mesmo os piores incrédulos!

De fato, a Bíblia mostra que o diabo foi usado por Deus na vida de Jó e de Paulo a fim de que esses homens conhecessem melhor o Senhor e sua graça (Jó 42.5; 2Co 12.7-9). Demônios foram usados pelo Senhor para que os planos dele se realizassem (1Sm 16.14; 1Rs 22.20-23). Pessoas e até nações incrédulas foram usadas por Deus no cumprimento de seus propósitos (Is 10.5,6; At 4.27,28).

Também na história da igreja cristã é possível ver Deus usando instituições religiosas terrivelmente corrompidas para promover a conversão de seus eleitos. Lutero e os demais reformadores de primeira geração são exemplos de conversões ocorridas dentro da Igreja Católica Romana, num tempo em que essa igreja era um verdadeiro covil de malfeitores.

Não há, portanto, porque considerar avivado um movimento simplesmente porque é usado por Deus na salvação dos perdidos. Tampouco deve o crente estranhar quando o Senhor usa igrejas falsas ou mesmo as mais horríveis seitas pagãs para cumprir seus desígnios salvadores. Além do mais, é necessário destacar que o verdadeiro crente, quando convertido em contextos assim corrompidos, logo percebe, pelo Espírito Santo que nele habita (1Jo 2.20,21,27), que ali não é seu lugar e depressa foge para dentro dos muros de uma igreja que prega a verdade.

Também bastante comum na atualidade é o pensamento errado de que a igreja avivada tem um crescimento estrondoso. Ainda que muitas vezes Deus abençoe a igreja viva com crescimento numérico, o aumento de membros de uma comunidade evangélica não é necessariamente prova de que se trata de um movimento cheio de vigor espiritual.

Na verdade, Jesus nunca disse que o evangelho e a sã doutrina teriam grande aceitação neste mundo. Antes, ele falou que a pregação da verdadeira fé atrairia um número reduzido de pessoas (Mt 7.13,14; 22.14; Lc 12.32; 13.22-28) e, em seu ministério, provou quanto isso é verdade (Jo 6.66). Além do mais, disse que o que teria grande aceitação seria a mentira e que o que se multiplicaria seria a iniquidade. Já o amor, procedente de corações transformados, esse se esfriaria em quase todos (Mt 24.11-13).

Assim como Jesus, Paulo e João também afirmaram que a doutrina verdadeira teria poucos seguidores e que as fábulas teriam imenso sucesso entre os homens (2Tm 4.1-4; Ap 3.4), o que faz crer que o rápido e descontrolado crescimento numérico de uma igreja é prova, muitas vezes, de que seus líderes não pregam a sã doutrina.

Com efeito, os crentes não podem esquecer o fato de que “onde estiver o cadáver, aí também se ajuntarão abutres” aos montes, saltando histéricos sobre a carne pútrida da pregação mentirosa (Mt 24.28).

Todas essas noções distorcidas acerca do que é uma igreja avivada devem, portanto, ser rejeitadas e substituídas por um conceito fundamentado nas Escrituras e não nas invenções de falsos mestres. Ora, à luz da Bíblia, uma possível definição de igreja avivada seria a seguinte: igreja avivada é aquela cujos membros são doutrinariamente maduros, têm uma vida reta de santidade, se dedicam ao serviço a Cristo e demonstram alegria por sua salvação numa adoração vibrante e numa comunhão dinâmica e amorosa. Qualquer grupo que se diga avivado e não se encaixe de forma alguma nessa definição é orgulhoso, engana-se a si mesmo e, com suas desordens e desatinos, mancha o bom nome da igreja de Deus diante dos homens.

Era precisamente isso o que acontecia na igreja de Corinto. Ali os cultos eram marcados pelo uso errado do dom de línguas (que na época ainda existia) e por grande confusão (1Co 11.20,21; 14.19,23). Apesar disso, aqueles crentes se consideravam a nata do cristianismo e andavam cheios de si (1Co 5.2). O apóstolo, porém, lhes escreveu dizendo que, na verdade, eles eram imaturos, carnais (1Co 3.1,2), tolerantes com o pecado que reinava em seu meio (1Co 5.1) e desunidos (1Co 1.10-13; 6.7; 11.18). Paulo os enxergava como pessoas carentes até de noções básicas de decência e ordem, chegando a ter que lhes ensinar como se comportar durante os cultos (1Co 14.26-40).

Que Deus nos poupe de erros assim e vivifique nossa igreja da forma que a sua Palavra ensina, nos livrando dos tais avivamentos estranhos.

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Fonte: igrejaredencao.org.br